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O CORAÇÃO VAZIO

     Algo na sua voz transparecia algo além da realidade. Quem o conhecia, sabia que aquelas pronúncias não partiam de alguém com o coração forte e jovem, aventureiro e passível de amar. Algo havia acontecido, mas ele era um cofre, aberto apenas a quem podia confiar. O único problema é que, apesar das contáveis amizades que julgava verdadeira, não sentia-se seguro em confiar em ninguém.
     O fato de estar rodeado por pessoas apenas afastavam-no da sua real dor, e, mesmo que momentâneo, possibilitavam-no de poder sorrir com o mínimo de sinceridade, mesmo que não sentisse vontade de fazê-lo.
     Sorrir tem lá suas vantagens, pensava ele. E realmente tem, principalmente para um coração despedaçado que, em uma certa tarde alaranjada do outono, descobriu o motivo pelo qual seu coração, que batia com paixão, havia se afastado com tanta intensidade daquilo que mais prezava. Ele sabia que não havia maneiras de poder tocar seus dedos novamente.
     Já não conversava normalmente, muito menos usufruía das vantagens do sorriso. Sabia que estava desperdiçando bons dias de sua jovial vida com toda esta babaquice, como ele mesmo designava. Mas o que poderia fazer?
     Pensamentos invadiam-lhe a mente, resquícios de imagens, outrora embaçadas mas muito nítidas quando a intensidade do momento lhe era bela e agradável. Uma dor, uma agonia, invadia-lhe o peito porque apesar de tudo, foram momentos de muita alegria em que podia admitir que seu sorriso era verdadeiro, que sua vontade de viver era verdadeira.
     Retratos de um coração que já foi feliz, mas que hoje reflete algo cuja essência deixou de existir à partir do momento em que o último beijo  deixou de ter significado.
     Como é inseguro o coração humano, envolto por todas as malícias de um mundo que não enxerga o amor e a vivacidade que isso proporciona à alma. É difícil encontrar quem ame de verdade, pensava ele, debaixo do seu cobertor, relembrando momentos bons retratados em mensagens de celular que jamais voltarão a chegar.
     Só lhe restava dormir, e deixar de pensar no motivo pelo qual jamais tocaria aqueles lábios novamente pois isto só lhe traria dor.
     Dia após dia, semana após semana, e suas lembranças foram cada vez mais esquecidas pelo tempo, empoeiradas na prateleira do coração. A dor de um amor verdadeiro que preencheu seu coração e o impediu de comer durante vários dias já não existe mais.
     Passaram-se quatro anos desde aquele dia. Hoje, uma nova flor reabre em seu coração, plantada com carinho, esperando para ser colhida por aquele que a regava. Seu coração estava jovem novamente. Sua boca abria-se em um sorriso sincero novamente. Tudo estava bem.
L Andrade
Enviado por L Andrade em 20/01/2014
Código do texto: T4657092
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
L Andrade
Curitiba - Paraná - Brasil, 27 anos
13 textos (387 leituras)
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L Andrade