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O TREM QUE NÃO TINHA RODAS

O TREM QUE NÃO TINHA RODAS
Desde a mais tenra idade escolar, ouço dizer que uma das mais antigas e controvertidas estradas de ferro brasileira foi a M M, Madeira Mamoré. Personagens como Barão de Mauá, Percival Farquhar e D. Pedro II  e outros fazem parte dessa epopéia. Nesse contexto a extinta São Paulo Railway (Santos Jundiaí), Sorocabana EFS, Mogiâna, Araraquarense entram no panteão de nossas ferrovias.
Nem sempre a história é agraciada pela verdade, bem como a cronologia confere em seus detalhes. Mas vamos aos fatos sem maiores devaneios.
Não sou conhecedor profundo do nosso imenso torrão brasileiro, poucas oportunidades tive em sair do Estado de São Paulo, ao menos esse tenho razoável conhecimento, ao exterior menores ainda foram minhas andanças, mas observei um fato curioso, as localidades servidas por ferrovias, sobremaneira as que tinham estações dentro de seus limites geográficos, se desenvolveram mais rápido e com maior intensidade. Certamente a ferrovia principalmente por falta de estradas de rodagem no início do século, foi a mola propulsora do progresso e desenvolvimento das localidades.
Há de se perguntar então por qual motivo particularidades adversas contribuíram para o inevitável fracasso, ou melhor dizendo colapso das nossas ferrovias, sendo o Brasil um país com todos os desígnios para que esse meio de transporte de desenvolvesse e se ampliasse. É importante salientar que nunca fui ferroviário, posto isso,  não tenho em minha bagagem cultural conhecimentos pormenorizados do setor, apenas e tão somente aprendizado lastreado na observação.
O segredo da ferrovia apresentar um rendimento superior aos demais meios de transporte principalmente os que repousam sobre pneus, é que o atrito do pneu com o asfalto é muito elevado, a maior parte da energia consumida é gasta apenas para vencer o esforço de inércia,  ao passo que o atrito da roda de ferro com o trilho é muito menor, possibilitando deslocar um peso gigantesco com o mínimo de esforço. Como exemplo podemos notar que os portões da maioria das garagens as rodas são de ferro, caso contrário seria necessário um motor muito maior para mover o portão. A construção, manutenção da via permanente e do material rodante e rendimento de uma ferrovia apresenta vantagens infinitamente melhores. O custo operacional requer menor mão de obra. Com todas essa vantagens, onde reside nosso fracasso? Para tal resposta precisamos recorrer ao passado, revisando nossa história.
Nossas ferrovias foram financiadas e construídas com capital e tecnologia vindas de fora, por estrangeiros, os quais não visavam a opção de interligar as localidades, mas tão e somente tinham o objetivo de interligar o centro produtor ao porto. Os produtos produzidos em terras tupiniquins (agrícolas) sempre tiveram como meta suprir os países industrializados com material e mão de obra barata destinada à exportação. Dessa forma a riqueza produzida nunca ficava aqui e, posteriormente somos forçados a importar o mesmo material que exportamos por preços irrisórios, com preços majorados devido ao valor agregado em virtude da manufatura e tecnologia incorporadas. Isso posto chegamos a conclusão de que a riqueza produzida, não tinha como foco atingir a necessidade do povo brasileiro, como a riqueza não ficava aqui, não havia conseqüentemente dinheiro necessário para pesquisa e investimento. Quem investia no Brasil pouco se importava com os destinos do povo da nação ou mesmo da região, tinha o viés voltado apenas para o lucro.
Esse procedimento contribuiu para que nosso imenso Brasil seja recheado de localidades parcialmente deserta, enquanto outros países mais desenvolvidos possuem poucas grandes cidades, mas a população é igualitariamente distribuída por todo seu território, em pequenos condados espalhados em todo continente, em muitos casos boa parcela quase que alto suficiente. Resumindo não temos estradas de ferro interligando as principais localidades, quando isso ocorre sempre foi de maneira precária, não estando a altura de atender as necessidades mais vitais de maneira satisfatória.
O TREM QUE NÃO TINHA RODAS, parece um título desproporcional, porém equivale a um trem que tenha rodas mas não tem trilhos, peça essencial para o desenvolvimento do transporte ferroviário. Outro detalhe que deve entrar em evidência é que por sermos um país subdesenvolvido, com um governo fraco, população semi analfabeta em virtude da péssima qualidade do ensino, não dispomos de condições financeiras e técnicas para sairmos desse círculo vicioso. Sendo o Brasil o país mais rico em ferro elemento primordial para a fabricação de trilhos, por falta de investimento e tecnologia, estamos importando trilho chinês de baixa qualidade, ou trilhos sucateados dos países mais desenvolvidos.
Exportamos, minério de ferro, laranja, café, soja, e uma infinidade de produtos agrícolas. Mas o lucro fica com o comprador.  Precisamos pagar pelas sementes, adubos, defensores agrícolas, máquinas para plantar, colher, e transportar. O preço a ser pago pelos nossos produtos, são estipulados por eles e não nós. Em cada grão de soja, café e outros produtos que exportamos está agarrado em cada grão uma partícula do nosso solo. Como exemplo podemos citar a Alemanha que obtém lucro vantajoso ao exportar para toda a Europa nosso café, apesar de não produzir um único grão.



nestorfelini
Enviado por nestorfelini em 22/04/2019
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Sobre o autor
nestorfelini
Santo André - São Paulo - Brasil, 69 anos
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