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Carta ao Imperador: Primeira epístola

Saudações ao Imperador!

     Venho, por meio desta, à Vossa ilustre presença para dizer aquilo que em outro espaço-tempo não consigo. Vossa Majestade não permite, pois muda de assunto.
Não sei se com isso tenta me ensinar a viver ou a sonhar. E não importa. Já não vejo mais diferença entre o sonho e a realidade. Misturei tudo. Sou perita em alquimia tempo-espacial. Vossa Majestade não sabia e por isso, e só por isso,  já tem o meu perdão. Ou seria gratidão? Não sei. Os dois talvez.
      Bem! Deixemos de lado as divagações. Vamos às confissões:
      Esses últimos dias têm sido os mais lindos... felizes...
e ao mesmo tempo os mais filosóficos... Inseguros e ansiosos que eu já vivi nessa minha vida pela metade.
Sempre no meio: meio cheia - meio vazia, meio alegre-meio triste, meio racional - meio louca, meio inteira - meio em partes, meio realidade - meio ilusão... Chega ! Vossa Majestade já entendeu!
     Sei o quanto tem me dado... O tanto que tem se preocupado comigo... Não gosta que lhe agradeça. Então não vou fazê-lo.
Não vou agradecer porque o Grande Imperador é livre e se quer e gosta vem. Se não, não vem. Simples.
      No entanto, se o Imperador me permite, gostaria de registrar aqui nessa missiva que tem certas situações que Vossa Majestade não controla pois estão além dos seus domínios, apesar do seu fenomenal poder de expansão geográfica e sensorial.
     E é aí que mora o perigo!
Não para Vossa pessoa. Conquistador destemido, potente e autoconfiante.  Mas para essa alma incauta dada a fusões amálgamas do real com a fantasia.
      Alma boba eu sei.  Estudou tanto... Ainda estuda até. Mas continua despreparada, leiga.  Uma "otimista sonhadora" eu diria.  Mas ainda assim, boba!
      Querendo ser Imperatriz! Coitada! Já pensou?
      Se o viril Imperador fosse juntar todas as almas bobas, o seu harém teria que ser maior que toda a Macedônia. Alexandria já ficou pequena. Eu estive lá!  lembra?
    Me perdi por um tempo imensurável. Aqui no mundo real diriam que não foram nem 30 dias. Mas foi o tempo suficiente para eu querer ficar para sempre.  Hipinotizada!
      Além de viril, Vossa Majestade é feiticeiro. Já admitiu isso algumas vezes. E eu agora não sei mais quem sou.
Em Maya deito e levanto. Não durmo! Velo o teu sono. Aí parada ao pé da cama. Não se assuste se eu tocar no dedão do seu pé. Ou em outra parte qualquer.  Só quero ungir seu corpo com os meus óleos de essências de rosas cheirosas.
      Lembra? Vossa Majestade disse que sentia o cheiro de longe... Galanteador!
      Mas, se Maya te der um beijo meu Senhor. Não fuja!  Não põe a armadura.  Deixa ela ver o que sente. Ao menos uma vez, antes que o despertador a acorde pra que ela não perca a saída do trem que deixou na estação... Que mal faz? É só amor!
     Sem ele a vida fica tão sem graça!

                Com todo amor: Maya.
Adriribeiro
Enviado por Adriribeiro em 16/09/2020
Reeditado em 16/09/2020
Código do texto: T7064771
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Adriribeiro
Arauá - Sergipe - Brasil
28 textos (376 leituras)
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Adriribeiro