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Um adeus em silêncio

   Em uma noite, pai e filho discutem. No dia seguinte, ambos sentam-se a mesa e tomam café da manhã no mais gélido silêncio.  Incomodado com a situação, o pai tenta puxar assunto, sem sucesso. E assim permaneceram durante três dias.
   Na noite do terceiro dia, o pai entra no quarto do filho enquanto o mesmo está usando seu computador, e começa seu desabafo.
- Durante todos esses anos, sei que errei, e como errei! Mas quero que entenda que do jeito mais torto que possa existir, eu te amo. Lembro que quando você nasceu, foi diagnosticado com Asma e vários outros fatores prejudiciais. Na mesma época, passei tanto para a polícia, quanto para os correios, mas na polícia, não teria o que para mim, naquele momento, era o mais importante. Seu tratamento, sua vida.
   Em uma pausa na esperança em que seu filho virasse e o olhasse nos olhos, escorreu a primeira lágrima, e como não aconteceu a troca de olhares, continuou com seu desabafo.
- Abri mão de um bom futuro financeiro, para tentar te dar um futuro, mesmo que breve. E ter o futuro que sempre sonhei... Ter meu filho. Queria poder te amar como nunca fui amado por meu pai, mas não consegui te amar, mas não aprendi a demonstrar. Durante anos, jurei para mim e para todos que não seria como meu pai, mas como posso eu demonstrar um amor paternal se nem ao menos aprendi a receber?
   Mais uma pausa esperançosa, e novamente aquele silêncio que servia como o corte de uma lâmina em seu coração. Sendo assim, continuou.
- Eu tentei, mas o máximo que consegui, foi demonstrar desse meu jeito torto, o quanto o amo. Não me arrependo de ter aberto mão de tantas coisas por você, mas me arrependo de nunca ter me esforçado suficiente para demonstrar o quanto amo o que tenho de mais precioso, você. Posso não ter nunca seu perdão, mas tente admitir que ao menos, tentei demonstrar. Que QUIS demonstrar.
   O filho finalmente levantou da cadeira, e o coração do pai finalmente teve uma luz de esperança, mas em vão. No tom mais seco e frio que possa existir, o filho faz um argumento.
- Você dizer que quis tentou, não ira fazer sumir todas as magoas que tenho em meu coração! Você ter TENTADO, não mudará o fato de que nunca conseguiu. Tentar não é o suficiente.
Saindo de seu quarto, o filho arrumou uma muda de roupa em sua mochila e foi passar o resto da noite na casa de sua tia, como já haviam combinado. Saiu pela porta e um estrondo soou por toda casa.
   Ainda sentado na cama do filho, o pai sorriu. Sorriu e murmurou para si.
-Não esperava menos sendo filho de quem é. Só espero que essa declaração que finalmente consegui fazer, sirva para que você não se torne falho como fui. Diferente de meu pai, tentei demonstrar o que sentia. e espero que você não só demonstre como faça.
O dia foi cansativo, e o pai decidiu deitar na cama de seu amado filho, e ainda sorrindo, adormeceu. Entregou-se ao sono, um sono silencioso e imutável chamado morte. Recebendo a noticia do acontecido, o filho chorou, e no meio de sua tempestade de desespero, sorriu ironicamente e disse:
-Realmente o orgulho é capaz de tudo.
  E entregou-se novamente ao seu mar de dor e lagrimas. Nesse momento, acordei. Não entendendo e misturando a realidade com meu sonho, corri ao quarto de meus pais, e o vi deitado, roncando e abraçado com minha mãe. Nunca fiquei tão feliz e triste ao mesmo tempo! Feliz por saber que foi só um sonho, e triste por saber que sou capaz de ter tal atitude, por orgulho.
Yago Castro
Enviado por Yago Castro em 20/02/2013
Código do texto: T4149665
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Sobre o autor
Yago Castro
Campos dos Goytacazes - Rio de Janeiro - Brasil, 23 anos
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Yago Castro