POVO CLIENTE.

POVO CLIENTE.

Nos assentos modernos da castidade

A lei não detém menores, já maiores.

A idade não criva a safadeza

Ela só faz jeremiar à vulgaridade.

O corpo e seus desejos são os esconderijos juniores

Do sonho consumista que precipita a natureza

Da anoréxica necessidade básica de se alimentar

E de uma moral ensinada na má-criação

No jardim-educação, a flor só brota se plantar.

Crianças geram crianças em ventres sem aptidão

São barrigas de pais desconhecidos

Onde a carestia não serve pensão aos esquecidos

Que vão determinar o futuro do nascimento

Nos exemplos mais profundos, de dor e sofrimento.

Cala uma pluralidade de carinho

Na infância que lhe foi privada desde o ninho

Na saudade de diálogos não consumados

Na palmada proibida pelo estatuto dos estagnados

Que outorga direito na TV, de sexo a canal aberto

Em reality show, programas ou novelas

Bundas e peitos unem fogo e pudor a descoberto

Num conjunto de sacanagens exibidas nas telas.

A puberdade pode não estar no corpo, mas na mente

Parabéns, só acendem velas de estupro, quando tem um povo como cliente.

CHICO DE ARRUDA.

CHICO BEZERRA
Enviado por CHICO BEZERRA em 15/08/2017
Código do texto: T6085087
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