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Por Siempre (Parte 7 - Preparativos Para o Campeonato)

A s aulas de esqui estavam ficando cada vez mais produtivas. Todos já estavam aprendendo significativamente a manobrar e haveria um campeonato na manhã do próximo domingo.
Pablo escalou uma equipe que estava se saindo muito bem. Alice, Thais, Mateus, Fernando e Gustavo. O instrutor não queria manter Gustavo por perto, mas era inegável que o rapaz era bom no esqui. Ele teria de treiná-lo como os outros quatro se quisesse que algum desses fosse campeão.
A Competição Anual de Esqui costumava ser muito importante para os habitantes e turistas de Bariloche. Quem ganhava, levava para casa, um bom premio em dinheiro e o prestígio de ser o melhor do ano na categoria. Pablo também iria participar, embora não tivesse pretensão de ganhar, já que, quando adolescente, havia ganhado cinco prêmios.
Sim, ele era o favorito ao prêmio sênior, mas estava decidido a deixar Alice ganhar. Seria incrível vê-la com aquele sorriso campeão e também, nunca conseguiria disputar alguma coisa com ela. Ele a amava demais para vê-la decepcionada consigo mesma.
Alice ficou realmente muito feliz com a indicação do seu instrutor/namorado para que ela participasse da competição, embora tivesse algumas dúvidas de que ele tivesse feito aquilo só por gostar dela. Não era. Como suas próprias amigas disseram, Alice era a hóspede que melhor andava de esqui e era notório que seria escolhida. A garota ficou mais tranqüila e decidiu treinar muito pra que ela pudesse ter alguma chance, afinal de contas, Pablo era realmente muito bom e ela ia competir na mesma categoria que ele. Não queria que Pablo perdesse, mas queria muito ganhar. Mas ainda assim era muito triste ter de competir com ele. Ela o amava e não gostaria de vê-lo decepcionado consigo mesmo.
Os dois dias que precederam a competição foram de exaustivos treinos. Gustavo não queria mais participar, mas levando em consideração entre deixar Alice sozinha com o argentino – embora tivessem mais três pessoas com eles dois – e ficar vigiando o seu rival, ele preferiu continuar na equipe. Thais disse que se ele quisesse sair, ela ficaria na equipe para que pudesse ficar de olho no casal, mas por algum motivo Gustavo não quis a ajuda da parceira. Queria ficar por conta própria nessa história.
Falando em Thais, ela também ia muito bem nos treinos e estava quase se tornando uma forte candidata.
Alice e Pablo passavam os treinos, na maior parte do tempo, ajudando um ao outro e estavam cada vez mais felizes. Sempre que terminavam uma sessão pesada de manobras, ao invés de irem descansar um pouco para poder continuar, o casal ia para o teleférico e ficavam conversando e namorando até a hora de saltarem. Era incrível ver como duas pessoas que estavam juntas a tão pouco tempo se davam tão bem. Se compreendiam, se gostavam. Alice e Pablo eram a encarnação da expressão “casal perfeito” para todos os que os viam. Para Gustavo, aquilo não passava de um namorico de férias. Na verdade, ele torcia para que não passasse disso, mesmo.
Os treinos acabaram dividindo as cinco amigas e reaproximando Thais e Alice. As duas ficaram juntas um bom tempo, como costumavam ficar antes do lance todo com o Gustavo. Alice não sabia bem se era por isso que Thais estava daquele jeito distante e não sabia se a amiga realmente sabia de alguma coisa ou se só foi uma impressão que teve em relação a ela. A verdade é que Thais estava sim morrendo de ciúmes e raiva por Alice estar gostando do mesmo garoto que ela. Pior ficou quando viu que ele a correspondia. Mas aquilo já ia mudar, já estava mudando e ela não tinha mais motivos para ficar chateada com Alice, afinal de contas, se não fosse o inicio dessa história toda, Thais não estaria tão perto de conquistar Gustavo. Ok, ela não estava tão perto assim, mas Thais tinha uma mente um tanto perturbada e sonhadora demais e aos seus olhos, Gustavo cairia na sua armadilha de amor quando estivesse necessariamente fraco pra isso.
O jantar de sábado a noite estava delicioso. Dona Mercedes havia se superado naquele dia. Seu Sebastian brincava algumas vezes dizendo que a tristeza era um ótimo tempero para a esposa. Ela não costumava gostar da brincadeira.
A senhora não estava gostando nada de ter uma nora brasileira e se permitiu bisbilhotar o arquivo de reservas e estava contando os dias para que ela fosse embora logo.
Gustavo se sentou no lugar de sempre e estava esperando Bruno que tomava banho quando ele saiu do quarto para ir jantar. Mas para sua surpresa, quem sentou ao seu lado foi Thais. No começo o garoto ficou arredio como o de costume, já que tinha um pouco de medo do que Thais poderia querer ou se ela realmente estava a favor dele nessa história, levando em consideração de que ela era a melhor amiga de Alice e poderia estar tramando alguma pra saber o que ele estava pensando.
- O Bruno já está vindo. – disse Gustavo como quem diz “este lugar já tem dono”.
- Que bom pra ele. – Thais não parecia se importar.
- O que você já quer, hein?
- Não posso sentar ao lado do garoto mais bonito do mundo?
- Vai sentar ao lado do argentino, então! – disse amargurado.
- Cala a boca – riu. – Você é o garoto mais bonito do mundo, ok? É o garoto que eu quero.
Gustavo sorriu sem jeito, mas não se deixou levar pelo puxa-saquismo da garota.
- Escuta aqui, eu venho me perguntando há muito tempo isso. Se você gosta tanto de mim como diz, por que quer me ajudar a ficar com outra?
- Porque eu gosto de você o suficiente pra te ver feliz mesmo sendo com outra. – mentiu a garota.
- Acho um tanto improvável. Você não me parece ser do tipo solidária e desapegada.
- E não sou mesmo, mas você despertou esse meu lado bonzinho.
- Hum.
O silencio reinou entre os dois durante o jantar inteiro, sendo interrompido por Thais quando já estavam quase se levantando.
- Ah, só um dica. Alice costuma gostar de garotos que usam alargador. Você poderia fazer um como o do argentino, né? Acho que o dele deve ser uns cinco mm. – jogando a informação.
- Não curto essas paradas, mas vou ver o que eu... posso... – sorriu como se tivesse uma idéia – fazer. Obrigada Thaisinha linda.
“Ele caiu direitinho”, pensou Thais. Não sabia bem o que Gustavo ia fazer, mas sabia que o garoto ia armar alguma pra cima do argentino e ia usar o alargador como prova ou desculpa. Mas ela saberia assim que acontecesse.
- Por nada, gatinho.
Gustavo foi para o seu quarto e ficou um bom tempo pensando em como faria aquilo. corria o risco de fazer mal à Alice, mas ele não ligava muito. Ela seria sua e nunca mais ia querer ouvir falar naquele argentino. E isso sim seria o mais importante.
Ficou sentado durante um bom tempo e treinando algumas falas mentalmente. Finalmente levantou e saiu do quarto.
A B Queiroz
Enviado por A B Queiroz em 29/06/2012
Código do texto: T3750648

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Sobre a autora
A B Queiroz
Manaus - Amazonas - Brasil, 26 anos
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A B Queiroz