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ALÉM DE MIM - RUMO A PAQUETÁ - CAP. VII

                              RUMO A PAQUETÁ – Capítulo VII

                                              Renato e Andreia embarcaram. Renato não abriu a boca para dizer nada todo o tempo até que o avião decolou. Andreia sabia no que ele estava pensando e resolveu puxar conversa.
- Não é justo o que você está fazendo, Renato.
   Ele olhou para ela.
- E o que eu estou fazendo?
- Você não abriu a boca pra conversar comigo desde que o Lúcio foi embora. Eu existo, sabia? A culpa disso tudo não é minha.
   Os passageiros das cadeiras laterais olharam para os dois. Renato fechou os olhos e escorregou na poltrona.
- Vamos deixar pra falar sobre isso em Paquetá, ok? Eu estou com sono.
   Ela se calou. Minutos depois, Renato estava dormindo. Quando acordou não a viu a seu lado.  A aeromoça ia passando e ele perguntou:
- Moça, a senhora viu a... o meu acompanhante?
- Ah, ele está lá na frente, conversando com uma passageira.
- Passageira?
- É.
   Renato levantou-se e foi procurar por Andreia e foi encontrá-la conversando com uma velhinha na primeira fileira de poltronas. As duas ou... os dois pareciam estar se divertindo muito, pois riam quando ele se aproximou. Renato respirou, aliviado.
- Oi, falou Andreia, sorrindo para ele. – Dona Ester, esse é o meu... amigo. Nós estamos indo juntos para Paquetá.
   A velhinha estendeu a mão para Renato, muito sorridente, e falou:
 - Muito prazer, filho. Seu amigo me falou muito de você. É difícil encontrar alguém que queira conversar com a gente nessas viagens, mas ele foi muito gentil. Veio de lá de trás pra conversar comigo aqui.
   Renato ficou muito envergonhado com o que havia pensado e disse:
- Eu... só vim saber onde você estava. Não quero atrapalhar nada... Foi um prazer conhecê-la, dona Ester.
   Ele voltou para sua poltrona, querendo morrer de ódio de si mesmo. Andreia voltou minutos depois.
- Fiz mal em sair daqui? – perguntou.
- Não... Eu é que sou um idiota. Me dá um tempo pra eu... me acostumar com a ideia de... estar sem e... com você ao mesmo tempo.
- Tudo bem. Acho que tenho mais sorte que você.
- Por quê?
- Porque eu vejo você como você é. O que atrapalha é... não poder fazer o que eu faria... se fosse eu mesma.
  A última frase foi dita bem baixinho, acompanhada de um sorrisinho maroto. Renato balançou a cabeça, sorrindo também.

   O avião chegou a Paquetá  às três e meia. Os dois desceram e trataram de apanhar um táxi para o recanto onde ficava o apartamento de Lúcio, no outro lado da ilha.
   Lúcio havia ligado para o hotel avisando da chegada deles e foi tudo muito mais fácil. Quando entraram no apartamento, ambos lembraram-se do primeiro dia de namoro ao mesmo tempo e olharam-se.
- Está pensando no que eu estou pensando? – ela perguntou.
- Não vai ser fácil ficar aqui, mas é o único jeito. Vamos desfazer as malas.

   Logo estavam instalados. O apartamento tinha uma cozinha simpática, a sala de estar, um estúdio e dois quartos. Num deles havia duas camas de solteiro e, no outro, uma de casal. Renato chegou na porta do quarto com a cama de casal e falou:
- Pra quem nunca vem aqui, o Lúcio tem até bastante luxo. Até cama de casal...?
- Ele não disse que era pros pais dele, quando vinham passar temporadas aqui?
- É... mas eles morreram há mais de cinco anos.
- Uma cama de casal é de grande utilidade, mesmo pra um rapaz solteiro, ela falou, maliciosa.
   Renato olhou para ela que sorriu e afastou-se, indo para a cozinha.
- Você está com fome?
- Pouquinho.
   Andreia começou a fazer alguma coisa para comerem com os alimentos secos que haviam na dispensa e Renato resolveu ligar para São Paulo para avisar Lúcio que já haviam chegado.

                       
                                   ALÉM DE MIM - CAP. VII

Velucy
Enviado por Velucy em 13/09/2017
Reeditado em 16/09/2017
Código do texto: T6112609
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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