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GRAFFITI - BISBILHOTANDO - CAP. I

                                           GRAFFITI
             “Inspirado no clipe de “Take on me” do grupo A-ha de 1985”
Take On Me -  A-ha - Letra (aconselho a assistir ao clipe, se ainda não conhece. É beeeeeeeeeeem antigo! Divirtam-se... é o meu único desejo...

We're talking away / I don't know what / I'm to say I'll say it anyway / Today's another day to find you / Shying away / I'll be coming for your love, ok?
Take on me / Take me on / I'll be gone / In a day or two

So needless to say / I'm odds and ends / But that's me stumbling away / Slowly learning that life is ok / Say after me / It's no better to be safe than sorry
Take on me / Take me on / I'll be gone / In a day or two

Oh the things that you say / Is it live or / Just to play my worries away / You're all the things I've got to remember / You're shying away / I'll be coming for you anyway
Take on me / Take me on / I'll be gone / In a day or two

                                      BISBILHOTANDO – capítulo I
                                                                     
                                      Disposta a bisbilhotar nas coisas do avô, Deise entrou no atelier do velho e fechou a porta, com ar de criança travessa. Pensando bem, era exatamente o que ela era. Não havia feito dezessete anos ainda e não tinha muito juízo, ainda mais em férias.
     Cristóvão Delano era desenhista cartunista e trabalhava criando estórias em quadrinhos para jornais e revistas especializadas no ramo. Muitos diziam que Delano era maluco, pois sabia-se que passava horas trancado em seu atelier absorvido no trabalho de criação, falando com seus personagens. Deise adorava o avô ainda mais, por esse ar de mistério que envolvia sua vida.
    Ela morava com uma tia solteira, irmã mais nova de Delano, mas não havia férias que não viesse passar com ele em sua casa à beira mar, no litoral norte do Estado de São Paulo.
    Um dos mistérios de Delano estava justamente ali, em seu atelier, onde ele não gostava que ninguém estrasse, a não ser em sua companhia. Sabendo dessa imposição importante, Deise aproveitou a saída rápida que o avô deu à cidade e resolveu teimar, invadindo o santuário proibido, sem ele por perto.
   O atelier não era muito grande, mas era confortável e acolhedor; acolhedor demais até, para o ambiente de trabalho de um “louco”.
   Quando Deise fechou a porta, tudo ficou às escuras. O dia estava entardecendo e as cortinas fechadas incentivavam a penumbra. Ela não ligou muito para isso, mas foi até a janela e entreabriu as cortinas. Uma janela grande de vidro dava a visão do mar, não muito longe dali. Dava para ver o Sol desmaiando dentro da água do Oceano Atlântico.
   Deise ficou algum tempo olhando para aquele cenário do qual tinha tanta saudade quando estava na capital, até que o Sol desapareceu por completo. Só então ela se deu conta de que estava totalmente no escuro no atelier e foi procurar o interruptor de luz, que não foi difícil achar. Conhecia tudo muito bem ali. Acendeu a luz e vasculhou ao redor com os olhos. A prancheta na parede oposta à porta era o que a levara até ali. Ali, Delano colocava toda sua criatividade em ação, criando, com genialidade, seres extraterrestres, bichinhos encantados, grandes heróis, romances de fazer inveja a Shakespeare e muitas outras coisas.
   Ela aproximou-se e sentou-se no banco alto em que o avô sentava e notou mais uma estória iniciada pelo artista. No canto esquerdo, no alto da folha ela leu o título da nova aventura: “GRAFFITI”.
- “Graffiti”... ela disse em voz alta.
   Deise havia gostado do nome, sorriu e repetiu:
- “Graffiti”...
     Havia só os desenhos, ainda sem legendas das falas dos personagens, mas ela pôde notar que o principal era um rapaz, vestido com roupas de couro, como as de um motoqueiro dos anos cinquenta, embora seu rosto fosse de um guerreiro das batalhas medievais.
   Deise não sabia o que dizia o moço, mas conseguia imaginar tudo, como se ela tivesse criado a estória. Havia vilões importunando o herói que, de repente, lhe pareceu com o vocalista de uma banda de música pop moderna que ela não se lembrava bem qual era.
   Virou a página com cuidado e continuou seguindo a aventura dentro de sua imaginação. Aos poucos tomava simpatia pelo herói e via que ele corria perigo. Delano havia parado no exato momento em que o rapaz se encontrava em situação muito difícil e pedia ajuda. Mas... estranho! Ele olhava para ela e estendia a mão... Estendia a mão... para ela!
    Deise fechou os olhos e os apertou. Balançou a cabeça, respirou funfo e procurou olhar em volta para colocar a cabeça e a visão em ordem. Os traços negros do lápis e a luz estavam confundindo tudo. Mas quando voltou a olhar para o papel, o rosto do moço ainda olhava para ela e sua mão parece sair do desenho e querer tocá-la. Por um segundo, Deise pareceu tê-lo visto mover os lábios e dizer seu nome. Tudo estava sem som, mas ela sentiu que ele disse seu nome e a palavra “Socorro”. A garota arregalou os olhos, assustada, e saiu correndo dali. Passou pela porta, desceu as escadas e foi para sala, onde chegou ofegante.

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                                GRAFFITI - CAP. I
Velucy
Enviado por Velucy em 06/09/2017
Reeditado em 07/09/2017
Código do texto: T6105910
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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