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Doce Devaneio Perdido

Certa noite, há alguns anos atrás, eu sonhei que vivia em um lugar onde a tristeza e a melancolia não me encontravam. E a calmaria era constante, serena, eterna. Eu era feliz, apesar de estar sozinha. Não havia ninguém para partir meu coração. A ressaca do mar se encarregava de levar meu cansaço para longe e o sol iluminava perfeitamente sem me fazer morrer de calor. Calor? Bem, eu não sentia. Talvez o único lado ruim daquele lugar, era o fato dele ser frio. Apesar da praia, do sol próximo - quase palpável -, era muito, muito frio. No começo até foi bom. Eu aguentava sem reclamar. Mas com o passar do tempo, o frio foi aumentando e eu não me lembro exatamente como e quando ele se transformou em solidão. Eu comecei a me pegar olhando pro mar na esperança de que algum pirata viesse me tirar dali e me fizesse embarcar numa aventura épica que me esquentasse os ossos e preenchesse o vazio que eu sentia aqui dentro. Eu olhava para a orla da praia, para a areia que findava o horizonte, semi-cerrava os olhos para ver se conseguia enxergar alguém com os sapatos nas mãos, caminhando na areia, precisando tomar água ou de um abrigo pra ficar. Olhava pro céu, procurando algum helicóptero, o que quer que fosse, qualquer coisa que alguém que se lembrasse da minha existência e, talvez estivesse sentindo minha falta, teria mandado pra me resgatar. Observei tudo. Calada. Com mil coisas pra falar e ninguém pra conversar. Continuei olhando tudo. No começo, olhava com os olhos atentos, espertos, espreitos. Até que cansei. A ressaca do mar já não levava mais o meu cansaço e o frio aumentara gradativamente numa escala insuportável. Cantarolava enquanto fingia não olhar até que olhava de vez e esperava ter uma surpresa. Não tinha. Nunca tinha. E como eu queria, como eu desejava que surgisse alguém do nada, nem que fosse pra me fazer sofrer, qualquer coisa que me tirasse daquela solidão. O cansaço tornou-se amargura. E de tanto esperar que algo extraordinário acontecesse e ver que nunca acontecia, eu vi que, por mais que eu me iludisse, por mais que eu fugisse, me esquivasse, lutasse ou resistisse de qualquer outra forma, a tristeza e a melancolia sempre conseguiam me encontrar.
A B Queiroz
Enviado por A B Queiroz em 08/07/2012
Código do texto: T3767296
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
A B Queiroz
Manaus - Amazonas - Brasil, 26 anos
44 textos (2792 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/19 12:12)
A B Queiroz