Saci – 31 de outubro.

Duma perna só, no pito fazendo fumaça.

Fogo na floresta, voa longe, o bem-te-vi.

Protetor das ervas, peraltices, por graça,

Nos rodomoinhos dos ventos vem o saci.

Põe na ordem o local que sobrevive,

Mesmo que não o vendo, em ação,

Na magia do chão direito, ou aclive,

Intercedendo por pensar, na razão.

Do broto do bambu, veio à vida,

Nos sete anos servidos por tenda.

Dos setenta e sete, foi proferida,

Travessuras, afirmadas na lenda.

Nome de um pássaro, pela tribo tupi,

Cresceu serelepe, sem eira nem beira,

Livre, leve, e solto, afiado, sela o saci,

Sofrível, perdeu a perna na capoeira.

Do gorro vermelho, nos pulos, vive assim,

Encontra-se, quando menos espera, você.

Mas, nem tudo que faz é mal para seu fim,

Nada se sabe, ainda, na versão do Pererê.

José Corrêa Martins Filho
Enviado por José Corrêa Martins Filho em 31/10/2021
Reeditado em 10/11/2021
Código do texto: T7375764
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