Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

DO ÂMAGO AO ÂMAGO: DAS LOUCURAS POÉTICAS

Li, num sobressalto, o e-book do meu amigo virtual Antônio LaCarne. Daqueles escritos que dilacera qualquer um que se atravesse arriscar-se em um labirinto cuja saída, na torcida para não seja encontrada, é uma aventura gângster às avessas: versos dolorosos que transmitem prazer, numa espécie de masoquismo literário.

Conhecemo-nos por acaso, através de redes sociais. De imediato, a identificação: o gosto pela poesia cotidiana. Nossas vozes nunca foram ouvidas, mas os versos substituíram-nas num encaixe perfeito. Simbolismos que nós, meros mortais, não ousamos descobrir. Lê-lo é de um deleite sem igual, cada palavra soa como o retrato fiel das urgências que lutamos para cessar. Antônio, através de seus textos, transmite-nos uma sensação polissêmica de que a vida vai além dos achismos e dos acontecimentos que o destino lidera. São versos-prosaicos que nos soca, acalenta e corrói, numa metáfora cujos meandros se encontram no peito de quem se sentir tocado por palavras que duelam com o subconsciente adormecido, em formação e que se transforma, repentinamente, em ringue, tatame, luta diária com o nosso mais íntimo.

Refiro-me ao livro ''todos os poemas são loucos'', lançado pelo Gueto Editorial, um selo digital que propicia a expansão de textos virtuais, em uma feliz propagação da Literatura por todos os meios – sangue poético nas veias de quem mergulha profundo em versos e afins. Foi assim que me senti ao ler o livro do meu amigo Antônio LaCarne: mergulhado no mais profundo dos sentimentos e anseios e sensações e descobertas do ser humano. Textos que já figuram no meu íntimo, no meu imaginário, no meu consciente de pessoa que admira a beleza das palavras de quem as esculpe com maestria e poeticidade.

Uma poética bem ao estilo Ana Cristina Cesar, que num salto se despediu de nós, os versos-prosaicos de LaCarne são o oitavo andar do mistério, da revelação, dos medos que nos angustiam e perseguem. É procurar a volta do labirinto e decidir olhar de novo aqueles corredores vazios e sedentos que nos prendem e tentam, em vão, nos aprisionar nos interstícios da alma. Do salto de Ana C., somos direcionados aos sentimentalismos de um Caio Fernando Abreu: visível, risível, atormentador. De Caio F., o autor de ''todos os poemas são loucos'' bebe do mais profundo, do âmago que escorre do peito e mistura-se ao sangue. Este, impossível de escorrer pelas feridas invisíveis, sucumbem pelos olhos, por meio de águas de mar, cujo sal é o alimento que nos põe em êxtase com o reflexo que os versos-prosaicos nos evidencia. Se foram ou são referências para o autor, não sei. Isso pouco importa: o que vale neste livro é o poder da palavra, do choque que ela nos impulsa e, como uma acupuntura, traz a dor e o alívio necessário para prosseguirmos – intactos? – a leitura dos textos que compõem este que, prematuramente, já se tornou a grata surpresa do novo ano.

Foi um sobressalto, rápido, desbaratado, uma G.H. que, no lugar da barata, deglutiu vocábulos que remexeram os alicerces de quem julgava tudo puro concreto. Alívio à alma e vitalidade para os dias que seguem. Ler ''todos os poemas são loucos'' é um chá aliviante que esconde, como toda bebida, os seus mistérios e precauções: tem que ser apreciado na dose certa, mas sem contraindicações: em menor ou maior proporcionalidade, os versos-prosaicos de Antônio LaCarne podem trazer o amargo, o doce, o sumo embriagante das ervas literárias que, num roldão, te embriaga, te persegue, te alimenta, te traz a cura. Refeição completa. Sentem-se à mesa e desfrutem, com ou sem boas-maneiras, o que o LaCarne traz de melhor: o âmago da vida.

[Caso queiram degustar ''todos os poemas são loucos'', ele pode ser baixado através deste link: https://revistagueto.com/2017/01/08/todos-os-poemas-sao-loucos/]
Nunes Rodrigo
Enviado por Nunes Rodrigo em 08/01/2017
Reeditado em 08/01/2017
Código do texto: T5875708
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2017. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Nunes Rodrigo
Campina Grande - Paraíba - Brasil, 25 anos
46 textos (1508 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/05/17 19:27)
Nunes Rodrigo