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A MENTIRA DO LOBO

Em uma cidadezinha chamada Andorinha/ Morava um lobo/ Todos conheciam a sua história/ Porém jamais o haviam visto/ Falava-se que o lobo uivava todos os dias no exato instante em que alguém mentia/ Falava-se que o canino vivia escondido/ E alguns juravam já ter avistado sua sombra na aurora da manhã/ Certo dia, um grupo de residentes se reuniram/ Queriam, pois, arrumar uma maneira de capturar o animal/ Ao anoitecer, saíram então a desbravar o lugar e prontos para calar o lobo/ À medida que adentravam a mata, e se afastavam do centro da cidade/ O silêncio se fazia cada vez mais alto/ E soava sinistro aos ouvidos dos nossos caçadores/ Os homens caminhavam quase  na ponta dos pés/ Tentando evitar que o barulhos das folhas secas no chão em contato com seus passos afugentassem o bicho/ Seguiam quietos e astutos à procura/ Até que algo estranho acontece/ Um dos indivíduos desaparece/ Os cinco restantes entram em pânico ao notar sua ausência/ Porém contêm-se entre si/ Não encontravam explicação para o sumiço repentino/ Afinal, não haviam sequer ouvido um só ruído/ Havia ainda muitas árvores entre troncos cortados/ Porém a lua estava clara e assim podiam usar suas lanternas em baixa luminosidade/ Um deles decidiu voltar/ Os outros quatro tentaram impedí-lo, alertando-o do perigo de andar sozinho àquela altura, mas em vão/ Assim prosseguiram a busca/ Observavam ao redor, cada vez mais atentos/ Já haviam se passado quase três horas desde que partiram e nenhum sinal do lobo/ Foi quando ouviu-se um grito que rapidamente emudeceu/ Imediatamente pararam todos/ Se entreolharam verificando se estavam os quatro ali/ Só poderia ser a voz do desertor/ Mas o que haveria acontecido?/ Estavam cada vez mais desconsolados e amedrontados/ Mas diante daquilo, não ousavam se dissipar/ Estariam eles no rastro correto?/ E se fora justamente o lobo o autor dos desaparecimentos?/ Estaria ele então no sentido contrário de onde caminhavam/ Inspirados pelo desejo de vingança, só pensavam em exterminar aquele animal feroz/ A raiva era tanta que nem lhes passou pela cabeça tentar encontrar e resgatar os companheiros perdidos/ Resolveram dar meia volta/ Os passos agora eram firmes, quebrando o silêncio da madrugada/ Os rapazes, um deles de meia idade, seguiam obstinados/ Dessa vez nada os impediria de levar à cidade a cabeça do maldito lobo como troféu/ Caminharam por mais uma hora/ Mas nada acontecia/ Estavam cansados e com sede/ Decidiram então parar um pouco/ Se acostaram num tronco atravessado e puseram-se a beber a água do cantil/ Foi nessa hora que algo os surpreende/ Avistam de longe uma luzinha/ Parecia vir de uma casa ou algo parecido/ Ergueram-se todos/ Empunharam as armas e foram naquela direção/ Talvez encontrassem ali alguma informação sobre o paradeiro do lobo/ Ao se aproximarem, depararam-se com algo ainda mais surpreendente/ Não se tratava de uma casa, aliás, nada parecido com isso/ Era pois uma multidão de vaga-lumes, que de tantos e tão próximos emitiam o tal clarão/ Porém os insetos pareciam não se intimidar com a presença dos visitantes/ E continuaram imóveis/ Os sujeitos, por sua vez, não contentes com a indiferença dos pirilampos trataram de cutucá-los com a ponta de uma das armas/ Os vaga-lumes então abriram vôo e lá estava/ Os olhos dos homens saltaram pra fora/ Seria então ali o esconderijo do bichano/ Os insetos estavam a cobrir um buraco/ Um profundo e enorme buraco/ Sem pestanejar, um deles se pôs a escalar e ao pisar no chão/ Verificou um túnel/ Fez sinal para os demais que mais aliviados adentraram  também/ Caminharam por 10 minutos e já sentiam dificuldade de respirar/ Dois deles então, decidiram por interromper a caçada e prometeram aguardar os demais do lado de fora do lugar/ O mais velho e o outro prosseguiram/ Bastaram mais 5 minutos e estavam eles ali/ Bem diante do mistério que acabara de se revelar/ Estava na frente dos dois tudo, menos o que procuravam/ Os dois companheiros sumidos sentados em cadeiras improvisadas com restos de troncos a rir em tom estridente/ Percebendo a chegada dos intrusos, calaram-se. Os visitantes estarrecidos perguntaram o que faziam eles ali/ Os dois então não puderam mais conter o riso e desabaram em longas e ainda mais extravagantes risadas/ Os rapazes então compreenderam que tudo não passava de uma armação dos jovens, ao lembrar que fora deles a idéia de formar o grupo de caça/ Como estavam eles na flor dos seus vinte e poucos anos, não tiveram coragem de castigá-los pela brincadeira, que julgavam de muito mau gosto porém.  Saíram todos dali ao rumo de casa/ Enquanto caminhavam, relatavam a história infame aos dois que não presenciaram a descoberta/  Já estavam a poucos metros da entrada principal da cidade/ Acabaram todos por rir do ocorrido/ Um dos jovens, porém, curioso, interrompeu as risadas e perguntou-lhes: Como conseguiram nos achar naquele buraco tão escondido e escuro?/ Os homens pararam de caminhar/ Sabiam que os jovens não acreditariam na história dos vaga-lumes/ E para evitar que fossem ainda mais caçoados por aqueles meninos/ Um deles respondeu:  Ora, não se julguem tão espertos! Nós o seguimos! Vimos você entrar ali! Apontando para o último antes desaparecido. Os jovens se deram por satisfeitos, e todos seguiram, sem notar o uivo do lobo.
Quase Madalena
Enviado por Quase Madalena em 11/06/2013
Código do texto: T4335383
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Quase Madalena
Salvador - Bahia - Brasil, 41 anos
18 textos (576 leituras)
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Quase Madalena