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O coronavírus e o impacto na educação pública

Lamentavelmente, o Brasil e o mundo vivem uma situação atípica na educação decorrente do Convid-19. As aulas tiveram de ser suspensas emergencialmente e a rotina escolar foi mudada.
Para muitos pais essa situação não é fácil. Além das demandas do dia a dia, existem outras... Por exemplo, dar continuidade ao estudo das crianças em casa.
Na rede pública estadual paulista, o governador João Doria criou o Centro de Mídias da Educação de São Paulo (CMSP). Que começou a funcionar desde 27de abril. Há princípio a ideia é válida.
No entanto, é fundamental pontuar algumas questões que chamam nossa atenção. Os professores da rede pública não foram capacitados e nem treinados, adequadamente, para darem continuidade ao seu trabalho, em casa, no formato EaD.
Em relação ao aluno, a situação é muito pior. Porque muitos pais estão desempregados. E a preocupação com a sobrevivência é o ponto mais importante. Sem rodeio, a grande maioria dessas crianças não têm acesso à internet e outras fontes de pesquisa, bem como uma informação de qualidade.
Resultado: o ano letivo está, realmente, comprometido. Tem mais. As aulas on-line não cumprem, satisfatoriamente, o seu papel. Dessa forma, fica claro que o fosso educacional aumenta exponencialmente, quando comparamos às escolas particulares, de primeira linha.
De outra forma, nossa elite, cultural e financeira, está mais interessada em acumular riquezas. Não se preocupa e nem valoriza a educação como política pública. A verdade incontestável: a desigualdade social impacta profundamente o ensino e a educação básica.
 
ACESSO ON-LINE NÃO GARANTE APRENDIZADO EFETIVO
Assistir aulas por meio de um app não é garantia de aprendizado. É preciso muito mais. Por isso, proponho outro caminho. O fim das aulas on-line. Por quê?
Porque elas não estão dando o resultado que se espera. A maioria dos alunos não tem como acessar o app e assistir as aulas. Portanto, essa situação é um verdadeiro quebra-galho para a resolução de um problema muito maior.
A verdade: o ensino EaD na educação é um investimento muito caro aos cofres públicos e quem paga é o contribuinte. E o pior: esse investimento caríssimo não atende, satisfatoriamente, as necessidades de alunos e professores.
E tem mais ainda. Nem sempre as aulas previstas são dadas. É aí que se vê um show de improviso. Dessa forma, os alunos ficam perdidos e o ensino comprometido. Para os professores a situação não é adversa. Ante essa situação, a Apeoesp, que é o sindicato dos profissionais de educação, acionou o Ministério Público para acabar com as aulas EaD na rede estadual.
E não é só. Especialistas e pesquisadores das principais universidades públicas do estado – entre elas: USP, Unicamp e UFSCAR - questionam o novo formato de ensino que está sendo utilizado.
É preciso esclarecer que os gestores públicos – nos três níveis – precisam olhar com mais atenção para os mais pobres. São muitas dificuldades no momento: Além da perda de familiares e o desemprego involuntário, é fato que muitas famílias não têm como garantir o seu sustento nesse momento. Em português claro, essas famílias necessitam de ajuda financeira e solidariedade.
Por fim, o Brasil vive um momento bem difícil. Os gestores públicos precisam cumprir com suas obrigações. Foram eleitos para isso. Mais ainda, não é momento para se pensar em reeleição. É hora de valorizar mais a educação e seus profissionais financeiramente, assim como o pessoal da saúde e assistir os mais pobres. Esse é o foco real.
Em conclusão, penso como Adriana Ramos, que é coordenadora no Instituto Vera Cruz: "Por mais que as crianças tenham acesso à internet, recursos materiais etc, existe uma questão que é o contexto social no qual essas crianças estão inseridas. Não adianta só dar acesso. É louvável os esforços que a rede [de educação] tem feito, de aprendizado, mas a gente não pode desconsiderar as desigualdades, e temos de compreender que ter recursos on-line e impresso não é o suficiente''.
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PS: na realidade, há ainda quem defenda e aprove a iniciativa do governo de São Paulo.
Analisedeconjuntura
Enviado por Analisedeconjuntura em 13/05/2020
Reeditado em 28/05/2020
Código do texto: T6945857
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Analisedeconjuntura
São Paulo - São Paulo - Brasil
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