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MEU MELHOR AMIGO

Enquanto eu tragava do cálice amargo e ao mesmo tempo saboroso, criado pelo homem, e, por estar sempre rodeado por grandes amigos, eu imaginava que era muito feliz e sorria achando que tudo aquilo fosse muito bom e grandemente prazeroso em minha vida.
Todos gargalhavam á minha frente delirando-se com minha má sorte, enquanto eu ali no meio deles, ingenuamente imaginava que tudo aquilo para mim era uma grande diversão e passa tempo.  Todos á minha volta, desfrutavam de meus bens como se deles fossem tudo o que sempre me pertencera. Quanto a mim, nunca me importava com nada e sempre os deixavam a vontade para usufruir de tudo o que me pertencia, pois para mim, todos eram meus grandes amigos do peito e muitos deles já haviam me dito em outras inúmeras oportunidades, que me defenderiam com unhas e dentes se preciso fosse e estariam dispostos a darem suas próprias vidas por mim. Quando, alguns anos mais tarde, findaram todos os meus bens e eu fiquei absolutamente sem mais nenhum centavo se quer, no bolso, não encontrei mais ninguém para me acompanhar. Até mesmo a mulher a quem eu sempre amei com grande paixão, com grande ternura e a que um dia jurou seu grande amor por mim, aos pés da cruz, também me trocara por aquele ao qual eu sempre lhe confidenciava todos os meus segredos, meus planos e meus sonhos. Fiquei só. Nada mais me pertencia, nada mais eu podia fazer e a ninguém eu tinha para socorrer-me pelo menos com uma palavra amiga de um pouco de esperanças em meus momentos de desespero e minhas infinitas
aflições e dor. Só um cálice transbordando de fel e crueldade, foi o que me restou. Nada mais senão o cálice amargo da ingratidão ao qual eu sempre o recorria em meus momentos de fraquezas a mendigar a uma e a outra pessoa que eu via passando por mim. Assim vivi por alguns anos abandonado, caído pelas ruas e vivendo ao relento, sem ter para onde ir, sem ter ninguém á minha espera. Eu tinha todo o conforto, tudo que um ser humano possa imaginar, e hoje não tenho nada, senão esse corpo doentio e mal tratado que vaguei pelas ruas. Mas, ainda assim, consegui ter um olhar piedoso de alguém que ainda se lembra de minha existência e a única pessoa capaz de me ajudar a sair desse terrível túnel infinito e sem luz, ao qual eu me encontrava. Olhei para mim e tive compaixão por estar matando um ser tão importante em minha vida. Aquele que era o único amigo fiel que eu sempre tive. Aquele que mesmo nos momentos difíceis, ainda continuava á meu lado, ou seja, eu mesmo. E assim decididamente ergui minha cabeça e em plena luz do dia, em meio á multidão que sempre me viam caído, qual um traste humano, eu gritei bem forte e bem alto: - Não. Eu não posso mais viver nesta vida mundana, onde todos passam por mim, como se eu fosse um lixo. E assim decididamente, busque forças para erguer-me daquele chão, tão duro e infinitamente frio, e reconstruir uma vida nova, distante de tudo que sempre me condenaria á morte. Devolvi o cálice ao vendeiro, agradeci por tudo e ao sair, ainda pude ouvir alguns risinhos e comentários chulos, que ainda faziam da minha pessoa. Mas saí de cabeça erguida, com determinação, com força de vontade de vencer, com muita garra e um grande desejo de construir novos sonhos.
Hoje, ninguém mais, acredita que aquele inútil, que por ali mendigava sempre uma moeda, para mais uma dose e vivia pelo chão caído, sempre fora eu. Hoje, vivo sozinho, porem, muito bem acompanhado pelo meu melhor amigo:
EU!

 Nova Serrana (MG), 08 de fevereiro de 2010.





Tadeu Lobo
Enviado por Tadeu Lobo em 15/03/2017
Código do texto: T5942065
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Sobre o autor
Tadeu Lobo
Nova Serrana - Minas Gerais - Brasil
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