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Imigrantes

Há 100 anos, países como Japão, Itália e Alemanha enviavam imigrantes para outros países do mundo. Curiosamente, hoje vemos o movimento de ondas de pessoas para estes países. É irônico pensar que essa reversão de rumo ocorre um século após as grandes migrações do século passado. É muito tempo pelo ponto de vista de uma pessoa, quase nada na história da humanidade, um piscar de olhos aos olhos do planeta. Fico me perguntando, qual o efeito das grandes migrações  sobre os países?

No Brasil, eles ficaram inicialmente em comunidades deles mesmos, falando sua própria língua. Havia grupos de japoneses que viviam acreditando que a Segunda Guerra não tinha acabado e o Japão estava vencendo. Com os anos, os filhos e netos deles começaram a se misturar com os habitantes locais. Em São Paulo, temos muitos descendentes de imigrantes de uma grande gama de nacionalidades. Eu, por exemplo, sou neto de italiano, e minha esposa é filha de japoneses.

Eu entendo que as pessoas, os habitantes, são o que há de mais importante em um país e a diversidade é uma riqueza. Aos poucos, coisas das culturas dos imigrandes, religiões, comidas e costumes são incorporadas. A forte valorização da família e o entusiasmo e facilidade de comunicação dos italianos, a tenacidade e dedicação aos estudos dos japoneses mudaram a cultura dos paulistanos. Os restaurantes de comidas japonesas e italianas são parte da alma da cidade. Os imigrantes fizeram minha cidade, estado e país diferente e para melhor.

Li que o Japão está criando várias facilidades para a ida de descendentes de japoneses que imigraram para outros países para lá. O país enfrenta uma diminuição da população e precisa de gente para trabalhar em suas indústrias. Os que vão são chamados dekasseguis (os que voltaram - uma inverdade, pois a maioria dos que vieram para cá nunca retornaram a seus países de origem, só seus descendentes vão para lá) e muitos deles ficam lá para sempre. O resultado previsível é que teremos no futuro um Japão mais diverso, com pessoas que trarão não só características físicas diferentes, como principalmente, culturas diferentes do tradicional na terra do sol nascente. Talvez a população volte a crescer, ao menos o suficiente para manter o país próspero.

Também Alemanha e Itália têm populações decrescentes e recebem cada vez mais imigrantes, principalmente de países africanos e islâmicos. São pessoas fisicamente diferentes e de hábitos distintos. As famílias muçulmanas costumam ter muito mais filhos do que alemãos e italianos, e em vários locais suas comunidades crescem muito mais do que os habitantes nativos, representando rapidamente percentuais significativos da população.

A mistura é inevitável, as leis da atração fazem com que algumas pessoas se atraiam por gente diferente, teremos no futuro mais e mais alemães e italianos moreninhos, de religiões e hábitos distintos. Não há nada melhor do que o convívio com gente diferente para reduzir preconceitos, gente diversa cria mais diversidade.

Não será um processo sem traumas, principalmente nos casos em que os imigrantes são refugiados. Eles vão a um país que desconhecem, em geral não falam o idioma, ignoram costumes e leis. Chegam com poucos recursos e muitos problemas, alguns vão para a criminalidade. Para os habitantes locais, os imigrantes trazem pouca contribuição, aumentam a insegurança, usam serviços públicos que não pagam, tornam a vida mais difícil. Todas essas dificuldades e outras ocorreram também há 100 anos e foram superadas.

Acho que o resultado das imigrações no sentido de volta a Alemanha, Itália e Japão serão boas para esses países num prazo mais longo, da mesma forma que os imigrantes que vieram de lá foram fundamentais para o Brasil.

Na realidade atual, os transportes e o conhecimento difundido pela internet fazem as mudanças de países muito mais fáceis do que antes. No mundo subdesenvolvido, cada vez mais gente quer ir viver em países melhores e nestes, um número crescente de aventureiros quer viver uma vida diferente dos seus pais, e são mais abertos a conhecerem e mudarem para outros países. Acho que a mobilidade das pessoas só tende a aumentar e que é algo inevitável que as pessoas busquem melhores lugares para viver.

Não sei como será o mundo no tempo dos meus filhos, tudo indica que o conceito de nacionalidade, de países fechados para pequenos grupos de gente em tudo semelhante não vai durar para sempre, fronteiras serão menos importantes. Se assim for, eu acho que será um mundo bem melhor para se viver. 
Paulo Gussoni
Enviado por Paulo Gussoni em 07/09/2019
Reeditado em 08/09/2019
Código do texto: T6739581
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo Gussoni
Santana de Parnaíba - São Paulo - Brasil
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