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A TRÍPLICE URGÊNCIA

A Poética é, antes de tudo, o fruto estético que parece emergir de tríplice urgência: a que exsurge da filosofia e seus meandros; o que avulta no indivíduo fruto do andejar da humana criatura na trajetória rumo a sua finitude e, por fim, os conflitos de sua agônica psique condenada ao pensar, resultando na possível identificação dos efeitos e/ou antagonismos e afeições entre o Ego e o Outro e a resolução destes conflitos de modo a que o agente possa antever a colimação da felicidade como um bem individualizado, pessoal. Todo o resto é malabarismo ou traquinagens da palavra através da qual o indigitado emissor anseia por soluções. Porém, estas não cabem no poema como carapaça, que não é morada, mas pode ser proteção para a inquietação e a angústia. Cabe louvação antecipada, meu querido poeta-autor, pelos teus exercícios nos territórios dominiais da contemporaneidade poética. Somos muito poucos a fazer esse exercício com compromisso. Sempre seremos poucos. Corajosos e resistentes arautos quanto ao passar do tempo, suas mazelas incidindo sobre nós mesmos. O que fica na memória do poeta-leitor é o que conseguimos registrar para a posteridade através da lavratura da peça poética e sua publicização e/ou divulgação. O olho crítico do futuro dirá o que virá a permanecer como signo capaz de alguma superveniência. Por ora, o que temos de fazer é criar e prover de perceptível patamar estético, se possível acompanhado de alguma travestida verdade nos escaninhos da memória dos que ombreiam o dia a dia como obreiros da palavra, arautos do Novo, que está sempre assentado no conluio de linguagem motivado pela farsa, a fantasia, a inventiva e os sonhos. Essa é a destinação maior dos condenados ao pensar: salgar os olhos devido à impotência de ações corretivas (que não cabem ao artista por serem verazes a partir do plano fático e não no da criação literária) e a maturidade de princípios para lograr conviver com as injustiças sociais que levam à negação do valor Liberdade. Todavia, o amor ainda é bálsamo crístico, mesmo que ele nem sempre seja visível. A ação é o ato que marca o fértil sulco para água e semeadura. E esta ressuma em urgências de sóis e chuvas.

– Do livro inédito OFICINA DO VERSO: O Exercício do Sentir Poético, vol. 02; 2015/19.
https://www.recantodasletras.com.br/artigos-de-literatura/6719595
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 13/08/2019
Reeditado em 13/08/2019
Código do texto: T6719595
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 73 anos
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Joaquim Moncks