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onírico

 Quando em meu leito eu estiver  ocupado com a atividade dos  sonhos,
farei como os poetas oníricos: mandarei minha mulher dizer a quem me procurar que estou ocupado em busca do inverossímil
porque como dizia o poeta, o maravilhoso é sempre belo, qualquer maravilhoso é belo, e mesmo só o maravilhoso é belo,
o sopro do maravilhoso anima o poeta
Esta noite sonhei que estava vestido de pós-moderno
com roupa por baixo de moderno
um camisa rasgada por cima de um terno 
 ameaçado por  metáforas  aterradoras que queriam me aprisionar
e  eclipsavam o gozo do sonho
levantava-me  com as estrelas
e com um pequeno número de gestos
a velocidade de meus pensamentos eram infinitamente superiores
a velocidade das palavras que tentavam descrever o sonho
elas  se desfaziam em piedade
entrei em  estado passivo
queimava  folhas de louro
para alimentar o delgado fogo que queimava em minha volta;
acordei absorto peguei papel e  caneta tinteiro
e tentei descrever  o sonho com o primeiro e último jato de tinta,
de facto, sonho porque o meu interesse pela vida não se aguenta
embora meus sonhos às vezes sejam  de uma simplicidade revoltante
como eu me consultando com um hierofante
em outros, sonho com o obscuro véu negro de todos  os lutos
ou com caranguejos  de óculos Ray-ban aviador, 
ou com endívias
ou palavras pegando fogo,
ou  com sonhos indecifráveis que  se desfazem em outros sonhos.  

 
Absalon
Enviado por Absalon em 12/01/2017
Reeditado em 15/01/2017
Código do texto: T5879425
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Absalon
Pilão Arcado - Bahia - Brasil
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