Soneto

Em mim há um anjo bobo que assovia

E despista, um anjo louco e cabeludo

Que finge de tolo e sabe de tudo,

Um anjo que nem Rilke criaria.

Ele zomba da minha melancolia,

Do meu questionamento cabeçudo

De quem na vida muito leu, contudo

Tem a alma ignorante e vazia.

E em noites solitárias, quando aflora

Em meu ser a grande angústia do nada,

Esse anjo que em meu umbigo mora,

De forma bem sutil, dissimulada,

Enxuga uma lágrima disfarçada

E confessa que às vezes também chora.

Vagner Rossi
Enviado por Vagner Rossi em 27/03/2017
Código do texto: T5953250
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