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Descobrindo o HIV!!! Preconceito.... Medo dos outros ou de si mesma???

Era para ser um teste para comprovar que ela não estava com o vírus e então partir para mais uma safadeza com o João. Ele um empresário de São Paulo que já havia saído com ela anteriormente uns dois meses antes. Na época apenas o quarto cara com quem ela havia saído nesta fase libertina de sua vida. Quando estava apenas começando a desfrutar os prazeres da carne que uma vida de safadeza poderia lhe proporcionar.
Diga-se de passagem, sem julgamentos e falsas moralidades, que estas experiências eram muito boas, uma fase em que pôde viver plenamente sua sexualidade, em que perdeu seus medos, traumas e vergonhas. Em meio a este mundo de prazeres descobriu pessoas normais como ela, mas que viam o sexo como um grande prazer a ser vivido. Um mundo sem julgamentos, onde a principal regra a ser obedecida era o do orgasmo, o dar e receber prazer. Um mundo onde não havia o bonito e o feio, o gordo ou o magro, onde ninguém pertencia a ninguém, onde ninguém julgava ninguém, onde só valia a regra do prazer, sem compromisso e principalmente  sem cobranças.
Então, estava ela ali, sonhando com mais uma semana toda de safadeza, a um final de ano diferente, regado com sexo sem compromisso. João tinha o desejo de fazer sexo sem preservativo. Da ultima vez que saíram usaram o preservativo sim, mas desta vez ele disse que queria sem. Ela exigiu o teste, exigiu que ambos fizessem o teste e apresentassem quando se encontrassem. Não que ela nunca tivesse transado sem preservativo, havia pouco menos de um mês que tinha feito essa loucura, mas se até agora havia sido protegida por Deus e não pego nenhuma doença, deveria se cuidar e não abusar de sua sorte. Na verdade este zelo e cuidado nunca acontecia 100%.
Seu irmão era seu amigo e confidente e sempre que ela precisava enfrentar o teste ele ia com ela, era tipo um ritual que ambos tinham, faziam o teste, passavam o medo do resultado e depois saiam comemorando estarem limpos.
Ela tinha certeza que o resultado seria negativo, mas mesmo assim ter o irmão junto dava segurança como se nada poderia dar errado.
O irmão fez o teste primeiro, e depois de dez minutos saiu todo contente, falando que estava tudo certo, ligou para a namorada e mandou a notícia.
Pegou na mão dela e disse que daria tudo certo também e que logo a chamariam.
De fato não demorou e eles a chamaram. Ela não gosta de sangue,  aquela picadinha dolorida, a coleta e a espera. Esta espera mata a gente, são os dez minutos mais longos de nossa vida, pensou! O coração fica na mão, sua frio, para então finalmente ver o resultado.
Mas desta vez ela viu no rosto da enfermeira que algo estava errado, o coração acelerou mais ainda e parecia que iria pular pela boca. Ela pensou tomara que seja sífilis, ou hepatite B, ela poderia lidar com o tratamento dessas duas doenças, mas não com o preconceito de ter Hiv. A enfermeira pediu que ela sentasse mais perto para que pudessem falar sobre o resultado. Mostrou os dois exames que deram negativo, mas os olhos dela estavam fixados naquele que deu positivo, nas letrinhas que indicavam o tipo de exame Hiv. Seu mundo desabou, sua respiração ficou difícil, seu coração acelerou mais ainda. Ela quis gritar mas não podia, quis chorar mas não conseguiu. Quis chamar o irmão, mas ele estava lá fora sem sequer saber o que se passava.
A enfermeira tentou consolá-la falando que o segundo risco estava bem fraquinho, que era quase imperceptível. Como assim, isso quer dizer que ela só tinha um pouco de Hiv? Claro que não, o risco estava lá, era fraco mas estava lá, se não houvesse reação ele não iria aparecer. Enquanto a enfermeira via os procedimentos, ela mandou mensagem pro irmão:
- Cara deu merda! Ele respondeu prontamente: - Calma vai dar tudo certo.
Não tinha o que dar certo, ela estava com Hiv, o sentimento que veio então era o de se sentir suja e envergonhada. Começou então a sentir o pior sentimento que alguém pode ter, o próprio preconceito. Mandou mensagem para a melhor amiga e avisou que não iria trabalhar naquela tarde. E então quando saiu daquele consultório, encontrou o irmão, ele a abraçou fortemente, mas ela não conseguiu corresponder ao abraço. Seu irmão tentou transmitir para ela todo o amor e apoio que ela precisava naquele momento. Como se isso fosse possível, ninguém iria tirar dela a dor e a vergonha que estava sentindo. Sua alma esta suja pela vergonha e agora?
Desde que ela tinha descoberto este novo mundo onde poderia ser quem queria, ela havia mudado, estava mais feliz, mais bonita, havia emagrecido, tomava os cuidados estéticos e de beleza, comprou roupas novas. Se sentiu mais desejada, mas sexy e sedutora, descobriu que os homens não ligam para peso, e sim para a segurança das mulheres. Mulheres seguras e confiantes seduzem mais do que as outras.
Agora, ela não pensava em mais nada disso, apenas que havia acabo tudo, havia perdido o sentido em tudo o que ela estava fazendo até agora. Pra que continuar se cuidando? Pra que emagrecer? Em sua mente seu destino estava traçado, ela acabaria o resto de seus dias sozinha. Havia desperdiçado a oportunidade de encontrar alguém e ser feliz no amor. A vergonha era o único sentimento que tinha, vergonha do destino que havia escolhido.
Seu irmão tentou a convencer, falando para ter calma, que ela nunca estaria sozinha, que ela era maravilhosa, que poderia conhecer alguém sim e ser feliz. Que a palavra nunca era muito forte para ser dita naquele momento.
Ela só conseguia pensar: - Eu sou tão legal, sou mesmo e sei disso, inteligente, engraçada, bonita, gorda sim, mas linda tanto externamente como em meu interior. Se com todas essas qualidades estava sozinha há 11 anos, imagina agora com essa doença.
Seu irmão apertou seu braço e pediu para ela parar de pensar assim e focar em seu psicológica, para não se desesperar. Ah esse psicológico sempre foi fraco, enquanto o espiritual era forte o psicológico a desestruturava.
Ela queria morrer, mil pensamentos passaram pela sua cabeça, cogitou não fazer o tratamento, ou quem sabe se matar.... Mas não poderia fazer isso, não por ela, e sim pelo seu filho! Não poderia fazer isso com a pessoa que mais amava em sua vida.
Gordinha Caliente
Enviado por Gordinha Caliente em 25/02/2021
Código do texto: T7192956
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Gordinha Caliente
Rio do Sul - Santa Catarina - Brasil, 44 anos
26 textos (558 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/04/21 19:58)