MEU EU E MEUS OUTROS EUS QUE NÃO SÃO MEUS

A poesia

não vem de mim

por obra do acaso,

pois em Deus

tudo tem uma

razão pra ocorrer.

Se o fim do dia

gera o belo

do sol no ocaso,

é para que, do outro

lado do orbe, o sol

possa reaparecer.

O fluir do verso,

é fruto do que

o poeta pensa,

acerca de algum

caso que a alma

agiu em sonho,

ou com o corpo

desperto; ou apenas

observou o que

outrem fez acontecer.

Sucede também

que o poeta,

com a inspiração

abstraída, pode

cometer algum

descaso poético,

mas mesmo assim,

a poesia não perde

o sentido artístico

prazeroso

para quem a lê.

Cada vocábulo

que forma o verso,

vem do meu eu

que almeja fazer

a poesia; vêm

de outros eus

que me auxiliam

nesses instantes

de fazer poético;

vem da força das

coisas que exalam

os seus fluidos

energéticos; vem

da unidade cósmica

por efeito da Causa

Eterna que cria

todas as coisas.

Não faço poesia

só com o meu eu,

pois acresço no seu

fazer, outros eus.

Eus múltiplos

que se inserem

no meu eu. Eus

que estão livres,

mas que me visitam

no cárcere humano.

Eus que sabem que,

em algum porvir,

estarei livre desse

cárcere. Eus que voam

comigo em sonhos,

não por obra do acaso,

mas porque fazem

parte como eus e como

eu, do Eterno de Deus.

Escritor Adilson Fontoura

E-mail: aafontoura@hotmail.com.br

Adilson Fontoura
Enviado por Adilson Fontoura em 05/01/2017
Código do texto: T5873140
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