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Advogado também é Juiz, sabia? Eu explico

"O advogado é o primeiro juiz da causa e deve, conforme os ditames da ética, boa-fé e colaboração processual, limitar pedidos e defesas aos verdadeiros fatos da causa."
Esta consideração formulada acima, não é de minha autoria, mas do magistrado Cesar Zucatti Pritsch, da 3ª vara do Trabalho de Canoas/RS, ao condenar um trabalhador ao pagamento de R$ 4 mil por má-fé - Processo 0020433-06.2016.5.04.0203

No meu observatório humano, eu já costumo afirmar aos clientes que antes mesmo de uma demanda minha chegar ao judiciário, quem tem o condão de julgar a causa sou eu!
Pode até soar como 'exibição' de minha parte, mas não é.
Eu e Deus sabemos!
Isto basta!

Lógico, que muitos deles se surpreendem, pois se vieram buscar um parceiro para adentrarem ao judiciário com estórias inverídicas e desconexas, mascarando a verdade, de plano, dão de cara com uma advogada meio sisuda, que não mede esforços para promover,  eficazmente, a justiça.

Já tive casos hilários, se não fossem trágicos, tais como:

- Uma pessoa queria que eu entrasse com uma ação em face do INSS, buscando aposentadoria por estar com sérios problemas na coluna.
Ao entrevistá-lo, como possuo uma memória privilegiada, lembrei que já o vi jogando futebol num campo society em tempos pretéritos e também recentemente. Ele é centroavante do time.

Não deu outra, delicadamente pedi que o mesmo se retirasse de meu gabinete, pois havia me formado em Direito para fazer Justiça e não para ser uma mentirosa diplomada.

Noutra situação, um cliente afirmou que trabalhou 3 anos sem receber absolutamente nada de salário.
Pedi que ele repetisse a estorinha.
Ele, já meio gago, repetiu.
Pedi para ele tornar a repetir mais uma vez e cruzei os braços olhando-o fixamente nos olhos.

Não hesitei e disparei: - Me conte a verdade;o senhor tem esposa e filhos, paga aluguel, faz feira, compra medicamentos, sua esposa não trabalha, sua família e amigos não ajudam, seus filhos são menores e também não trabalham, não recebe bolsa família, não recebe nenhum outro tipo de benefício ou aposentadoria... O senhor é pedinte, ladrão, traficante, garoto de programa ou o quê, finalmente? Como sobreviveu durante 36 meses?

Enrubescido, o 'cliente' disse:- Bem, doutora, na VERDADE, o patrão me pagava, mas era bem pouquinho...

Levantei, abri a porta do meu gabinete e pedi para que o mesmo saísse de minha frente.

E quando penso que sou uma 'premiada' nas propostas inverídicas, contadas por mentirosos dissimulados, percebo que não estou só nesta peleja, mas que colegas passam por situações similares no seu cotidiano.

Disse o juiz gaúcho:

"O Poder Judiciário vive grave crise, em decorrência da insuperável carga de trabalho e insuficiência de recursos humano, em grande medida em razão dos exageros e inverdades das quais frequentemente as partes se valem, em busca de vantagens infundadas (se a parte autora), ou de induzir o juízo a erro para indeferir pleitos legítimos (se a parte ré). Não se pode tolerar tais manobras, sob pena de colocar em risco a própria continuidade da atividade jurisdicional."

Assim, cada vez fico mais antenada acerca das condutas humanas, sigo julgando em primeira linha e assim cumpro cabal e fielmente minha vocação e chamada profissional.

Fátima Burégio
Enviado por Fátima Burégio em 17/02/2017
Reeditado em 17/02/2017
Código do texto: T5915504
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Fátima Burégio
Recife - Pernambuco - Brasil
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Fátima Burégio