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A ESTRANHA DULCE - UM SONHO DENTRO DO OUTRO


    Os meus passos apressados indicavam claramente que eu queria chegar a algum lugar, mas não sabia onde, uma certa confusão se formou na minha mente. Do meu lado estava Dulce, mas eu não sabia quem era e porque caminhava também apressada. O dia estava quase terminando e eu temia que escurecesse antes de chegar ao meu destino, mas que destino? Que lugar era esse que me fazia andar tão depressa e que não chegava nunca? O pânico já começava a tomar conta de mim, eu estava perdido, isso era fato, não sabia o que fazer, pior foi perceber que Dulce havia sumido, ela não mais caminhava ao meu lado, foi então que o meu pavor se avolumou, cresceu de uma forma que me fez tomar uma decisão: parar! Sim, eu devia parar de caminhar e procurar descansar um pouco, afinal as pernas estavam em frangalhos de tanto andar com pressa e sem saber se chegaria a algum lugar.
    Eita que tranquilidade! Eu havia parado de andar, tinha criado coragem e até perdido o medo de estar alí sozinho, a tal da Dulce nem sinal dela, evaporou-se. E a noite que não chegou! Estranho, eu estava com tanto medo dela! Inexplicavelmente ela não veio e isso me alegrou um pouco, eu até disse prá Dulce que a gente poderia ficar mais calmos. Êpa!!! Dulce??? Ela apareceu? Como? Que loucura é essa? De onde raios ela saiu? Bem, deixa prá lá, o que importa é que não estou mais só, tenho alguém para conversar, passar o tempo e entender o que diabos a gente fazia alí.
    A cabeça já não agüentava mais tanta perturbação e tanta loucura, a noite não chegava, eu já me sentia cansado e resolvi tirar uma soneca e disparecer a mente, afinal estava precisando mesmo. Procurei me certificar se Dulce ainda estava alí, estava, parecia cansada também e até repousou o corpo junto a um tronco de árvore e me passou a impressão de que adormecera. O sono não tardou e eu dormi profundamente, tão profundamente que até sonhei. Estava eu caminhando bem apressado com destino a algum lugar que não sabia dizer qual era. Andava, andava, andava e nada de chegar ao destino, mesmo não sabendo que destino era esse. Ao meu lado estava uma mulher e seu nome era Dulce, que também caminhava bem apressada, mulher essa que não sabia quem era. O dia já se estendia em direção a boca da noite e quanto mais eu andava mais demorava a chegar em algum lugar que não sabia onde era. Tão distraído estava que nem percebi que Dulce não estava mais alí. Me desorientei nesse momento, temia que a escuridão da noite me fizesse entrar em pânico, sozinho nesse lugar era trágico. E Dulce, para onde teria ido? Foi aí que tomei uma decisão corajosa: parei de andar e procurei dominar meu medo, afinal eu era homem ou não era?
    Estava tão exausto que alí mesmo decidira adormecer em meio àquela calmaria. Dulce tentou me tranquilizar e eu... Êpa!!! Dulce? De onde saiu ela? Não havia desaparecido? Que onda é essa? Bem, nada importa mais, o que vale é que ela está aqui e eu não estou mais só. Antes de me ajeitar para dormir um pouco, mesmo sem conforto, dei uma espiadinha para ver se Dulce continuava alí e ela continuava sim, parecia meio sonolenta e eu achei que ela iria "desmaiar" alí mesmo, fiquei então mais tranquilo e o sono veio logo. Ah! Que sono bom, deu prá relaxar o corpo cansado, deu até prá sonhar, sonhei que estava andando bem apressado...
Moacir Rodrigues
Enviado por Moacir Rodrigues em 17/08/2019
Código do texto: T6722808
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Sobre o autor
Moacir Rodrigues
Recife - Pernambuco - Brasil, 70 anos
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Moacir Rodrigues