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AMANDA IV - BAD BOYS? - CAP. XI


                             XI – BAD BOYS?

                                        No salão, meia hora depois, Marco e Amanda já haviam se encontrado com alguns professores dela e que tinham sido professores dele também e ele conseguiu se recompor de forma que a noite seguiu mais informal. No meio de todos os alunos, Marco viu chegarem Caio e André, juntos, acompanhados de uma garota, um garoto de mais ou menos quinze anos e uma senhora que ele não conheceu, mas que deviam ser suas respectivas madrinhas ou a mãe de um deles. André os viu de longe, se afastou do grupo e se aproximou.
- Oi, Marco. Amanda...
- Oi, responderam os dois, com certo constrangimento, mas o momento não era para ficar mais tenso do que Marco já tinha ficado.
- Seu pai está aqui? Ele veio com você? - Marco perguntou.
- Não. Ele é meio avesso a festas, mas minha mãe veio. Ela já foi pra mesa com a meu irmão caçula e uma prima minha que é madrinha do Caio. Está tudo bem com vocês?
- Está.
- A Débora não veio, não é? ele perguntou por perguntar, pois já sabia da resposta.
- Não, Amanda respondeu. – Ela está com bebezinho novo. Nasceu no mês passado.
- Ela teve outro filho? - André perguntou meio surpreso.
- Filha, dela com o Aldo.
   O rapaz deu um suspiro e desviou os olhos, olhando para as outras pessoas.
- A vida continua, não é?...
- É... a vida continua, repetiu Marco, quase que com raiva por todas as recordações passadas.
   André olhou para eles novamente e perguntou, com um meio sorriso.
- E vocês? Não pensam em ter filhos?
- Ainda não. Está muito cedo, Marco respondeu sério.
   André sentiu uma sutil insinuação nas palavras dele e olhou em volta.
- Já viram o Otávio por aí? disse ele, mudando bruscamente de assunto.
   Marco não respondeu e baixou os olhos para a mão de Amanda que estava entre as suas.
- Vimos, ela respondeu. – Ele foi levar... a Lídia em casa e já deve estar voltando.
- A Lídia esteve aqui? André perguntou surpreso.
- Esteve, ela respondeu, olhando para Marco, mas não quis prolongar o assunto.
   Caio aproximou-se deles com Vanessa, prima de André, pela mão e cumprimentou:
- Oi, Marco, Amanda. Tudo bem?
- Tudo, responderam os dois.
   Ele deu uma risadinha meio sem graça e sugeriu:
- Vamos dançar, gente. O baile está incrível! A gente está perdendo tempo aqui conversando. Vem, André!
   Ele se afastou, indo para o meio do salão colorido e animado, onde as pessoas já se divertiam dançando também. Marco sorriu levemente e o seguiu com os olhos.
- Ele não mudou muito. Eu não sei como vocês conseguiram transformar esse garoto num bad boy no ano passado. Ele só tem tamanho.
   André sorriu também, um sorriso amargo.
- A estupidez é contagiosa... infelizmente, quando a mente é pequena. O Otávio me contagiou e eu fiz o mesmo com ele, mas se eu pudesse... voltar no tempo pelo menos dois anos, eu voltaria e... acredito que o Otávio também, tenho certeza. Só que ele pelo menos vai poder criar o filho.
- O Júlio está bem, André, tenha certeza, disse Amanda.
- Eu sei... só não posso dizer que isso é por minha causa.
- Ele é feliz, Marco falou. - É isso o que importa agora.
- Só espero que ele nunca fique sabendo de mim e se ficar... um dia... espero que me perdoe.
   Os três ficaram e silêncio e André deu um longo suspiro.
- Eu vou chamar minha mãe pra dançar um pouco... ou ela vai me estrangular por eu chamá-la pra ser minha madrinha e ela ter que ficar sentada o tempo todo. A gente se esbarra por aí.
   Ele se afastou e Marco ficou olhando novamente para as mãos de Amanda, pensativo. Com uma delas, Amanda levantou seu queixo e sorriu, dizendo:
- Eu também vou estrangular meu namorado se me deixar parada aqui no meu baile de formatura.
   Marco sorriu levemente e a abraçou, encostando o rosto no dela e começando a dançar com ela a música lenta que tocava.
- Desculpe, amor, ele disse e beijou seu rosto.
- Conta pra mim o que aconteceu lá fora, ela disse, com o rosto colado no dele, enquanto dançavam. - Eu acho que não deve ter sido nada tão grave que você tenha que me contar só em casa.
- Não, não foi.
- Então conta.
- Ela só veio me pedir desculpas.
- Ela está bem?
   Marco fez um instante de silêncio e respirou fundo e respondeu:
- Acho que não...
  Amanda afastou o rosto para olhar em seus olhos e perguntou preocupada:
- Como assim?
- Eu não queria falar sobre isso aqui. É o seu baile, Amanda.
- Nem tudo vai ser felicidade sempre, Marco. Podia estar sendo o baile dela também e não é. Eu não vou ficar feliz, se você não está.
- Eu estou feliz, não se preocupe. Só que ela me deixou... com a sensação estranha de que eu nunca mais... vou vê-la.
   Amanda se encolheu nos braços dele e sentiu um arrepio.
- Ela te impressionou mesmo, amor... Posso fazer alguma coisa pra te ajudar?
   Marco olhou em seu rosto e a beijou, sem dizer palavra.
- Só me perdoa...
- Do quê?
- De qualquer coisa idiota que eu falar, hoje.
   Ela sorriu e acariciou seu rosto.
- Eu não sei mais se eu sei definir que alguma coisa que você diz é idiota. Se disser, eu vou saber que não é por querer.
   Marco sorriu também sem vontade e encostou o rosto em sua testa, beijando-a.
- Você quer ir embora? ela perguntou.
- Você está maluca?! Claro que não! Meu escudo contra ela só está meio arranhado. Acho que ela ficou mais forte justamente por estar tão frágil. Não era a mesma Lídia lá fora.
   Amanda ficou em silêncio. Ao final da canção lenta, Marco sugeriu:
- Vamos até a mesa do seu pai, ver se meu pai e minha mãe estão lá? Estou curioso pra ver se seo Antônio veio, já que pai do André não está aqui.
   Ela concordou e os dois foram até a mesa do diretor, reservada quase ao lado do palco onde a banda se apresentava. Lá estavam José, em pé ao lado de Rita, Laila e a assistente de Rita, Haidée. Amanda se sentou perto de Haidée e Marco ficou em pé também.
- Meu pai não veio... ele falou um tanto decepcionado.
- Não, disse Laila. – Ele disse que queria ficar em casa com a Mariana e ficou lá com ela e a Dalva.
- O pai do André também não veio. Dois adultos agindo feito crianças.
   Ângela se aproximou deles com Márcia e Bete, que apesar da barriga de sete meses, estava muito bonita em um vestido lilás e se movimentava com muita leveza.
   Quando chegaram à mesa, cumprimentaram a todos e ela olhou para Marco.
- Oi, Marco! Tudo bem?
- Tudo, ele respondeu sorrindo. – E você? Você está... linda.
- Obrigada, disse ela, colocando a mão sobre a barriga, que parecia estar sendo muito aguardada.
- Cadê o Márcio?
- Está ali na nossa mesa. Ele está bem. Dá uma chegada lá depois.
- O que é o bebê? Amanda perguntou.
- Menina! Alice, ela disse, com um sorriso enorme no rosto.
- Você está muito bem mesmo, Bete, elogiou Laila. – Parabéns aos dois pelo bebê. Pra quando é?
- Fevereiro ou março... Depois do carnaval.
- Amanda, vem com a gente até minha mesa, convidou Ângela. - Minha mãe quer ver você. Ela só te viu no casamento.
   Amanda se levantou, pediu licença a todos, beijou Marco e acompanhou as colegas. Ele ficou olhando para elas e pensou em Lídia. Sua expressão ficou distante novamente.
- Ela está bonita mesmo, disse Rita.
- Você está bem, filho? Laila perguntou. – Senta um pouco com a gente.
- Aconteceu alguma coisa, Marco? - José perguntou, percebendo também que havia algo estranho com ele.
   Marco voltou-se para eles como se voltasse à Terra e respondeu:
- Não, está... tudo bem.
   Ele se sentou ao lado da mãe e segurou sua mão. José falou:
- Bom, eu vou falar com alguns de meus professores e fazer sala pros meus alunos. Ver se está tudo bem por aí. Fiquem à vontade. Eu volto já.
   Ele beijou Rita e se afastou.
- Está tudo bem mesmo, filho? - Laila insistiu.
- Está... É que eu vi... a Lídia quando cheguei.
- Ela esteve aqui?! - Rita perguntou, pasma.
- Esteve, mas já foi embora.
- E veio fazer o que aqui?
- Falar comigo.
- Falar o quê, Marco? - Laila quis saber.
- Pedir perdão.
- Pedir perdão? - Rita perguntou. – E você?
- Rita, o que importa não é o que eu falei ou deixei de falar. Só o fato de ela ter vindo aqui pra isso, grávida... frágil... Eu nunca vi a Lídia daquele jeito.
- Ela veio sozinha? - Laila perguntou.
- O Otávio trouxe.
- Seu medo não era infundado, não é, filho? Você realmente imaginou que uma coisa dessas pudesse acontecer hoje.
- Ela não me fez nada, mãe.
- Mas você não está legal... está?
   Marco olhou para ela e depois em volta e viu de longe Roni se aproximando deles, acompanhado de Maria Eugênia.
- No momento tem alguém que pode me perturbar mais do que a Lídia, mãe. Não se preocupe. Eu sobrevivo.
   Rita, Laila e Haidée olharam na direção em que ele olhava e Rita percebeu o que ele estava querendo dizer. Marco se levantou.
- Eu vou procurar a Amanda.
- Vai sair da mesa, porque eu cheguei? - Roni perguntou, com um sorriso irônico. – Boa noite, senhoras.
   Marco parou e esperou. Laila não entendeu nada, pois não conhecia o rapaz. Mas Rita e Haidée entendiam bem a atitude dele.
- Mãe, esses são Roni Lemos e Maria Eugênia Prates. Trabalham com a gente lá na RR.
- Prazer, cumprimentou Laila com um sorriso.
   Roni pegou sua mão e a beijou.
- A senhora é a mãe do Marco? O prazer é todo meu. Seu filho teve a quem puxar.
   Laila sorriu timidamente. Marco e Maria Eugênia se cumprimentaram com um beijo no rosto e ela perguntou:
- Cadê a Amanda?
- Eu ia atrás dela. Quer ir comigo?
- Vamos.
- Fica à vontade, Roni. Pode sentar na nossa mesa. Eu volto já.
- Aonde vocês vão?
- Eu vou...
- A gente vai pegar alguma coisa pra beber, antecipou-se Maria Eugênia. - Eu estou morrendo de sede. O Marco conhece melhor o clube e vai comigo. A gente já vem.
   Marco olhou para ela um tanto quanto confuso, mas concordou, quando ela olhou de volta sinalizando sutilmente que ele concordasse. Os dois se afastaram. Ela, puxando o rapaz pela mão. Quando já estavam misturados às pessoas no meio da pista de dança, ele a fez parar.
- O que foi isso? Eu não entendi nada.
- Você não parece muito legal hoje. O Roni veio aqui com um propósito claro de estragar sua festa. Se eu fosse você, afastava ele o máximo possível na Amanda.
- Você está brincando. Quem convidou esse cara?
- Sua mulher, por educação, eu acho. Acho que ela nunca pensou que ele viesse e como eu vinha, ele se convidou a vir comigo, mas no carro ele deixou escapar que ia se divertir muito hoje, acho que às suas custas, infelizmente. Mas a gente ainda pode evitar isso. Fica esperto e tudo vai ficar bem. Mas é impressão minha ou você está menos animado do que devia pro baile de formatura da sua mulher.
- É... eu já tive uma surpresa quando cheguei aqui... mas... vamos procurar a Amanda. Ela está na mesa de uma amiga dela de sala. Acho que é praquele lado.
   Chegando perto da mesa em que a família de Ângela estava, a mãe dela, dona Alzira cumprimentou Marco efusivamente, abraçada com Amanda sentada a seu lado.
- Marco, parabéns de novo pelo casamento! Dessa vez foi de verdade, não é? Estou muito feliz por vocês.  A Amanda está ainda mais bonita depois que casou com você.
- Eu não tenho muito a ver com isso, dona Alzira. Ela já era bonita quando eu apareci.
- Tem a ver sim. O estado de espírito de uma pessoa feliz se reflete no exterior e isso eu estou vendo que ela está. Eu te confesso que não acreditava nesse casamento...
- Mãe! exclamou Ângela, constrangida e envergonhada com a súbita sinceridade da mãe. Marco sorriu sutilmente, olhou para Amanda e em seguida baixou os olhos.
- Calma, filha, eu vou terminar... Não acreditava mesmo. Achava que vocês dois eram muito crianças pra seguir com um passo tão importante quando um casamento, embora isso tudo tenha começado com o acidente da Amanda, onde ela quase morreu e tudo mais, mas... agora eu percebo que você era muito mais adulto com dezessete anos do que muito adulto que eu conheço.
   Dona Alzira beijou o rosto de Amanda e finalizou:
- Sejam muito felizes os dois... e obrigada por ser amiga da minha filha.
   Amanda beijou seu rosto também e sorriu.
- Obrigada.
   Dona Alzira olhou na direção do palco por cima do ombro de Amanda e avisou:
- Seu pai está no palco, Amanda. O Diretor vai falar.
   
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Velucy
Enviado por Velucy em 12/08/2017
Código do texto: T6081754
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