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Minha humilde opinião a respeito da verdadeira Poesia

            "Cartas de amor são escritas não para dar notícias, não para
                contar nada, mas para que mãos separadas se toquem ao
                       tocarem a mesma folha de papel"
                                                          (Rubem Alves)


    Contam-se estórias para que as crianças durmam...
 Ao qu'elas se afogam no torpor do sono... ah! bem antes do final
  E assim, sem nenhum esforço, eis que se adentram em seus sonhos
    Quando então viverão as sagas das estórias que ouvem
 E serão as personagens principais...
  Não, não serão coadjuvantes, oh, não!
    Quanta magia nest'hora!

  E não seria, do mesmo modo, com a Poesia?
Como, igualmente, com a mística Música
   A fazer dançar e bailar a alma...
 Ainda qu'ela nem entenda o que se canta
    Menos ainda a saber sua cifra ou partitura
  Todavia, ela dança...

   Por conseguinte, faz-se saber:
 Tod'arte está além dos racionais conceitos
  Pelo que, para que dela se saboreie, não se precisa, de form'alguma
     [defini-la... traduzi-la por "palavras"
  Menos ainda, prendê-la por regras ou normas
    A arte é anárquica em su'alma
Ao que ela quer mesmo... é ser sentida

                           
                           **********************


                                         "Cagar! Uma sensação profunda!
                                     Da bosta a cair e a bater na água...
                                        Oh! E da água... a bater... na bunda

                       Mijar agora e a tod'hora: Emoções eternas!
                             Do mijo que bate na água
                         E da água que bate... nas pernas”
                                                     (Desconheço a autoria)

   E então, de zero a dez qual a nota você daria para esta tão linda "poesia"?
   Sejamos sinceros:
   Nota zero, não é? Levando-se em conta que "não é se trata verdadeiramente de poesia".
   E aí, alguém poderia me perguntar:
   E por que não? Afinal tem rima e um pouco de cadência e métrica!
   Rima e métrica!
   Será que somente isto é que basta e define a Poesia?

   Bem, façamos um pequeno estudo:
   Certa vez, o grande Rubem Alves disse para uma plateia:
   "Poesia é mais que simplesmente rima e métrica"
   Decerto que sim, Poesia é muito mais que somente isto. A verdadeira Poesia, certamente, até dispensa o uso das vocábulos articulados. Ao qu'eu diria, seria como o que Cristo nos convidou a fazer:
   "Olhai as aves dos céus... Considerai como crescem os lírios do campo..." (Mateus 6:26 e 28).

   Olhar... admirar...e contemplar a vida
 Degustar do qu’ela tem de mais belo
     E, deste modo, que ninguém duvide:
  "Ouviremos”, sim, a mais bela Poesia
 D'aquela a ser também uma linda expressão de louvor

   Ao que agora alguém me indagaria:
   Mas, por que razão "existem" as palavras?
   No qu'eu então, com uma pergunta, lhe responderia?
   O que se entende por "Poesia"? Não seria uma "expressão de louvor"?
   E nest'hora, alguns poderiam até dizer:
   "Na minha igreja cantam-se lindos e saborosos louvores"
   Onde, neste momento eu lhe retrucaria (sem querer provocar):
   O que entendes ao que reza aquele salmo:
   "Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor"?
   Ou seja, os maiores louvores transcendem o uso das palavras. Pelo que, o que se fazem nos templos trata-se mais de "cantorias articuladas". Ao que pode-se até "mexer" com o fator "emoção", mas não vão além disso.
   Os Salmos! Alguém sabe "salmodiar"? Os salmos, utilizando um pleonasmo vicioso, devem ser "salmodiados", e não "vestidos" com alguma melodia sonora e audível. Sendo, necessário, "ouvidos" pela alma, a que deve estar, pelo menos naquel'hora, em dinâmico silêncio. O resto é apenas som. E no caso de muitas igrejas turbulentas, tais louvores são, na maioria das vezes, somente "barulho".

   Mas, retornemos à Poesia.
   A verdadeira Poesia, como a Música, transcende o espaço físico dos vocábulos, não estando limitada a tão somente versos rimados e metrificados.
   Queiram, por favor, me acompanhar:
   Os Lusíadas, do grande Luís de Camões, o poema épico mais perfeito por excelência composto no mundo, superando em muito qualquer outro neste magnífico estilo, como  a Eneida, A Odisseia, A Ilíada, A Divina Comédia...
   No que ele é sob uma visão de estudo literário:
   Composto de dez cantos, 1.102 estrofes, 8.816 versos, sendo oitavas decassílabas, ao esquema rímico fixo AB AB AB CC. D'uma perfeição ao qu'eu diria... "divina".
   Mas, agora é que entra a chave de meu estudo:
   Assim, como todas demais obras, é lógico que ele passou pela condição de ser "traduzido" para variadas línguas. Onde, então eu pergunto:
   E nas traduções, será que elas obedeceram ao esquema realizado na língua portuguesa, da maneira como Camões o compôs?
   A resposta é óbvia:
   É claro que não, ao que seria impossível para que seguissem a mesma sequencia de rimas e sílabas metrificadas. Vejamos bem, traduzir para um outro idioma um poema sem que ele sofra alterações em seus vocábulos rimados e, principalmente, obedecendo a sua métrica é praticamente impossível. A não ser que não venha se importar em alterar sua mensagem, porém, neste caso, seria como se fizesse, quem sabe, outro poema. Embora, no caso de uma "prosa poética", pode-se, sim, alterar os vocábulos sem que se altere a mensagem. Mas, aí é outra questão!
 
   Contudo, a pergunta fatal é esta:
   Visto que na tradução para outro idioma, no que não fora possível haver rimas entre os versos e menos ainda a estarem metrificados na forma como eram, os Lusíadas deixaram de ser o maior poema épico do mundo?
   Bem, prefiro nem responder!

   Bom, mas retornemos ao que nos interessa, a respeito da Poesia:
   Uma grande parte dos escritores se preocupa mais em fazer versos rimados e cadenciados do que em levar, de fato, uma devida mensagem. No caso de uma melodia, é certo dizer, sim, que deve seguir este sistema, até mesmo a fim de se obter uma melhor "sonoridade"  quando então "se casam" as sílabas tônicas, porém, que jamais menosprezem a ideia e a mensagem que desejam transmitir. Podem ter certeza: Quando vem d'uma viva alma, as palavras vibram na alma de quem as recebem.
   Sendo assim, não preocupem com isto. E levem suas mensagens...

   E, querem exemplos de lindas Poesias sem que estas estejam presas a regras gramaticais? Pois bem, leiam as Bem-Aventuranças do Sermão da Montanha, ou então, degustem da Primeira Carta aos Coríntios em seu famoso Capítulo Treze. E se ainda não se contentaram, que tal os Salmos?

   Bem, é somente a minha opinião. E respeito e, até mesmo defendo,  aos que preferem seguir os tradicionais moldes gramaticais. É como dizia a grande Evelyn Beatrice Hall: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las".



                   
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                           16 de Setembro de 2020









Paulo da Cruz (a verdade humana do mundo)
Enviado por Paulo da Cruz (a verdade humana do mundo) em 16/09/2020
Reeditado em 16/09/2020
Código do texto: T7064615
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Paulo da Cruz (a verdade humana do mundo)
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Paulo da Cruz (a verdade humana do mundo)