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A LÁGRIMA SENTIDA DO MACACO

" Você grita, mas parece que ninguém te escuta!" (Pink Floyd)

1. Lutamos por justiça lá na rua
2. Enquanto no lado sombrio da lua
3. Espreguiçam-se abjetos argumentos
4. Os astutos fazem seções extraordinárias
5. Para alterar estatutos e diárias
6. E vivem a desprezar o reajuste
7. De nossos defasados vencimentos
8. Tratam-nos que nem formigas
9. Apelidando-nos de ‘forças amigas’
10. Enquanto homiziam-se nos parlamentos
11. E no calar de noites escuras
12. Tricotam teias e assinaturas
13. Em seus gráceis documentos
14. E de lambuja, fingem-se de frades cegos
15. Frente à proibição dum direito universal
16. O da decepção, da revolta e da greve
17. E o de externar nossos calos e pregos
18. Àqueles símios obesos que nos devem
19. Novas leis e alguns esclarecimentos
20. Dia e noite vemos na televisão
21. Que a corrupção infecta
22. Desde a mais humilde seção
23. Até o majestoso ministério
24. E concluímos que estes comerciantes
25. ‘Jamais serão’ fiéis representantes
26. Dos cidadãos honestos e humildes
27. Que ainda sonham um dia habitar
28. Um Brasil justo, correto e sério

29. Esperamos engessados e afoitos
30. Uma digna equiparação salarial
31. Enquanto nos atiram biscoitos
32. Jazemos vítimas do contrato social
33. Ouvindo os ecos em nosso bornal
34. E sentindo falta de sal - na cartucheira
35. Sobra-nos coragem e determinação
36. Mesmo sem um patacão na carteira
37. Já não sabemos se é pela cara de fome
38. Ou pela fama de ‘lá vem os home’
39. Que nos dizem em tom de zoeira:
40. - Vejam, ali rasteja mais um ‘caveira’!
41. Gostaríamos que não fosse preciso
42. Clarear a visão do político sem juízo
43. Transformando a rampa em ladeira
44. Direitos desumanos e estampidos
45. Gatos e ratos, policiais e bandidos
46. Vivendo num calamitoso empate
47. De um ilegítimo e funesto combate
48. Políticos interesseiros e ardilosos
49. De um código ineficiente e corrupto
50. Débeis radiouvintes e telespectadores
51. De uma guerra travada numa arena
52. Lugar onde guerreiros morrem
53. E outros brincam com suas penas
54. Astutos eleitos se esquecem
55. Dos prazos de suas promessas
56. E cobram por seus casos e rezas
57. Kilos e kilos de um dourado suborno
58. Deixando ao trabalhador o ledo engano
59. De que Brasília é quente como forno

60. E de quatro em quatro anos
61. Ainda nos obrigam a votar
62. Em seus fúteis e inúteis planos
63. Como se fôssemos masoquistas
64. Com vendas em nossas míopes vistas
65. A eleger nossos algozes desumanos!
66. E no reflexo de vidraças quebradas
67. Se vê cada vez mais a gurizada ‘black bloc’
68. Se queimando com coquetel Molotov
69. Enquanto mascam banana com chiclé Ploc
70. Engrossam as manadas e multidões
71. Guerreando por um Brasil de brinquedo
72. Sendo ovelhas mascaradas de leões
73. Que queimam seus lambuzados dedos
74. Pseudo-arautos da violência e do medo
75. Afrontam o brasileiro trabalhador e nato
76. Aquele que tem que se acordar bem cedo
77. Se quiser ter um ovo frito no prato
78. E os polidos patifes e corruptos, então
79. Deixam no rastro, máscaras e destruição
80. Construindo cercas ao invés de pontes
81. E já em casa, após lamber suas cicatrizes
82. Dormem em paz como inocentes meninos
83. Satisfeitos, bem nutridos, corados e felizes
84. Sonhando ser por eles que se dobram os sinos...
85. Sinos não dobram. Hei... Sinos não dobram!
86. Mortos nada cobram. Hei... Mortos nada cobram!
87. Macacos também choram. Hei!? Rei...
Everaldo J C Pavão
Enviado por Everaldo J C Pavão em 12/10/2017
Reeditado em 13/10/2017
Código do texto: T6140880
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Everaldo J C Pavão
Passo Fundo - Rio Grande do Sul - Brasil
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Everaldo J C Pavão