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Dizem os mestres cabalístas que o universo é uma forma mental projetada pela mente de Deus. Ele é como um arquiteto que projeta o edifício e depois os seus mestres construtores, os arcanjos, e os seus pedreiros, os homens, o constroem.
Na construção de um edifício, quanto mais sofisticado ele é, mais encontramos noções de ciência aplicada. Nele encontraremos conhecimentos de física, química, geologia, sociologia, matemática, e muitas outras disciplinas, necessárias á perfeita construção e adequação do edifício às necessidades que ele visa atender.
Dessa forma, justifica-se a alegação de que a Árvore da Vida, desenho mágico-filosófico com que os cabalistas representam o universo físico e espiritual, é um compêndio científico onde podemos encontrar o melhor da filosofia, da psicologia, da física, da teologia e de outras ciências. Basta saber procurar.
Deus é pressão, diz um eminente mestre cabalista. Pressão que originou o Big Bang? Por que não? A moderna ciência astrológica diz que no início o universo estava contido numa região tão densamente carregada de energia que um dia explodiu. Essa explosão deu início ao universo físico. Daí em diante, as partículas que saíram dessa explosão se espalharam pelo nada cósmico, combinaram-se, e dessas combinações surgiu o universo conhecido. 
Se tudo isso é verdade provada ou mera especulação, só Deus poderia dizer. Nós só podemos deduzir e acreditar ou não. Mas há algumas coisas que não podem ser ignoradas, porque são prováveis e observáveis no dia a dia da vida. Uma delas é o que diz a teoria da evolução. Segundo essa teoria, todas as espécies vivas são "fabricadas" com um "programa" específico que as submete a um processo evolutivo obrigatório. Aristóteles chamava esse "programa" de enteléquia, os cientistas o chamam de DNA.(1) Esse processo é necessário, tendo em vista as constantes  mudanças ambientais a que o universo está sujeito. A espécie que não consegue adaptar-se à essas mudanças acaba sendo substituída por outras mais competentes.
Essa é uma lei existente na vida das espécies, chamada lei dos revesamentos.[2] Mas ela também é valida para o resto do universo, inclusive para os elementos químicos e a matéria bruta em geral. Pois todos os elementos químicos e físicos também são obtidos  por interação de seus componentes, da mesma forma que as espécies vivas.

    Por isso, a teoria da evolução é mais inteligível na Cabala do que nas outras tradições religiosas. Nela, cada séfira é uma fase de construção do universo e reflete um processo de evolução perene, constante e ordenado. É como um lago que transborda e vaza para outro lago, até o grande mar universal, onde todas as formas de existência, física e orgânica, podem ser encontradas.
    Quando dois elementos se juntam, eles formam um composto. Conservam suas propriedades particulares, mas também constituem um terceiro elemento, com diferentes propriedades. O composto, que é o filho nascido dessa união, possui as propriedades dos elementos que o formaram e as que são desenvolvidas por ele próprio. Nisso é que constitui o segredo da teoria da evolução. Dois átomos de hidrogênio, combinados com um de oxigênio, formam uma molécula de água. A água é um composto, "filho de H²0," que tem H e O na sua composição, mas também tem outras propriedades que seus "pais" não têm. Ela tem a propriedade de incubar a vida. Por isso ela é necessária à vida. 
    Assim também acontece com o restante do universo. Cada fase da evolução é uma combinação de elementos. Cada nova fase desenvolve suas próprias particularidades, que são suas propriedades. Por isso, cada fase é sempre um passo a mais no processo de evolução, porque o composto que nasce da união dos elementos é sempre um resultado mais complexo dos que os elementos que o formam. Nada se perde do que já foi conquistado, apenas se transforma em algo novo. O novo é sempre maior que a soma das suas partes. Novas capacidades são adicionadas ao universo a partir de cada nova interação.
     Assim, não podemos compartilhar dos receios daqueles que temem pelo futuro da humanidade. A humanidade não perecerá: ela se transformará. Os cientistas dizem que a humanidade evoluiu de uma matriz animal até a configuração que temos agora. A religião diz que nós já nascemos assim e temos sofrido quedas e ascensões em nosso processo evolutivo. Isso quer dizer que já fomos piores e melhores do que somos hoje. 
     Não importa saber quem tem razão. Na verdade, o que nos parece tão assustador com os rumos que a humanidade vem tomando é resultado apenas da nossa ignorância. Não temos como saber o que poderá acontecer a cada nova experiência interativa que os elementos do universo promovem. Isso porque Deus colocou nesse processo uma lei chamada principio da incerteza.[3].  Por mais que o nosso medo, ou os nossos melhores desejos, queiram prever o que virá no futuro, essa projeção será sempre uma mera conjectura, seja ela obtida por meios científicos ou intuitivos.

     Estudar a Cabala (e entendê-la) é saber que o universo sempre existirá porque ele sempre existiu, mesmo antes de se manifestar na forma como hoje o conhecemos. Antes de ele se manifestar como realidade positiva ele já existia como Existência Negativa.[4]  Se o universo futuro será bom ou ruim para nós, isso não importa. Primeiro porque não estaremos lá para saber. Pelo menos, não nesta nossa forma atual. Segundo, porque bem e mal são conceitos puramente humanos. Quando não formos mais o que somos hoje, talvez não precisemos mais deles para justificar os nossos sentimentos a resspeito. 
O que podemos dizer com certeza é que o mundo só não teria futuro se não existisse Deus. Mas se ele não existisse como poderíamos justificar a existência do universo e a nossa própria existência?   

 
(1) Enteléquia, segundo Aristóteles, é a tendência inata, existente em todos os seres, que informa as suas conformações finais. É a tendência que faz um ser humano tornar-se um ser humano, um tigre um tigre, um minhoca uma minhoca, etc. É um princípio derivado da própria Mente Universal, que assim desenhou o universo e suas conformações.  
[2] Lei dos revezamentos, em antropologia, é a lei segundo a qual, os organismos que não desenvolvem uma estrutura capaz de sobreviver em ambientes diferentes daqueles nos quais vivem são substituídos por outros, mais competentes. Com isso, a natureza mantém o processo da vida sempre ativo e com sentido evolutivo.
[3] O Principio da Incerteza é a teoria segundo a qual é impossível prever o que acontecerá no futuro porque não temos como saber qual a posição e a velocidade que uma partícula assumirá no momento seguinte da sua aceleração. Como o universo é formado por interação de partículas (quantas de energia), não há como saber como ele se apresentará em cada momento no seu futuro. Só podemos estudar as tendências que ele tem de acontecer de certo modo, mas nunca uma certeza de que será exatamente assim. As tendências de uma partícula se comportar desta ou daquela maneira são dedutíveis a partir dos seus comportamentos no momento em que são observadas, isto é, no presente. Mas a própria observação que fazemos desse movimento já modifica o seu comportamento. 
[4] Existência Negativa é um conceito puramente cabalístico, mas também tem paralelo nas tradições vedantas, a religião dos povos hindús. É um conceito de difícil entendimento, mas numa simplificação podemos dizer que ele significa entender Deus como uma espécie de energia que existia antes de o universo material ser feito. É como a eletricidade. Não podemos detectá-la materialmente, só podemos conhecer os seus efeitos. Na física atômica esse conceito é definido como "o nada negativamente carregado", que é a definição científica da energia atômica.
João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 06/07/2020
Reeditado em 06/07/2020
Código do texto: T6997785
Classificação de conteúdo: seguro


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João Anatalino
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