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EU SANGRO E NÃO É DE HOJE... (um poema perdido na garrafa do tempo)

eu sangro e não é de hoje
já foram tantos socos
mas nenhum me acertou o queixo
ou me pôs na lona

sinto-me vazio
e esse rio é meu exílio
eu não sou daqui
e você não está mais em mim
a falta transborda
e o teu beijo
não cura nem envenena

tuas pegadas na areia
são miragens alucinatórias
e agora eu digo não

meu cavalo selvagem
arrebentou a rédea
e deu coice às cegas
- cavalo ferido fere muito mais -

minha memória masturba a saudade
que cospe um cheiro morno
de amor mal passado
e o desejo ejaculado gera fantasias
que inventam carnavais
sem época ou lamento

meu bloco vai passar desfalcado
sambo com o pé esfolado
invento alegrias momentâneas
e recebo o aplauso pela sobrevivência

eu sangro e não é de hoje...
Raul Franco
Enviado por Raul Franco em 21/10/2017
Código do texto: T6148797
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Raul Franco
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 43 anos
111 textos (1346 leituras)
3 áudios (178 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/11/17 15:20)
Raul Franco