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DA INVEJA...

O centro do olhar do invejoso é o outro. Em linguagem moderna, falta psicanálise ao invejoso; ele não tem senso crítico sobre si e nem conhecimento das suas limitações. Em linguagem filosófica, o invejoso não cumpre o mandamento socrático de conhecer a si mesmo.

Trata-se da sensorialidade do ódio dirigido ao que evoca as insuficiências do invejoso, tendo em vista remover a fonte de seus sofrimentos. O ódio ao beneficiário do que é desejado substitui o ódio do invejoso contra si próprio. Tal sensorialidade tem por finalidade manter algo a respeito da validade e da bondade do sujeito invejoso.

A inveja nunca é boa, ou usando uma expressão duvidosa, nunca é "branca". A inveja é sempre destrutiva, sempre terrível e sempre "ruim". Não existe inveja boa. O que pode ser menos danoso é um tipo de cobiça muito especial.

A inveja,  é o sinal mais forte de um sistema fechado, onde a autonomia individual é fraca. E todos, vivem balizando-se mutuamente. O controle pela intriga, boato, fofoca, fuxico e mexerico é a prova desse incessante comparar de condutas cujo objetivo não é igualar, mas hierarquizar, distinguir, pôr em gradação. O horror à competição, ao bom senso, à transparência e à mobilidade, é o outro lado dessa cultura onde ter sucesso é uma ilegitimidade, um descalabro e um delito.

O ser humano possui mais de cem sentimentos subjetivos, e a inveja, é um dos sete pecados capitais responsável por desarmonias, ofensas, inimizades e até homicídios, a exemplo de Caim e Abel, Antônio Saliere e Amadeus Mozart, entre tantos registros desde o início do mundo até então, nas relações de falsa amizade, na política, religião, nas artes, no amor, nos Poderes etc.

A inveja, é algo corrosivo, pois quem inveja não consegue perceber o esforço que o interlocutor fez para chegar a tal patamar. Esta assertiva leva a outros desdobramentos, como o fato de que o período pós-moderno pode acabar por influenciar reações de inveja, já que exorta os indivíduos a saírem do âmbito do privado para se projetarem, incessantemente, no ambiente do público, sobretudo através da comunicação por redes. Ainda assim, diriam os existencialistas, há uma vontade-base que depende exclusivamente de quem inveja. Em outras palavras, o invejoso tem condições de, por si só, decidir parar de invejar.

Como a inveja é uma construção neurótica, o desaparecimento do objeto da inveja, não resolve o problema. O invejoso pode trocar de objeto de inveja ou introjetá-lo de tal modo, que a única maneira de matá-lo definitivamente é matar-se a si mesmo, pensando que assim ficará livre do outro, que na verdade é uma invenção dele. É complicadíssima a cabeça do invejoso, pois não suporta a generosidade. Agora, vejam que problema para o generoso. Como entender que fazer o bem faz mal? E mais: o invejoso carrega “ansiedade persecutória”. Vive inventando que o estão perseguindo, tentando segurá-lo, boicotá-lo. Oh céus, oh vida! E uma das especialidades é o cochicho, as meias palavras, à sombra das vítimas.

Observação: Trata-se de um texto meramente ilustrativo.

Para que possamos compreender mais as pessoas.

Abraços e grata.
Luiza De Marillac Michel
Enviado por Luiza De Marillac Michel em 13/04/2019
Reeditado em 13/04/2019
Código do texto: T6622576
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Luiza De Marillac Michel
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Luiza De Marillac Michel