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NÚMEROS REAIS

Recentemente, li aqui no RL um texto interessante, "Me diga um numero real", indicado como sendo do ator irlandês Stuart Townsend, bem escrito e traduzido para o português, que pedia para que se olhassem o que ele chama de números reais do fechamento dos comércios. Dentre os argumentos citados, desde coisas que fazem sentido como o número de crianças com fome e empresários perdendo tudo, até especulações absurdas de gente que estaria se matando por isso. Como não posso ler algo assim sem sentir vontade de um contraditório e, como o autor que publicou o texto não curte um debate, deixe eu trazer meu contraponto.

Não acho que mereçam muito crédito números de infectados e curados pelo coronavírus no mundo. Cada país tem diferentes níveis e critérios para testagem, eles não nos dizem muito. Porém, os mortos por país, em muitos casos, são críveis e deveriam sensibilizar humanos. Vamos a eles:


Estes números já são defasados, são de segunda-feira, todavia, servem para o raciocínio. Eles mostram que nos EUA já temos mais de 55 mil mortos por coronavírus, mais do que todos americanos que morreram em 15 anos de guerra no Vietnã. Mostram, além deles, números horríveis de democracias desenvolvidas, como Reino Unido, Itália, França e Espanha, todos com mais de 20.000 mortos. Será que alguém duvida destes números? Será que populações de gente educada e rica aceitariam isolamento social se não fosse necessário? Ou que seus governos mentissem para eles? E o que pode ser mais real do que tantos mortos?

“Ah, mas não são números do Brasil, os daqui são inflados pelos governadores”. Minha lógica diz o contrário, que são bem mais do que o divulgado. Entretanto, vou admitir que não confio nos nossos números e que acho que nunca saberemos quantos casos tivemos e nem os mortos, somos fracos em estatísticas públicas. Por mais que eu acredite que países mais ricos com melhores estruturas de saúde devem ter melhores condições de combater uma doença do que nós e que teremos mais mortos que eles, dou o benefício da dúvida aos criticos do isolamento.

Outra questão quanto aos números é que nós, brasileiros, não os entendemos e somos insensíveis a eles. Parecem distantes de nossa realidade. Somos um povo que aceita como normal que mais de 50 mil pessoas morram por ano devido à violência e que mais de 30 mil percam a vida anualmente no trânsito. Logo, cinco, 10, 20 ou 100 mil a mais não vão nos assustar, nem que sejam em apenas 45 ou 90 dias.

O maior problema de números, brasileiros ou outros, no entanto, é que eles não mostram que há um nome e uma família em dor por causa de cada um deles. Nós não enxergamos nos números as desgraças que representam.

Então, como ficamos? Eu sugiro que você leia artigos de várias tendências para formar sua opinião, gente contra e a favor do isolamento. Na hora de decidir o que fazer, use os números que você conhece e sabe que são verdadeiros, os da sua realidade, são menores e mais fáceis de entender. E pondere com seu bom senso, até chegar à solução que o satisfaz.

Por exemplo, eu. Tive UM tio que morreu atropelado numa calçada por um motorista bêbado. Bastou este caso para eu não dirigir após beber e educar meus filhos para que não o façam. Tive UMA amiga que morreu assassinada num assalto, suficiente para que eu evite sair de madrugada e tome cuidado com minha casa e transitando em lugares sabidamente perigosos. Com relação à Covid 19, já houve SEIS casos no meu condomínio, já tive DOIS conhecidos mortos pela doença. É o suficiente para que eu fique em isolamento o máximo que eu puder. Vou brigar ao máximo para só voltar quando for seguro.

Vamos supor que você não pense como eu, sei que não vou convencê-lo com um texto. Quero, no entanto, deixar apenas dois pedidos a você. Se não pode ou não quer ficar isolado, não brigue com quem quer, isso não vai fazer ninguém mudar de atitude. E, se for para as ruas, use máscara. É um desconforto pequeno, não dá nem para chamar de sacrifício, e, na hipótese de haver mesmo uma perigosa doença, as chances de você se contaminar ou deixar alguém doente diminuem bem.
Paulo Gussoni
Enviado por Paulo Gussoni em 02/05/2020
Reeditado em 03/05/2020
Código do texto: T6935357
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo Gussoni
Santana de Parnaíba - São Paulo - Brasil
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Paulo Gussoni