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DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM DE CRIANÇA COM TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE

DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM DE CRIANÇA COM TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE

                                                                                     
                                                         ¹MATILDE G. C. OLIVEIRA
¹Graduada: Educação Física
Graduada: Pedagogia
Pós Graduação: Psicopedagogia,
Educação Infantil e Séries Iniciais.


RESUMO
Dificuldade de aprendizagem de criança com transtorno de déficit de atenção com hiperatividade. Vários pesquisadores buscam entendimento sobre o aspecto do desenvolvimento cognitivo humano e tentam desmistificar e esclarecer o processo de construção do conhecimento da criança. Este trabalho desperta o interesse pelos alunos hiperativos, pois apresentam comportamentos que não beneficiam a sua atuação no âmbito escolar, o desenvolvimento da aprendizagem depende principalmente da maneira como o professor atua diante da situação. O TDAH é um comportamento padrão persistente de desatenção e ou hiperatividade/impulsividade, que frequentemente resulta em prejuízos emocionais, sociais e, sobretudo, funcionais. Crianças com TDAH normalmente causam sérios transtornos de ordem pedagógica para o educador, colegas e até para elas próprias. Geralmente a escola tem dificuldades em lidar com comportamentos contrários aqueles que se espera de uma criança. De certo modo, a escola, pais e professores estão acostumados com crianças dóceis, que aprendem com facilidade e que não apresentem problemas de comportamento.
Palavras Chave: Educação, Hiperatividade, Educador.


ABSTRACT
Scientific paper on the theme: Child with learning difficulty with attention deficit hyperactivity disorder. Several researchers seek understanding of the aspect of human cognitive development and try to demystify and clarify the child's knowledge of the construction process. This work awakens interest in the hyperactive students, since they have behaviors that do not benefit their performance in schools, the development of learning depends mainly on the way the teacher acts on the situation. ADHD is a persistent pattern of inattention and behavior or hyperactivity / impulsivity, which often results in damage emotional, social and particularly functional. Children with ADHD usually cause serious trouble pedagogical order for the educator, colleagues and even for themselves. Generally the school has difficulties in dealing with behavior contrary those who are expecting a child. In a way, the school, parents and teachers are accustomed to docile children who learn easily and who have no behavioral problems.
Keywords: Education, Hyperactivity, Educator .

INTRODUÇÃO
As primeiras pesquisas aos transtornos hipercinéticos na literatura médica surgem na metade do século XIX. Porém, somente no início do século XX começou-se a descrever o quadro clínico de uma maneira mais sistemática. Na década de 1940, comentava-se em lesão cerebral mínima. A partir de 1962, passou-se a empregar o termo disfunção cerebral mínima, reconhecendo-se que as alterações características da patologia relacionam-se mais a disfunções em vias nervosas do que propriamente a lesões nas mesmas. Na década de 80, com o surgimento da terceira edição do DSM-III, evidenciou-se o termo distúrbio de déficit de atenção, que podia ou não ser acompanhado de hiperatividade. Mas, como continuou o debate, em 1987, com a organização do DSM-IV, voltou-se a dar maior ênfase à hiperatividade, modificando o nome da patologia para distúrbio de hiperatividade com déficit de atenção. Em 1994, o pêndulo voltou-se para o centro e a patologia passou a ser denominado distúrbio de déficit de atenção e hiperatividade. Na nomenclatura brasileira mais recente, é empregado o termo transtorno em vez de distúrbio, ou seja, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade relata Petry.
A etiologia não é especifica. Compreende as causas pré-natais (como as decorrentes do álcool na gestação, prematuridade), perinatais (anoxia ou hemorragia intracraniana etc) e pósnatais (seqüelas de doenças no início da infância, como encefalites, meningites, traumatismo crânio-encefálico etc). Fatores ambientais relacionados ao baixo nível sócio-econômico podem intervir na etiologia também. Aspectos genéticos são caracteristicos, principalmente entre os meninos. Biederman e colaboradores verificaram que 20% dos pais e 21% dos irmãos de crianças com TDAH também eram acometidos por esta afecção.
Não existem características físicas específicas na TDAH. A sintomatologia tem início antes dos 07 anos de idade. Os padrões desse quadro são: desatenção, impulsividade e hiperatividade. Além desses, podem ser adicionadas as dificuldades na conduta e/ ou problemas de aprendizado integrados a discretos desvios de funcionamento do sistema nervoso central. O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade tem seu aparecimento nos primeiros dias de vida. Um recém-nascido já afetado pode ser exageradamente sensível aos estímulos e responder a eles de forma indiferenciada. É comum que a criança seja ativa no berço, durma pouco e chore muito, quando já passados os meses iniciais. O bebê comumente sai sem auxilio do berço, muito cedo, apesar das tentativas dos pais para evitarem sua saída. Uma vez fora do berço, tem a agir, apalpando, quebrando ou destruindo objetos. Os pais relatam de não ser ele capaz de manter-se quieto ou de sentar-se tranquilo numa cadeira.
A hiperatividade ou transtorno do déficit de atenção é considerado como um distúrbio neurológico para os especialistas acontece especialmente na infância e pode persistir durante toda a vida do individuo. A busca pelo entendimento do desenvolvimento humano, essencialmente no que tange o aspecto cognitivo tem sido objeto de pesquisa vários estúdios da área.
A falta de informação sobre a hiperatividade nas escolas agrava a falta de preparo dos professores, para que possam trabalhar adequadamente com os alunos que apresentam essa dificuldade de aprendizagem. Segundo Sam Goldstein (psicólogo infantil) os sintomas de desatenção e impulsividade e os sintomas de desatenção e hiperatividade são muitos, mas isso não significa concluir que uma criança hiperativa ira apresentar todos esses sintomas. De acordo com o autor os sintomas mais comuns de desatenção e impulsividade são: não prestar atenção a detalhes ou cometer erros por descuido; evitar atividades que exijam um esforço mental continuado; distrair facilmente por qualquer fato, entre outros. Hiperatividade/impulsividade: a criança fica inquieta com as mãos e ate mesmo com os pés quando esta sentada; fala constantemente; impaciente; pula, corre excessivamente, ou seja, a criança apresenta comportamento diferenciado das demais.
A criança hiperativa dificilmente consegue controlar seus impulsos, até mesmo quando esta dormindo apresenta sono agitado. Os pais quando tem conhecimento e condições financeiras buscam ajuda de especialistas como médicos e psicólogos para saber lidar com a situação existente. Por outro lado tem família que desconhece a doença e dificilmente vão conseguir lidar com tal comportamento e resultando em maus tratos.

TRANSTORNO DO DEFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE
A hiperatividade não é tão simples de ser diagnosticada. É necessária a avaliação de um especialista da saúde, psicólogo ou neurologista para diagnosticar a doença. Deparamos com a desinformação e o despreparo dos profissionais da área da educação acerca das dificuldades de aprendizagem. Percebe-se nas instituições que o maior desafio do professor é trabalhar com alunos que apresentam algum tipo de diferença no processo de aprendizagem.
A hiperatividade ou transtorno de déficit de atenção é um distúrbio do neurodesenvolvimento, que ocorre especialmente no período da infância, muito embora possa também persistir na puberdade, adolescência e fase adulta da vida. (ROHDE,2000)
O processo de ensinar e aprender deveriam ser diferentes tendo em vista, que vivemos em uma sociedade em que cada individuo tem sua própria historia, uma linguagem, modo de agir pensar e sentir, é construída pelas diversas relações estabelecidas com o meio em que vive resultando em um ser único. Um exemplo disso é o que vem acontecendo com as crianças com o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, segundo Silva (2009), passam por vários desconfortos pessoais e sociais devido às dificuldades na área de atenção, do controle de seus impulsos. Em vários casos essas crianças são rotuladas de “rebeldes”, ”mal-educadas”, ”aéreos” pelos seus colegas e professores.
 Segundo Silva (2009) a única modo de modificar esta situação cada vez mais presente nas instituições escolares é a informação sobre o que venha ser o TDAH, conscientizar a todos que convive com as crianças que apresentam esse problema a possibilidade de reconhecer os sintomas de comportamento das mesmas.
Em sala de aula destaca-se a desatenção e impulsividade: distração, dificuldade para concentrar-se em tarefas ou jogos; perder coisas importantes; dificuldades em obedecer a regras, instruções e não termina o que começa; desatenção ao que lhe é dito;
entre outros. Destaca-se também Hiperatividade/Impulsividade: criança muito agitada para jogar ou divertir-se; fala muito; dificuldade em esperar a vez; pula, corre excessivamente
em situações inadequadas – sensação interna de inquietude; interfere em conversas ou jogos dos outros.
POSSIVEIS CAUSAS DO TRANSTORNO DO DEFICIT DE ATENÇÃO/ HIPERATIVIDADE- TDAH
Pesquisadores citam possíveis fatores que podem influenciar o surgimento da hiperatividade, Goldstein destaca alguns como:
*Hereditariedade: Estudos revelam que pais hiperativos têm probabilidade em ter filhos hiperativos.
*Problemas durante a gravidez ou no parto: Os problemas emocionais e econômicos vividos pela gestante, as complicações vivenciadas pela mãe, como sofrimento fetal, também são possíveis causas. Estudos destacam que mães com TDAH podem apresentar menos cuidados pré-natais resultando em complicações durante a gravidez e parto.
*Exposição a chumbo: A criança entre o 1º e o 3º ano de vida exposta ao metal toxico funciona como um irritante no cérebro favorecendo a doença.
*Substâncias ingeridas na gravidez: Nicotina e álcool ingeridos durante a gravidez podem causar alterações em algumas partes do cérebro.
Segundo a ABDA (Associação Brasileira do Déficit de Atenção) o TDAH é um transtorno multifatorial, com total interação entre fatores genéticos, ambientais e neuroquímicos, originando o conjunto Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Em estudos genéticos chamamos esse conjunto de características de “fenótipo”.  Para a ABDA- Associação Brasileira do Déficit de Atenção o fator genético tem grande influência no aparecimento do TDAH. Pesquisas de famílias, de gêmeos e adotados despontaram que a probabilidade de fatores genéticos gerarem sintomas de TDAH é quase tão elevada quanto a probabilidade de filhos de pais altos também serem altos. Quando se chama os pais de uma criança portadora de TDAH à escola, é bem possível que um dos pais (ou os dois), digam que eram parecidos com ele na infância. Atualmente não se sabe quais genes seriam responsáveis pela vulnerabilidade para o TDAH, apesar dos mais estudados até o momento serem os genes dos sistemas da dopamina e da noradrenalina, neurotransmissores responsáveis pela transmissão das informações entre os neurônios. Os fatores ambientais que mais têm sido agregados a um risco adicionado para a criança
desenvolver TDAH são o excesso materno de nicotina e de álcool durante a gestação. Várias áreas cerebrais estão envolvidas no TDAH, principalmente o córtex pré-frontal, que funciona como um “freio” inibitório. Para prestar atenção a um estímulo precisamos constantemente filtrar, ou inibir os demais estímulos a nossa volta. Portanto, um comprometimento dessa região torna a pessoa mais desatenta, hiperativa e impulsiva.

A DIDÁTICA DO PROFESSOR COM CRIANÇA COM TDAH.
Constatado que existe uma criança com TDAH na sala é importante que materiais não sejam transferidos de lugar com determinada frequência isso facilita a localização de alguns objetos. A aproximação do professor reflete diretamente na qualidade do aprendizado. Normalmente a criança com TDAH tem capacidade ou condições para aprender, ela necessita de um modo diferenciado para aprender. Deste modo a escola deve estar empenhada para saber lidar com a situação.
O fato é que o ingrediente, sem duvida, mais importante no sucesso de seu filho na escola é o professor (...) particularmente a experiência do professor sobre o TDAH e a boa vontade para desempenhar esforços extras para atender ao aluno. (BARKLEY,2002, p.236)
O professor ao adotar uma postura compreensiva e humana com o aluno, desenvolvendo atividades atraentes favorecendo o interesse pelos conteúdos e em virtude diminuirá a sua agitação, impulsividade e o seu desinteresse pelas atividades escolares. O transtorno do déficit de atenção ou hiperatividade é um problema comum nos dias atuais, apesar de alguns professores não estarem preparados para lidar com o fato existente nas escolas. O TDAH precisa realmente ser compreendido caso contrário os sintomas tendem a se agravar impedindo o desenvolvimento do aluno e também prejudicando emocionalmente e social. Proporcionar situações lúdicas em sala de aula é fundamental, a criança dificilmente recusa a brincar é uma maneira de aprender brincando despertando o interesse pela atividade proposta. O fato de o professor utilizar o jogo e as brincadeiras como atividades pedagógicas é um recurso que contribuirá para melhorar o desempenho do aluno.
É interessante utilizar os jogos para estimular o interesse e o desenvolvimento dos alunos com TDAH principalmente aqueles que estão não na fase da alfabetização necessitando desenvolver a coordenação motora e aspecto cognitivo. O professor precisa distinguir a falta de capacidade, da falta de vontade do aluno em aprender, desconhecendo o TDAH passa a punir o aluno e agravando ainda mais a aprendizagem.
[....]é necessário o treinamento intensivo do professor por uma escola ou profissional especialista em psicologia clinica sobre esses programas comportamentais. Mesmo assim, visitas incentivadas desse profissional as escolas após o treinamento podem ser necessárias para manter o professor habituado com o uso dos procedimentos. (BARKLEY,2002, P.241)
A criança com TDAH não se sinta inferiorizada diante dos colegas. É necessário que ela seja tratada de modo igual as demais. O tratamento igualitário beneficia a melhor adaptação e o ajudara no seu desempenho. É essencial que o educador utilize técnica de aprendizagem ativa como trabalhos em duplas, respostas orais, possibilidade de o aluno gravar as aulas e/ou trazer seus trabalhos gravados em CD ou computador para a escola. Não é aconselhável que crianças com TDAH sentem junto a portas, janelas e nas últimas fileiras da sala de aula, mas que sentem nas primeiras fileiras, de preferência ao lado do professor caso surgir elementos que possam distrai-lo.  Usar sinais visuais e orais: o professor pode combinar com o aluno sinais cujo significado só o aluno e o professor compreendem.  Utilizar mecanismos para compensar as dificuldades memoriais: tabelas com datas sobre prazo de entrega dos trabalhos solicitados, usar post-it para fazer lembretes e anotações para que o aluno não esqueça o conteúdo. Rotular, iluminar, sublinhar e colorir as partes mais importantes de uma tarefa, texto ou prova.

Considerações finais
Portanto, ensinar é uma tarefa que impõe grandes desafios diários para o educador,  ensinar uma criança com TDAH é muito mais desafiador, pois ela única. Não podemos recusar o direito de um ensino adequado a sua necessidade. Os professores têm importante papel e real responsabilidade na melhora do processo de aprendizado. Portanto, mesmo que quisessem, não poderiam ser excluídos do tratamento do TDAH. Lidar com os sintomas de TDAH e suas consequências não é um problema apenas dos portadores e familiares. Os professores têm uma condição privilegiada de observação do comportamento das crianças sob os seus cuidados, pois as observam em uma grande abundância de situações. Pelo fato de professores terem experiência com varias faixa etárias ou grande numero de  crianças e passam determinado tempo com as crianças, às vezes até mais que os pais (principalmente na pré-escola e nas séries iniciais do ensino fundamental), têm a possibilidade de perceber o problema antes deles, ao menos que existe algo errado com a criança. A possibilidade de identificar precocemente os sintomas e encaminhar a criança o mais breve possível para a avaliação médica transforma não apenas os professores, mas toda a equipe técnica da escola em instrumento fundamental no processo diagnóstico e de tratamento do TDAH.  A criança portadora apresenta características positiva tais como bom nível intelectual, criatividade aguçada, grande sensibilidade e forte senso de intuição. A desatenção pode melhorar a partir do momento que o professor desenvolve atividades interessantes. Com o avanço do conhecimento atualmente existe tratamento gratuito e eficaz para o portador de TDAH, ou seja, quando diagnosticado precocemente e com tratamento adequado é possível ter uma vida feliz.

REFERENCIAS
ABDA: Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Algumas estratégias Pedagógicas para alunos com TDAH. Disponível em: http://www.tdah.org.br/br/dicas-sobre-tdah/dicas-para-educadores/item/399-algumas-estrat%C3%A9gias-pedag%C3%B3gicas-para-alunos-com-tdah.html. Acessado 06/10/2015 as 15:22.
BARKLEY,Russell A: Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH):guia e autorizado para os pais, professores e profissionais da saúde. Trad. Luiz Sergio Roizman – porto alegre:artimed,2002.
Goldstein, Sam e Goldstein Michael. Hiperatividade: Como desenvolver a capacidade de atenção da criança. São Paulo, Papirus,1994.
PETRY; Arlete dos Santos: Hiperatividade características e procedimentos básicos para amenizar as dificuldades. Disponível em: http://www.educacao.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espaco-jornada-pedagogica/dificuldades-escolares/hiperatividade.pdf. Acessado 28/10/2015 as 14:53.
ROHDE,Luiz e BENCZIK,  Edyleine. Transtorno do Déficit de Atenção / hiperatividade. O que é? Como ajudar? Editora Artes Médicas, 1999.
SILVA; Ana Beatriz Barbosa. Mentes Inquietas TDAH: Desatenção, Hiperatividade e impulsividade. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2009.

Matilde Gomes Calixtro Oliveira
Enviado por Matilde Gomes Calixtro Oliveira em 12/12/2019
Código do texto: T6817583
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Matilde Gomes Calixtro Oliveira
Tangará da Serra - Mato Grosso - Brasil
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