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O fluxo

Era frio. Era um dia frio. E branco, muito branco aquele dia - aquela manhã. Branca feito alma de criança, feito a consciência, feito a morte. A vida. Aquilo era vida. Aquela manhã. Via um cigarro acesso entre os dedos, pensando - utopia - e como será o amanhã, o depois de amanhã e o depois e o final(?). Queria a vida calma pra sempre, mansa como a fumaça do cigarro entre as gotas de água rala que estão no ar, fluindo, sangue nas veias, pássaros assoviando. Como era dia aquele dia, como não fora dia outros dias. Como complicou-se tudo na mente tão de repente? O passado e o futuro sumiram. O sol derreteu. O céu. Tudo que não se sabe, tudo tudo tudo que eu não se entende. Os vidros das salas de escritórios. As mãos tão sujas de um mendigo. A dança. O desenho. Tudo indo pra algum lugar. E nada, nunca, chega em lugar nenhum. E não me venha com respostas, por favor. Se quisesse leria a bíblia. Se quisesse leria Darwin. Mas leio Kant, Rousseau, Nietzsche. Leio a dúvida, tenho ela tatuada na testa.
Henrique Foesten
Enviado por Henrique Foesten em 19/06/2017
Código do texto: T6031460
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Henrique Foesten
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil
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Henrique Foesten