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Um Conto Para Mulheres _ capítulo XXVIII

Por incrível que pareça ele não era frequentador da casa nem tampouco “cliente” de nenhuma daquelas meninas. Era o presidente de uma das cervejarias que rotineiramente forneciam a bebida. Como passou a ser muito consumida ele foi, excepcionalmente, em pessoa apresentar uma promoção especial que sua companhia acabara de lançar. Vendo-me por lá, pois era uma sexta-feira, dia em que a casa recebia uma quantidade significativa de visitantes, ele me chamou para uma conversa. Quase não havia meninas por ser ainda começo de tarde e eu mesma só me encontrava ali por uma questão alheia às atividades, mas que, no momento não me vem à memória. Eu poderia ter muito bem recusado seu educado convite para sentarmo-nos e tomarmos uma cerveja, mas algo me disse, ao ver esse homem, que ali estaria a solução para todos os problemas que vinha enfrentando naquela fase tão conturbada de minha vida. Ele não tocou em assuntos de sexo, sendo muito cavalheiro comigo do princípio ao fim daquele nosso primeiro contato. Ao nos despedirmos e em minha ida para o bairro em que temporariamente habitei, pois precisava descansar para a longa noite que me esperava já havíamos combinado um outro encontro fora dali. Eu estava feliz e confiante em sua promessa de que me ajudaria e, no trajeto para casa, não me continha de esperança, antecipando a reconquista do meu amado imóvel e da minha felicidade.

Quanto às noites de sexta-feira encontravam-se aí os meus maiores tormentos. Muitas foram as vezes em que discuti com aquele homem que me ludibriara para não ter que me sujeitar a certas coisas que ele me obrigava a fazer, tudo em troca da minha continuidade como uma de suas bailarinas, que é como ele costumava me apresentar. Por pouco não fui demitida da função por contrariá-lo em quase tudo. Sua ira não tinha limites e eu fazia mesmo por onde, pois faltava quase toda semana e, quando ia, procurava esconder-me para não ter que participar nos momentos de dança junto com as meninas ou não ter que ficar de biquíni na frente daqueles homens tarados e doentios. Por fim tive que ceder frente suas ameaças de despedir-me incondicionalmente. Tudo em nome do meu enorme desejo de justiça. Cheguei a beber além do limite para ter que suportar conversas insuportáveis nas mesas que era obrigada a compartilhar. Mas minha salvação já estava a caminho.

A cada encontro que tinha com o homem que conheci e que seria o pivô da minha salvação, maior era minha esperança de conseguir o que eu buscava. Como já demonstrara claramente em suas palavras e atitudes que não me via como uma garota de programa, e ele constatou, realmente, mais tarde, que eu não o era, pois todas as evidências mostravam isto eu me apeguei a ele como uma verdadeira tábua de salvação e ele não me decepcionou. Pelo fato de ser diferente e agir diferente de todos os homens com quem eu vinha contatando ultimamente, meu amor por ele tendia a aumentar e se fortalecer. Procurei, a ponto de sufocar minha curiosidade, não falar muito sobre seu passado no que se referia a seus relacionamentos anteriores. Mas, mesmo nesse ponto e por sua enorme generosidade e simpatia, ele não se furtava a falar de si. Conversávamos, tomávamos da sua cerveja, a qual fazia questão de consumir exclusivamente e ele não mencionava o assunto namoro entre nós. Cheguei a me torturar com a dúvida de que fosse casado. Contudo, ao estar disponível para mim sempre que o requisitava, incluindo os fins de semana, acabei colocando de lado essa preocupação.
Professor Edgard Santos
Enviado por Professor Edgard Santos em 23/11/2019
Reeditado em 23/11/2019
Código do texto: T6801987
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Professor Edgard Santos
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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3 e-livros (135 leituras)
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Professor Edgard Santos