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Um Conto Para Mulheres - capìtulo XXVI

Passei os dias seguintes a matutar um jeito de estar sempre por perto e inteirada do andamento de tudo que tivesse relação com o meu imóvel e não haveria outra maneira além de estar presente nele o maior tempo possível. Como isto significava ter de aceitar sua proposta, ou seja, transformar-me em uma garota de programa e isto eu não desejava em hipótese alguma, então eu pensava e não encontrava forma de solucionar esta questão tão intrincada. Foi quando, em conversa com uma amiga, obtive uma sugestão e, sem perda de tempo a pus em prática. Eu não deveria recusar a oferta do homem. Pois era essa a única forma que eu teria de estar próxima a ele e dentro da casa que é minha por direito adquirido. Logicamente, eu não iria me prostituir, mas para ele é assim que devia parecer. Só precisava saber como o faria. Ainda seguindo o conselho de minha amiga, impus minhas condições e as coloquei por escrito. Depois de as ler cautelosamente e não encontrar nelas nada que o pudesse comprometer ele assinou. Mas, não sem antes me exigir que colocasse como adendo, que eu aceitava trabalhar em sua casa como dançarina, por livre vontade em troca de um pagamento semanal em dinheiro. Como, em nenhum trecho do documento havia a menção de saídas com homens por dinheiro, ou seja, prostituição, ele aceitou assinar sem muita relutância. Foi assim que passei a fazer parte do grupo de meninas da casa e acompanhar todas as atividades que ali se desenrolavam.

Eu era uma das doze meninas que trabalhavam para este homem. Dentre essas, seis eram brasileiras como eu e as outras tinham nacionalidades diversas. Apenas três eram de países da Europa. Como mencionei anteriormente, dificilmente havia encontros dentro da casa, isto para evitar problemas. Embora seu negócio estivesse legalizado como um ramo comercial poderíamos denunciá-lo como aliciador de mulheres para a prostituição, o que constituía crime. Mas ele era esperto e não deixava brechas. Demais, todas que ali estavam haviam aceitado voluntariamente e, é claro por motivos financeiros, “trabalhar” para ele. Quanto a mim. Não era esse o motivo, portanto eu levava alguma vantagem sobre todas as outras.
Não foi sem sacrifícios e muita confiança em Deus e em minha própria auto estima que consegui superar os momentos dificílimos por que passei ao ter que sair com homens que eu nunca tinha visto na vida e com muitos dos quais não possuía nenhum tipo de afinidade. Tive que utilizar de muito boa conversa e, porque não dizer, de muita coragem a fim de evitar a ida para a cama com a grande maioria deles. A despeito da armadilha em que caí, entregando de badeja minha bela propriedade para aquele homem, ele desconhece que foi exatamente por meio daquela transação suja que encontrei a pessoa que transformaria totalmente minha vida, o que relatarei mais à frente. E foi também com o dinheiro que ele me adiantara que pude dar continuidade ao meu plano de reaver minha casa sem que fosse preciso vender meu corpo, embora tenha sido impossível evitar o sexo com alguns dos homens que conheci, isso por foça das próprias circunstâncias em que tudo ocorreu.

Conquistei algumas amizades que marcaram minha vida e que levarei para a eternidade, algumas perdurando até os dias de hoje. Uma delas que, infelizmente, não mais existe, pois soube de sua morte recente surgiu de uma das meninas da casa, brasileira como eu. Foi através de sua inestimável colaboração que me safei de muitos contratempos. Ela precisava mesmo do dinheiro, foi esta a razão principal que a levou a se prostituir. Embora pareça ser o dinheiro o fator primordial que leva uma mulher a se tornar garota de programa, isto não é verdade. Como estive envolvida nesse negócio por quase dois anos de minha vida posso garantir o que estou afirmando. Tornamo-nos muito queridas umas das outras e compartilhamos todos os sentimentos que acometem o ser humano. E vai aqui um conselho para as mulheres, de quem sabe o que está dizendo. Procurem amar e ser amadas dentro de seus próprios lares, pois o amor verdadeiro, ou a falta dele, principalmente dos nossos pais, e para com eles, acabará, infalivelmente, repercutindo ao longo de toda a nossa vida. Não é propriamente o dinheiro, este podemos conseguir das mais variadas maneiras, mas a carência afetiva, a falta de amor e de atenção que podem levar uma menina a se prostituir. Isto também é verdade para as mulheres casadas que passaram por grandes momentos de decepção com seus maridos. Portanto é o amor a grande solução para todos os problemas da vida.

Mas, como eu ia dizendo, essa amiga foi-me de inestimável ajuda ao sair com os homens que me escolhiam dentre as garotas que lhes eram mostradas ou apresentadas, embora nesses casos eu não tinha saída e precisei usar de outros tipos de estratégia. Apesar de contarmos com a sorte na maioria dos casos, muito mais do que com a esperteza e a esfuziante beleza e atratividade de minha amiga, houve situações em que passamos, ela especialmente, por situações de grande perigo. Houve vezes, e não foram poucas, em que tivemos que ir as duas e, durante o trajeto para o local do programa termos de usar das mais alucinadas artimanhas para eu escapar. Não raro surgia, na última hora um amigo do interessado, chamado por este que, ao saber que eram duas as meninas, aproveitava a chance para um programa diferente e muito mais apimentado. Ao relatar esses fatos não consigo segurar a revolta que ainda sinto de não ter podido evitar que o desejo deles, em alguns daqueles encontros se consumasse. Isto porque, envoltas por suas palavras hábeis e suas ofertas tentadoras, minha amiga, principalmente, acabávamos cedendo, o que me deixava, durante os dias que se seguiam, num estado péssimo e com raiva de minha própria fraqueza e falta de atitude.
Professor Edgard Santos
Enviado por Professor Edgard Santos em 18/11/2019
Código do texto: T6797918
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Sobre o autor
Professor Edgard Santos
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Professor Edgard Santos