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Holanda prepara modelo econômico para decrescer após pandemia - texto comentado

Estou, como muitos, meio cansado de discutir só a pandemia. Leio ansioso artigos nos sites e mesmo nas redes insociáveis sobre o que se espera no futuro. Este texto eu achei numa rede social, e chamou muita atenção pelo titulo, um pais QUER DECRESCER. O surpreendente é que pode ser bom.  O endereço está abaixo, não conheço a fonte, mas achei que vale a leitura. Em preto é texto, em azul meus comentários.

Holanda prepara modelo econômico para decrescer após pandemia
País europeu projeta ações para o futuro em busca de uma composição econômica mais solidária e menos predatória

Por Gabriel Valery, da RBA
Publicado 03/05/2020 - 10h45
flickr creative commons/andrés nietto

"Imagino que tal modelo possa nos ajudar a superar os efeitos da atual crise", disse a prefeita de Amsterdã, Marieke van Doorninck

São Paulo – Ainda é cedo para mensurar os impactos da pandemia do novo coronavírus nas dinâmicas econômicas globais. Enquanto especialistas e acadêmicos analisam cenários, novas teorias para uma reorganização do mundo pós-pandemia começam a ganhar relevância. A Holanda lidera um destes projetos mais ambiciosos.

O governo de Amsterdã estuda um manifesto composto por 170 acadêmicos locais. O conteúdo, basicamente, aponta para a estruturação de um novo tipo de economia, baseado no decrescimento em busca de uma composição econômica mais solidária e menos predatória. Tal manifesto fora inspirado por um estudo encubado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, que tem como princípio “prosperar em equilíbrio com o planeta”.

“Imagino que tal modelo possa nos ajudar a superar os efeitos da atual crise”, disse a prefeito de Amsterdã, Marieke van Doorninck, em entrevista para o periódico britânico The Guardian. “Pode parecer estranho estarmos falando de um período após isso (pandemia de covid-19). Mas, como governo, temos que fazer. Isso vai nos ajudar a não regressarmos para mecanismos fáceis”, completou.

A pesquisadora de Oxford, Kate Raworth, especialista em alterações climáticas, é autora do livro Doughnut Economics (2017), que versa sobre o tema. “Quando, de repente, temos que nos preocupar com o clima, saúde, empregos, moradias e cuidado com a comunidade, existe uma necessidade (…) Não é apenas uma ideia alternativa de ver o mundo”, disse, ao apontar crises reais e sem solução fácil como a de moradias. A ideia é que a Holanda seja um laboratório deste novo modelo econômico.

Bases
Existem cinco eixos centrais no desenvolvimento da ideia econômica baseada no decrescimento. São eles, segundo o periódicoEL Clarín de Chile:

1. Passar de uma economia focada no crescimento do PIB, a diferenciar entre setores que podem crescer e requerem investimentos (setores públicos críticos, energias limpas, educação, saúde) e setores que devem decrescer radicalmente (petróleo, gás, mineração, publicidade, etc.).
Achei isso absolutamente inovador e brilhante. Um país não precisa ser uma máquina voltada para o crescimento e criar milionários e bilionários. Tem de ser um lugar bom para sua população viver. É muito sedutor pensar em fugir dos modelos tradicionais.

2. Construir uma estrutura econômica baseada na redistribuição. Que estabelece uma renda básica universal, um sistema universal de serviços públicos, um forte imposto sobre a renda, ao lucro e à riqueza, horários de trabalho reduzidos e trabalhos compartilhados, e que reconhece os trabalhos de cuidado.
Isso é simplesmente o máximo! Todos países sempre terão ricos, classe média e pobres. A maior função de um governo é redistribuir a riqueza, assegurando que todos tenham um mínimo, e a única origem possível de dinheiro para isso é tirar dos mais ricos. Horários de trabalho reduzidos também é essencial, o objetivo de uma pessoa deve ser trabalhar para viver, não viver para trabalhar. Se o Estado defender esta ideia, todos viverão melhor.

3. Transformar a agricultura para uma regenerativa. Baseada na conservação da biodiversidade, sustentável e baseada em produção local e vegetariana, ademais de condições de emprego e salário justas.
Este ponto entusiasma menos. Para um país pequeno, faz sentido. Para o maior produtor mundial de vários tipos de alimentos e para o nosso potencial, melhores condições para trabalhadores são justas, mas desenvolver uma agroindústria de exportação faz mais sentido.

4. Reduzir o consumo e as viagens. Com uma drástica mudança de viagens luxuosas e de consumo desenfreado, a um consumo e viagens básicas, necessárias, sustentáveis e satisfatórios.
Faz todo sentido para uma população que já tem um bom nível de renda. Estamos vários anos luz distantes disto.

5. Cancelamento da dívida. Especialmente de trabalhadores e donos de pequenos negócios, assim como de países do Sul Global (tanto a dívida a países como a instituições financeiras internacionais).
Acho que poucos bancos vão querer ter sede na Holanda se isso vingar... o que talvez seja uma sorte grande para eles.

Fonte:
https://www.redebrasilatual.com.br/mundo/2020/05/holanda-prepara-modelo-economico-para-decrescer-apos-pandemia/

Como eu disse no começo, não conheço a origem, não tenho como avaliar a credibilidade da notícia. Aposto que ninguém sabe se essas ideias vingarão ou não, mesmo num país pequeno e distante do nosso.

Entretanto, ler sobre isso foi uma viagem muito boa para fazer, aliviar a cabeça no mesmo momento em que ultrapassamos 800 mortos num dia e mais de 11.000 desde o início, isto nos subestimados números oficiais.

O mundo vai superar a pandemia. E quem sabe, em algum país, o que surja depois seja muito melhor do que o passado. Pouca esperança para nós, porém, pode ser um significativo alento para nossos filhos e netos.
Paulo Gussoni
Enviado por Paulo Gussoni em 12/05/2020
Reeditado em 14/05/2020
Código do texto: T6945533
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo Gussoni
Santana de Parnaíba - São Paulo - Brasil
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Paulo Gussoni