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Hipnose Simbólica

Todos nós podemos ser vítimas do Natal. E sim, nós somos.
Eu me lembro de um episódio em que era véspera de Natal, meu pai estava em algum lugar sórdido pelas ruas da cidade, e com certeza estava bêbado. Eu nunca recebi telefonemas ou presentinhos com laços e fitas. Não namorei o bastante, não fiz nada o bastante. Mas a culpa não é minha, aliás, a culpa quase nunca é nossa. O Natal também não tem culpa, os avós nunca tem. Acho, de verdade, que as únicas pessoas culpadas são nossos pais, nossos vizinhos, nossos colegas de escola. Mas os vizinhos cresceram igual cresceram nossos pais, e os colegas da escola tiveram pais que eram iguais aos nossos pais. E assim, quem sabe, a cultura de se ser péssimas pessoas perpassam a história do ocidente.
Não queria dizer coisas ruins numa data tão, mas tão simbólica quanto essa… e é só por isso que não digo, apenas reflito as questões fundamentais que a Filosofia me obrigou a formular. E falando nisso, acho que cometi um grande erro estudando filosofia invés de Literatura; me aprofundar na poesia, e com certeza deveria ter sido um grande gastronomo, ou, talvez, um especialista em vinhos.

Hoje é dia 23 de dezembro de 2019. Todas as pessoas estão em suas casas, eu acho. Por culpa do Capitalismo voraz e imoral que a humanidade falhou em superar, deve ter pessoas em lojas trabalhando. Ou, como meu pai na época em que eu era criança, devam estar juntando moedas para beberem bebidas horríveis em um bar vagabundo cheio de baratas e ratos numa esquina qualquer. E essas pessoas que juntam moedas não fazem mais que o certo em refletir suas vidas miseráveis em copos de madeira apodrecida. E a culpa, nesse caso, continua sendo do ocidente: esse antro de cultura mercantilista e cretina, subordinando a espécie a seus caprichos mentirosos, e vejam só, simbólicos.

Estive pensando ontem a noite antes de dormir que a única coisa que realmente importa entre um cabaré e uma igreja, talvez seja as batinas dos padres (coisa muito rara entre eles hoje em dia). Enquanto as prostitutas trabalham sem roupa alguma, e assim, expostas ao mais cruel dos serviços, os padres estão enrolados com ornatos pretos até a alma. Desse modo, acredito, são como são as prostitutas. Mas a diferença que me aflige a mente é que, pelo menos, as prostitutas têm necessidades humanas e um sofrimento que só Cristo talvez entendesse. E eles, os padres, têm fita branca na batina preta e curvam-se ao ouro e a hipocrisia da pior espécie: a moral. Mas claro, para desdramatizar, isto só existe entre alguns.

Tenho 21 anos, sou um sujeito bom, mas não comungo mais com o mundo. Portanto estou a menos de alguns dias de explodir o Natal, e no final, reconstruí-lo com um símbolo ainda mais bonito: encontrar alguns amigos.
Eu não queria ofender nenhuma classe do Clero ou do inferno, mas se ofendi, pensem nessa data como pensou Jesus na Cruz e me perdoem.
Feliz Natal, e que não hajam tédio e falsidade em suas Ceias quase folclóricas.
Kaio M Cardoso
Enviado por Kaio M Cardoso em 23/12/2019
Reeditado em 23/12/2019
Código do texto: T6825463
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Kaio M Cardoso
Fortaleza - Ceará - Brasil, 21 anos
45 textos (907 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 29/09/20 15:15)
Kaio M Cardoso