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Chegando a Belo Horizonte.

Tinha 25 anos que não voltava em Conselheiro Pena, e lá fomos nós para uma visita a poucos parentes que ainda insistiam em ficar na cidade, mesmo sem perspectivas de melhoria.
Foi quando encontrei um primo que morava lá pelas bandas do Palha Branca aonde fazia apartar as vacas no curral e cuidar de pés de café.
Ele imaginando que a vida era melhor cá pelas bandas de Belo Horizonte, foi tomando uma decisão ligeira: - Acho que vô lá pá Berozonte com 6....aqui num tá dano pra mode vivê...
Pra não fazer desfeita, disse: - Vamos embora no sábado a noite de trem...Foi caindo a tarde, a prosa foi encurtando e nós despedimos pra chegar na casa de outro parente onde ia "posar" como dizem...
Era sábado de manhã, meu tio chegou na casa da minha Vó, dizendo: O Juca tá mei lôco.... Chegou lá no Veloso e pediu acerto dos dia trabaiado pra i simbora pra "Belorzonte"... - Pensei cá comigo: Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.... Nós tamo no fiofó do Zé Esteves............
Só no movimento, a tarde foi caindo e quando lá pelas 5, quando já preparava pra ir pra estação ferroviária, chega meu primo com uma catarina pesada que nem chumbo, um saco cheio de tralhas e um embornal cheio de matutagem pra comer na estrada....(pensei: O cabra tá ficando é louco mesmo!)....
Peguei minha bolsa e a mala da minha mãe, ele juntou seus cacarecos e fomos apertados na charrete do Idé, que já parecia chumbado....
Na fila, comprei passagem as 3 passagens na classe de segunda. Cadeira de pau onde valia de tudo (igual lutas da UFC)...O Trem encostou as 6 horas e 20 minutos, entramos e nos acomodamos no vagão, quando escutei o sino da estação bater autorizando a partida, e logo a buzina, com uma arrancada meia atravessada do maquinista....
A noite foi escurecendo mais, e o som era sempre o mesmo: To-la-to-cá-To-la-to-cá......café com pão, manteiga não! - Enquanto isso meu primo ia numa prosa só....Em tudo levava vantagem, e de vez em quando tossia pra cassete, mas não parava de fumar um cigarro de palha com fumo de rolo que fedia demais da conta.... (Nesse tempo podia fumar até cocô de cachorro dentro do trem que não falavam nada...) Lá pela meia noite, muitos já dormiam e ele ali só balançando queixo.... resolveu mexer no alforge e pegar uma vasilha com farofa.... e tome água e mastiga farofa, e vai... em vai...bateu um soluço no camarada e era só hunnnn....hunnnnn... e foi até virar a estação de João Monlevade, que ele dizia ser Mão levada.... enfim vencido pelo cansaço dormiu e só acordou quando já aproximava de Sabará Bussú....7 e meia da manhã o trem parou em Belo Horizonte, foi um alívio..... saindo da estação ele vê a estátua pelada segurando um mastro e soltou sua primeira pérola...."O povo aqui num tem vergonha de ficar olhando pra esse cara pelado e com as coisa de fora, não?
André Almeida
Enviado por André Almeida em 04/01/2017
Reeditado em 02/04/2017
Código do texto: T5871860
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
André Almeida
Conselheiro Pena - Minas Gerais - Brasil, 58 anos
55 textos (3858 leituras)
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André Almeida