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MINHAS MEMÓRIAS ( 23 ) - AS CORRIDAS DE FORMULA 1 EM INTERLAGOS




Minhas memórias  ( 23 ) - Sem querer querendo... acabei como cronometrista...



Assim quando entrei para a Faculdade de Engenharia Automobilistica, naturalmente as nossas aulas práticas eram testando carros quanto a sua performance em estradas e quanto a economia de tais possantes como o Dodge Dart Charger RT... imagine um carro desses a 240 km/;h em Interlagos???

Como não tinhamos ainda tal acesso a pista, usamos a rodovia entre Suzado e Ribeirão Pires, onde o transito era bem menos e as pistas retas e com condições de se cronometrar a velocidade e o consumo na bureta dentro do veículo verificando quanto o carro faria por km/rodado a tal velocidade ...

Nada como um carro possante para quem tem dinheiro para jogar fora, pois um carro de corrida simplesmente gasta 1 litro de gasolina especial para cada km/percorrido, imagine então o piloto sentado exatamente sobre o tanque e gasolina de 300 litros e o carro só pode ter no máximo algo em torno de 800 kg no total considerando até o peso do piloto...

Nada mal para os pilotos pequenos e magros, mas jamais para um alto e obeso... jamais poderia ser um piloto de formula 1... talvez numa lancha de velocidade vai dar mais estabilidade em alta velocidade, mas em veículo a tração em solo firme... quanto menos peso é bem melhor... dai amigo o que sobrava para mim testar... pois ser neto de japonês com cerca de 56 kg seria quase um joquei sobre um cavalo de corrida e para um carro de corrida sou o piloto adequado devido o meu peso menor!!!

As primeiras duas corridas de Formula 1 no Brasil estava eu inscrito como auxiliar de pista ou tal profissional que carrega aquela bandeira verde que passa quando todos os carros já estão alinhados e liga a luz vermelha para apagar dar início a corrida propriamente dita... pois aquela volta de aquecimento dos pneus para a largada apenas acende a verde para que todos deem a volta inicial... após tal volta vamos a corrida que interessa...

Em cada curva temos uma equipe de dois a três bandeirinhas e ajudantes para caso tenha de desobstruir a pista de carro batido ou mesmo apagar incêndio em algum acidente em que o carro pega fogo e para tirarmos o piloto, necessitamos de mais de dois a três profissionais ali a disposição... e com boa vontade e não ter medo do fogo... naturalmente naquele sol escaldante de Interlagos no fim do ano que é sempre verão tórrido não é fácil ser fiscal de pista com roupas especiais de proteção contra fogo ...

São naturalmente os males do óficio... mas a gente vai sendo promovido e cheguei a ser até fiscal de motores, para verificar se os carros estão de acordo com as regras previstas pelos organizadores das competições, e assim fizemos vários trabalhos durante o tempo que estava na escola e nos fins de semana que houvesse alguma corrida em Interlagos eramos convocados para tal tarefa de executar a parte não tão interessante pois vemos os carros que temos que cronometrar... carro a carro e quem tem mais experiência chegava a cronometrar 3 carros ao mesmo tempo... mas tinha que ter um olho de lince... pois a velocidade que passa o carro no local de cronometragem é em centésimos ou milésimos de segundo que você mal vê o numero do carro que sempre são enormes para serem visto a qualquer distância pelos comissários de box em caso de impedimento do mesmo...

Muitas vezes há punições a serem cumpridas de 10 segundos de castigo no box, imagine você que trocam os quatro pneus do carro em menos de 2 segundos... e a equipe está preparada para tal serviço nos boxes... que um segundo de atraso ali pode tirar o campeão do primeiro lugar ...

Mas foi assim que convivi com pilotos de formula 1 dos bons tempos de 1970 a 1972 quando os pilotos como José Carlos Pace ou Moco, Carlos Reutemann corriam na Formula 1 em Interlagos... e assim as duas primeiras corridas foram cronometradas por nós da Federação Paulista de Automobilismo, já assim que começaram ser feitas pela TAG HEUR ... tudo ficou bem mais moderno sem tais cronometristas mas por computador e leitura de um sistema colocado no carro que o leitor óptico fazia a telemetria completa... que hoje em dia se faz até a temperatura do motor naquele espaço do box onde os técnicos e o engenheiro decidem se troca os pneus que não estão rendendo ... ou mesmo uma parada para verificar porque o motor esta aquecendo que pode ser algo que esteja interferindo na entrada do ar para a combustão correta da mistura ar combustivel esteja irregular por falta de ar... que é super importante nos carros mais antigos... hoje em dia tais motores já bem mais sofisticados usam óleo sintético que quanto mais quente o motor... melhor!!!

Não se iluda que tu és um piloto de formula 1 e fica esnobando seu carro nas avenidas da cidade e acaba com a sua Ferrari ou Lamborghine num poste de luz ou numa árvore porque o carro simplesmente voou devido uma lombada não prevista naquela avenida costumeira que já estavas acostumado a correr tirando rachas pela capital de São Paulo...

Convivi com tais ases do volante da época aurea que corrida  era o braço do piloto e experiência e não apenas o carro super controlado por computadores que informam o piloto o limite máximo para utilização da potência do motor... que um simples robô faria esse tal serviço melhor que o ser humano que pode falhar???

Dei uma volta pela pista de Interlagos no carro Coopersuçar do Emerson Fittipaldi nos testes do motor quando o Ricardo Divila que era nosso colega da Faculdade de Engenharia Industrial e ele era o projetista do carro da Coopersucar!!! Parece realmente que você esta sentado no chão... pois o solo onde o carro esta voando está a menos de 5 cm de você ali com seu bumbum rastejando sobre o asfalto que é permitido o uso de madeira para que haja menos aquecimento durante as batidas do assoalho do veículo na pista de asfalto... mas a noite você vê as faíscas de ferro e solo como se fosse uma solda eletrica ocorrendo debaixo do carro...

Não se iluda que é fácil manter o carro ali na pista sem que acabe rodando... principalmente nos dias de chuva que se o pneu não for adequado para a pista...o carro vai aquaplanar e não terá mais condições de dirigilibidade... e tu vais bater em algo talvez não tão macio como os pneus que te esperam na curva... como foi o acidente assustador do carro do frances Grojean... e partir no meio e pegar fogo e ainda sair vivo apenas com queimaduras nas mãos e nos pés... se lembram disso???

Sei que todos gostariam de lá estar comigo passando por essa experiência maravilhosa de ser participante de perto e ver um bolído desses e você pilotando... mesmo que num dia de testes... pois é algo maravilhoso demais... seria como você ser piloto de um avião a jato mas ali no solo ... a  340 km por hora... dá para levantar vôo facilmente com certeza como fez Barrichello uma vez na Pista onde Senna morreu... se lembram disso... foi no sábado que morreu Ratzenberger... e o Senna no domingo 1º de Maio...

Amigos se um dia tiverem tal oportunidade de sentar mesmo numa feira de automóveis em que o carro está ali totalmente desligado para que ninguém ouse de sair pilotando dentro da feira... mas sinta o prazer de sentar no cock pit de um formula 1 e sonhe ser o Ayrton Senna da Silva... num dia de chuva na pista de Silverstone... que na primeira volta ele ultrapassou seis competidores que apelidaram a pista de Silvastone em homenagem ao Ayrton Senna da Silva... com muito orgulho de ser BRASILEIRO de bandeirinha e tudo mais!!! Saudades dos domingos das vitórias de Senna!!!



Nota do autor:- Há algo que a gente nunca esquece é assistir ao vivo uma corrida ensurdecedora de Formula 1 na pista ou no Paddock mesmo trabalhando em alguma função sem poder asssitir e saber quem esta ganhando a corrida!!!! São esses os ossos do ofício da profissão tão desejada de muita gente mas não sabe o quanto é ingrato ser escravo desse tal prazer!!!! kkkkkkkkkkkkk

Ivan Tadeu dos pobres
Enviado por Ivan Tadeu dos pobres em 11/03/2021
Código do texto: T7203893
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Ivan Tadeu dos pobres
Praia Grande - São Paulo - Brasil, 76 anos
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Ivan Tadeu dos pobres