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Filosofia Helenística: Pirro e o Ceticismo

O ceticismo de Pirro surge em um período histórico marcado por uma profunda mudança social, se inserindo entre o declínio da tradição grega, e o surgimento de concepções do homem que desconstruíam noções defendidas por filósofos clássicos, como Platão e Aristóteles. Segundo Reale, devido às explorações de Alexandre, significou entre outros fatores, “a ruína da Cidade-Estado, a destruição da liberdade entendida à maneira grega, a ruptura da identificação de homem e cidadão, [...] a descoberta e exaltação do indivíduo, etc.”

 Nesse sentido, o homem do período helênico se distancia de um contato mais direto com a polis, como defendiam os filósofos anteriormente, e passa então a ver-se entre diversas escolhas filosóficas que surgiram como possibilidades nesse novo contexto. Dentre elas o ceticismo de Pirro vem não como uma escola estruturada com fins educativos sistemáticos, mas sim como uma disposição de vida, Pirro em linhas gerais defendia que seu ceticismo era um modo de vida, mantendo a tradição Socrática da desconfiança com a escrita, no entanto, indo além de Sócrates, por considerar que o exemplo em suas ações era o cerne de sua filosofia.

Devido a essa característica errante de Pirro, segundo Hadot, ele fora conhecido como “Sócrates extravagante”, pois dentre os pontos principais de seu modo de vida filosófico, defendia a total indiferença ao mundo, tendo atitudes como viajar entre cidades sem comunicar a sua irmã, ou não demonstrar afetos em nenhuma hipótese. Nas linhas gerais do ceticismo de Pirro, são destacados três pontos principais, são eles, a afasia, a ataraxia e a apatia.

No entanto, para compreender esses três aspectos, é necessário antes assinalar que Pirro propõe uma ruptura com a ontologia e a metafísica trazidas pela tradição Platônica e Aristotélicas, questionando a teoria das Ideias de Platão, abandonando uma noção de verdade original, e a teoria das formas de Aristóteles. Nesse sentido, Pirro defende que o fenômeno se sobrepõe a tudo, ou seja, o mundo das aparências é o único meio pelo qual podemos apreender as coisas, e como as aparências não podem ser compreendidas em sua totalidade, surge a impossibilidade do logos de chegar a verdades filosóficas.

Partindo desse pressuposto, Pirro irá pontuar que a afasia, ou seja, a capacidade do homem de não emitir opiniões acerca do mundo, é um meio pelo qual ele pode viver um vida tranquila, levando a ataraxia, ou seja, a não perturbação, a indiferença ao mundo, que por sua vez leva a apatia, que é a capacidade de não se deixar afetar pelos acontecimentos, alcançando assim uma vida sem tormentos.

Por fim, pode-se pontuar que apesar de Pirro não ter produzido nada escrito, seu pensamento influenciou outras escolas filosóficas posteriormente, e principalmente graças a seu discípulo Tímon, seu pensamento foi difundido.

HADOT, Pierre. O que é Filosofia antiga?. Tradução de Dion David Macedo. 6 ed. São Paulo: Editora Loyola, 2014.
REALE,Giovanni. História da filosofia pagã antiga. v.1/ Giovanne Reale, Dario Antiseri. Tradução Ivo Storniolo.3 ed. São Paulo: Editora Paulus, 2007.


Thales Coelho
Graduando em Filosofia
Thales Coelho
Enviado por Thales Coelho em 19/07/2019
Código do texto: T6699791
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Sobre o autor
Thales Coelho
São Luís - Maranhão - Brasil
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