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Fábrica de pão

Os ventos chorosos invernais,
a loirinha magra na janela,
olhos gateados,sempre espionando os afazeres,
como eles a esquadrinhavam pelos olhares,
os pastéis eram numerosos dentro de cada caixa branca que carregávamos,pelo centro da cidade,até o restaurante Dom Pipone,atualmente já extinto,recebia nossos itens,o colega de trabalho Cícero,deu a dica de sermos fotografados na praça XV,com os guarda-pós brancos,empoeirados de farinha,hilariamente ridículos,ao nosso ponto de vista,na época.
Lá trabalhou também Harold,e o Andy,a falecida Deany,e os demais só não trabalharam por lá,porque nenhum gostaría de começar o expediente às quatro da madrugada,e parar às duas e vinte da tarde.
Nós podíamos comer de tudo o que fazíamos por lá,pastéis,croquetes,coxinhas,risólis,e bolos graúdos de carne,ou batatas.
O Jess trabalhou lá também,o John big,trabalhou nesse local.
Nos tempos em que,se podia dizer que se conquistava emprego,dinheiro,e alguma função.
A Brany jamais passou por esse tipo de batalha,suada,braçal,e no corre-corre de entregas,e clientes a servir no horário correto.
Aquelas bancas de lanche se supriam de nossos itens.
Brany nessa época,deduzo que estava em seu primeiro escritório trabalhado,óculos de intelectual,sorriso artificial,e as táticas de lidar com hipocrisia de salas de atendimento.
Como Brany conseguia ascensão fácil,e rápida em seus empregos,tão fácil,quanto ela conquistava uma vaga importante qual fôsse.
O dia que ela ficou mais feia,acabou-se a carreira,uns kilos a mais,e uns anos mais velha terminaram com o suposto sucesso e preferências por ela nas funções.
Acabando o sarcasmo,o debochado sorriso,e claro,sua empatia.
Já Cariel era bagunceira,a de olhos gateados do inicio da narrativa,ranhenta,birrenta,mas,apesar de ter sido bem alternativa na juventude,mesmo sem ser proposital,passa imagem e práticas de uma exímia psicoterapeuta social.
A fábrica do pão,não está mais lá na Rodoviária,mas está ativa do seu jeito n'outra cidade sub-metrópolis,administrada pela mesma família tradicional,mais organizada,mais bela,e mais límpida,inclusive decorada.
E creio que vai atravessar gerações.
Mario Enrique (O Escritor)
Enviado por Mario Enrique (O Escritor) em 04/12/2019
Código do texto: T6811071
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Mario Enrique (O Escritor)
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 42 anos
140 textos (1678 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/01/20 09:07)
Mario Enrique  (O Escritor)