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Por Siempre (Parte 9 - Amores, Competições e Decepções)

Alice sabia que Pablo queria que ela descansasse bastante para o Campeonato de amanhã, mas o fato é que ela não conseguia dormir sabendo que amanhã era um dia tão especial pra ela. Resolveu ir até o quarto do namorado pra ver se ele ainda estava acordado. Achou estranho que Gustavo estivesse fora de seu quarto quando ela saiu. Pensou que ele fosse fazer alguma objeção, mas o garoto pareceu não dar a mínima pra ela. Pelo menos, ao que parecia, Gustavo seria uma preocupação a menos para que Alice pensasse. Isso era bom, na verdade.
Pablo ouviu baterem a porta pela segunda vez naquela noite. "Qué se pasa con las personas hoy?", pensou. Tinha acabado de sair do banho e tinha uma toalha enrolada abaixo da cintura. Abriu a porta como uma expressão impaciente e quando seus olhos avistaram os de Alice, ele sorriu. Alice ficou um pouco surpresa ao vê-lo daquele jeito, quer dizer, ele estava nu. "Uau", pensou. Alice sabia que Pablo era gato e sarado e tinha cara de ter fortes requisitos físicos que o elevasse a perfeição ou alguma coisa dessas que Thais vivia falando. Mas ela realmente não sabia o que se escondia por dentro das roupas dele ainda. Por um momento, ela ficou com vergonha só de pensar no que estava pensando e piscou rapidamente e quando abriu os olhos, manteve o olhar para baixo, tentando não visualizar seu namorado lindo e gostoso só de toalha à sua frente.
- Mejor hablar mañana - Disse sem jeito e decidida a seguir para seu quarto.
- Qué pasa? Qué tienes, Alice?
- Nada. Es que... Que yo no estaba durmiendo, entonces vine aquí para ver cómo estabas, pero.. Ya me vo....
- Shh -Pablo sibilou, levando seu indicador aos lábios de Alice simbolizando silêncio. Passou a outra mão pela cintura de Alice e a puxou para si. Beijou-a docemente e a puxou para dentro do quarto.
Pablo tinha esperado por aquilo durante tanto tempo que já não estava acreditando que realmente estava acontecendo. Alice sentiu um pouco de medo, mas não era como se ela não confiasse em Pablo. Ela confiava. Mas deve ser um pouco normal essa espécie de tensão quando se está com alguém que se gosta tanto. E os dois se gostavam. Mais que gostar, se amavam e se amaram ainda mais a partir daquela noite.
A noite porém não foi tão agradável para Gustavo. Ficou durante um bom tempo no seu quarto, pensando em como colocaria a segunda parte do plano em ação. A primeira parte tinha sido muito fácil e olha que nem dependia muita coisa dele. Nada aconteceria se aquele argentino não fosse tão estúpido. Agora Gustavo se via na obrigação de continuar com suas idéias, já que tudo o que tinha de dar errado não deu e tudo estava em suas mãos. Decidiu-se. Não poderia mais adiar, se ele não fosse rápido, não iria mais e ele precisava ir. Foi.
Amanheceu e todos estavam em seus respectivos quartos – menos Alice que dormia nos braços de Pablo. Lá fora, o céu estava turvo, um ótimo dia para se esquiar. De qualquer forma, esquiariam de um jeito ou de outro. O café-da-manhã foi agitado. Todos estavam querendo ir logo para as pistas. Thais, Bruna, Carol e Marcela estavam eufóricas quando Alice chegou no quarto tentando não fazer barulho. Ela acabou chutando um monte de pulseiras que Bruna tinha deixado amontoadas no chão e acabou acordando Marcela que tinha o sono mais leve que Alice já vira uma pessoa ter. Acontece que Marcela era a amiga mais escandalosa que Alice tinha e logo acordou todas as outras pra falar que Alice não tinha dormido no quarto naquela noite. Ok, Alice não se lembra de um momento em que sentiu mais vergonha do que estava sentindo naquele, mas acabou contando como foi bom passar a noite com Pablo. As meninas ficaram deslumbradas, apreciando a aparência feliz e doce de Alice enquanto contava sua história.
Gustavo estava exausto. Tinha ficado a noite inteira acordado pensando e agindo para que nada desse errado naquele dia e no pouco tempo que conseguiu dormir, teve um pesadelo que o deixara impressionado. Ele não lembrava ao certo o que era, mas achou que era melhor nem puxar na memória. Não ligava muito pra isso.
Todos tomaram o café da manhã e estavam prestes a sair pra irem à pista do campeonato. Alice pegou seus esquis que estavam no armário dentro da capa vermelha com uma flor de quatro pétalas azul como chaveiro do zíper. Foram todos juntos para a pista e seu Sebastian foi dirigindo dessa vez. Assim, Pablo pôde sentar-se ao lado de Alice e o casal ficou abraçadinho o caminho inteiro. A pista não era tão longe e logo chegaram. Desceram do ônibus e os seis participantes se separaram do resto dos hóspedes que ficariam na platéia. Seguiram para o espaço de competidores e ficaram lá arrumando suas coisas e se aquecendo. Pablo, pra variar, estava mais preocupado com os equipamentos de Alice do que com os seus e a garota estava realmente grata.
Chegou a hora da competição e todos foram pra pista principal. Estavam querendo parecer seguros, mas o fato de ter cinco brasileiros que não estavam acostumados com o esqui e muito menos uma competição de esqui estava contando como um peso e tanto. Mas por outro lado, se ganhassem, seria uma história pra contar pro resto da vida e isso seria realmente bom.
Dada a largada, a competição estava acirrada. Pablo tentava sair do caminho sempre que podia para que Alice pudesse seguir em paz e tranqüila. De repente Pablo viu alguém caindo. Bom, aquilo costumava ser comum naquelas corridas de esqui. Sempre tinha um ou dois participantes que caiam do esqui numa hora ou outra. O instrutor olhou rapidamente para os lados e não via Alice. Achou que, enquanto ele estava perdendo tempo pensando em quantas pessoas ele já tinha visto cair na corrida ela já tinha tomado uma grande distancia. Sorriu, é claro. Quando avistou a linha de chegada, pensou em como Alice estaria feliz por ter ganhado e Pablo ficou feliz só de imaginar isso. Cruzou a linha com um largo sorriso e olhou em volta. Alice não estava lá. A procurou com os olhos e não a avistava em canto algum. A descida foi tão rápida e, de repente lhe veio a consciência. “Alice, mi Alice”. Não poderia ser que Alice fosse aquela que tinha caído, não é? Ela era simplesmente perfeita no esqui. Pablo não via aquilo nem mesmo nas próprias pessoas que viviam em Bariloche. Alice era exímia nos esquis, não era possível que uma pista simples e amadora – mesmo sendo a escolhida para a categoria sênior do campeonato, aquela era uma pista deveras amadora. Pablo estava atônito. Queria saber o que fazer, mas não conseguia pensar em nada. Resolveu voltar. Parecia a única solução plausível, ele não poderia ficar sem fazer nada. mesmo que soubesse que aquela altura, Alice já estaria sendo atendida, mas sabia que precisava fazer alguma coisa. Ignorou o prêmio e sei lá, medalha? Troféu? Pablo já não pensava em mais nada. Não conseguia pensar. Estava tentando tirar os esquis, mas nem isso conseguia fazer. Não sabia se era melhor ir com ou sem esqui, Pablo já não sabia de nada. Foi quando Diego o segurou e perguntou o que ele tinha, afinal de contas, ele tinha ganhado a corrida, era pra ele estar feliz.
- Alice. Alice. – falava sem nexo algum.
-Esa chica que cayó?
- No puedo.. Alice no, no.
- Que pasa, Pablo?
Pablo explicou ao colega que Alice era sua namorada e que ela iria ganhar com certeza aquele premio por que era muito boa no esqui. Disse que não era possível ser ela, pq ela jamais cometeria um erro assim. Quis vê-la. Precisava vê-la, precisava ter certeza de que ela estava bem e de que nenhum mal a tinha abatido.
Alice estava deitada na maca que estava na ambulância estacionada próxima a pista. A ambulância era apenas para primeiros socorros, mas fora a dor nauseante no pé esquerdo, Alice não sentia mal algum, apesar do tompo descomunal que acabara de levar. A dor maior foi por ter perdido a oportunidade de ganhar o prêmio. Ainda mais ela que tinha grande chances de ganhar. Mas ainda assim ficou feliz quando soube que tinha sido seu namorado que fora o campeão. Olhou para o pé enfaixado e franziu o cenho. Seus pais iam ficar furiosos quando soubessem que ela tinha se machucado dessa maneira. Talvez ela não viajasse sozinha durante um longo tempo. Ouviu um barulho vindo da porta da ambulância e correu os olhos em tal direção. Pablo. Alice sorriu. Estranhou que o garoto não tivesse retribuído o sorriso com outro sem jeito como já era de costume fazer. Ao contrário disso, o garoto parecia estar nervoso, preocupado. Preocupado com quem? Com ela? Alice queria achar que sim. Conversaram. Pablo disse que sentia muito e que queria muito que ela ganhasse e outras coisas melosas de gente apaixonada. Alice agradeceu por tudo e contou de sua preocupação por seus pais saberem do seu pé torcido. Ficaram ali durante algum tempo quando finalmente Bruno chegou.
- Alice, você viu o seu esqui como ficou?
- Não, Bruno. E sinceramente eu nem me importo.
- Se eu fosse você, eu me importaria sim.
- Ta, o que tem no meu esqui?
Bruno deteve a própria voz e puxou um esqui quase inteiro, exceto pelo encaixe dianteiro do pé direito do esqui que Alice estava usando. O encaixe que faltava não parecia quebrado, muito pelo contrario. Parecia que tinha sido tirado com muito cuidado e depois colado com cola branca, que nunca agüentaria segurar Alice numa pistinha de calçada, quanto mais naquela.
- O outro lado, o que ficou no seu pé esquerdo e apontou com os olhos para o pé enfaixado da menina – está totalmente despedaçado. Acreditamos que esse tenha saído do seu pé e tenha provocado o acidente. A gente ta achando que foi sabotagem.
- Como assim sabotagem?
- Alice, tem cola nele. Ta, não dá pra ver direito, mas tem vestígios de cola, pode ver – aproximou o esqui da garota.
- É, precisavam de cola pra colar isso, né?
- Aí é que ta, Alice. Esse esqui é feito inteiradiço. Não tem cola em nenhuma parte da fabricação original dele.
- E quem iria colar isso?
- Quem queria muito vencer esse campeonato, eu acho. Bom, é melhor eu ir, né? Estou sentindo que estou atrapalhando certo casal – Bruno piscou sem graça.
- Espera, Bru.. – ele já tinha fechado a porta.
“Sabotagem”, pensou Alice. “E foi de quem queria muito ganhar”.
- Não pode ser.
A B Queiroz
Enviado por A B Queiroz em 07/07/2012
Código do texto: T3764707
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Sobre a autora
A B Queiroz
Manaus - Amazonas - Brasil, 26 anos
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A B Queiroz