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AMANDA IV - LÍDIA - CAP. X


                                              X – LÍDIA


                                                 O Escort estacionou diante
da sede do clube e já havia som de música tocando, muita gente lá dentro e muitos carros chegando. Amanda e Marco viram chegar muitos professores comuns dele e dela e colegas dos dois. Ângela, Márcia e Camila aproximaram-se de Amanda, soltando gritinhos que as moças costumam soltar quando vêem uma à outra em ocasiões especiais.
- Ai, como você está linda, amiga! disse Márcia, segurando sua mão e a erguendo para que Amanda desse um volta em torno de si mesma.
- Poxa, a Rita se superou dessa vez. Eu quero uma madrasta dessas pra mim! falou Camila.
- Vocês também estão lindas.
- Vamos entrar! Lá dentro está um barato! A banda é ótima! O vocalista é um gatinho! Canta demais! Cada música mais bárbara do que a outra e eu estou doida pra dançar, completou Márcia.
- Meninas, disse Ângela, vocês esqueceram que a Amanda é uma senhora casada agora? Oi, Marco! Desculpa, a gente se empolgou.
- Oi, meninas, ele cumprimentou a todas sorrindo.
- Ela pode ir com a gente? Camila pediu.
- Claro que pode. Onde estão os padrinhos de vocês? ele perguntou.
- O Bruno, padrinho da Márcia, já está lá dentro, o meu irmão foi estacionar o carro e o tio da Camila está conversando ali com a família dela.
   Amanda olhou para Marco que sorriu e falou:
- Vai entrando com elas. Eu vou arrumar um lugar melhor pra estacionar o carro. Eu já entro. Vou esperar o seu pai e a Rita e os meus pais, aqui fora.
   As meninas saltitaram de alegria e puxaram Amanda pelo braço e Ângela ainda voltou-se e falou:
- Ah, você está um gato, Marco! Um verdadeiro príncipe!
- Obrigado, ele disse, sorrindo, corando levemente.
   Elas se afastaram e entraram na sede do clube. Marco ia entrar no Escort de novo para manobrar o carro para outro lugar no estacionamento quando viu chegar o carro de Otávio que parou não muito longe dele. Marco viu, no banco de trás do carro, um rosto que há muito tempo não via. Lídia estava ali e ele mal acreditava nisso. Ela também o viu e seus olhos se fixaram nele com tristeza, mas ainda com amor.
   Otávio saiu do carro e o viu também. Aproximou-se.
- Oi, Marco.
- Oi... ele respondeu sem nenhuma emoção.
- Eu não sei se você está a fim e se está preparado pra isso, mas... a Lídia queria falar com você.
- Comigo? Marco perguntou, meio sem jeito.
- É.
- Tem certeza?
- Ela só veio pra isso. Ela mesma pediu e eu a trouxe por esse motivo.
- Eu não tenho mais nada pra falar com ela, Otávio, ainda mais agora.
- Mas ela tem pra falar com você.
- E... tudo bem pra você?
   Otávio sorriu com certa ironia e desviou o olhar para as pessoas ao redor deles. Respirou fundo e respondeu.
- O que ela tem a dizer é simples... e rápido. Por favor, só lhe dê esse direito.
   Marco olhou para a moça. Otávio abriu a porta traseira do carro para que ele entrasse. Marco entrou e sentou-se ao lado dela.
   Lídia estava diferente. Os cabelos estavam pretos novamente e presos num rabo de cavalo e seu rosto, apesar de pálido, tinha uma serenidade que ele nunca tinha visto. Suas mãos estavam pousadas sobre a barriga e ela a pressionou levemente quando ele entrou no carro. Ela olhou para ele com um sorriso triste, mas agradecido.
- Oi, Marco.
- Oi, Lídia. Como você está?
- Bem... Você está... lindo... pra variar.
- Você queria falar comigo?
- Queria... Obrigada por vir me ouvir. No seu lugar, eu nunca mais queria ver minha cara. Obrigada mesmo.
- Está tudo bem?
- Eu sei... que eu já fiz isso uma vez... e não cumpri. Te pedi desculpas quando a Amanda estava em coma... porque pensei que ela fosse morrer... mas ela sobreviveu... e eu...
- Lídia... Marco ia interrompendo para que a conversa não ficasse tão pesada, mas ela continuou.
- Me deixa falar, por favor.
   Ele se calou, engoliu em seco e esperou.
- Eu mereci tudo que aconteceu... mas não me arrependo de nada. Faria de novo, se tivesse a chance. Eu te amo e isso não vai mudar... mas isso não vai durar pra sempre. Pelo menos não aqui na terra...
- Do que você está falando...?
- Que ter esse filho vai ser a última coisa que eu vou fazer nesse mundo.
   Marco franziu a testa e balançou levemente a cabeça.
- Não diz bobagem, garota. Você...
   Lídia colocou a mão sobre os lábios dele e o impediu de continuar.
- Me perdoa... por favor.
   Marco segurou a mão dela, visivelmente emocionado.
- Você não me fez nada. Você só fez mal a si mesma e por isso... eu não sei se vou conseguir perdoar a mim mesmo... por não ter podido evitar antes...
   Os olhos dela se encheram de lágrimas.
- Pensa assim: no futuro, se você um dia encontrar com o Gabriel na rua...
- Gabriel? Quem é Gabriel, Lídia?
   Ela sorriu, pegou a mão dele e a colocou sobre sua barriga. Marco entendeu que ela se referia ao bebê.
- Você vai lembrar que ele é o filho da garota que mais te amou no mundo e que vai olhar por você de onde estiver.
- Falando bobagem de novo. Você vai criar seu filho... Você vai criar o Gabriel e eu ainda vou encontrar com você e ele e...
   Lídia passou a mão por seu rosto e sorriu novamente entre as lágrimas.
- Acho melhor você ir pro baile. Volta pra Amanda. Seja feliz...
   Marco não conseguiu dizer mais nada. Lágrimas escorreram dos olhos dele também e ele olhou para a mão sobre sua barriga.
- Eu queria muito que vocês dois fossem felizes. E você ainda pode ser. O Otávio é um cara legal. Não despreza o que ele pode te dar.
- Como as coisas mudam, não? ela disse, com um sorriso triste. – Há um ano você não pensava assim.
- Muita coisa mudou, Lídia.
- Ela... Lídia olhou por cima do ombro dele, ficando séria de repente, mas não pareceu zangada, só lembrou de Amanda. – Ela te faz mesmo bem. Você está feliz?
   Marco enxugou o rosto, mas não respondeu, porque aquele não era o momento.
- É por isso que eu estou morrendo... Eu não consigo mudar... Não consigo deixar de te amar...
   Ele sentiu a garganta arder e não conseguiu falar mais nada.
- Volta pro baile. Já tomei muito seu tempo. A Amanda vai vir buscar você e eu não quero que ela me veja... assim.
   Ele enxugou o rosto novamente e pediu:
- Eu posso... fazer alguma coisa por você?
   Lídia sorriu triste mais uma vez e respondeu:
- Não... Eu só não quero sua pena. Eu não quero mais nada de você. Só seu perdão.
- Não tenho o que perdoar. Como da outra vez... eu falei pro meu tio, depois que você foi embora, que eu é que saía... ganhando com a nossa conversa. Eu queria poder... dizer o mesmo agora.
   O olhar de Lídia ficou sério por um momento e ela respirou fundo.
- Sai do carro, Marco, por favor.
   Marco olhou para ela por mais alguns segundos e saiu do carro, arrasado. Fechou a porta e viu Otávio parado a poucos metros dele, esperando. Aproximou-se e não soube o que dizer.
- Ela mudou, não? Otávio perguntou.
   Marco apenas passou as mãos pelo rosto e assentiu com um leve aceno de cabeça.
- Eu vou só levar ela em casa e volto pro baile.
- Se você queria acabar com a minha noite, teve muito sucesso.
- Desculpe, a intenção não foi essa. Eu só quis atender a uma urgência dela. Eu devia isso a ela, sabe? Foi eu que provoquei todo desespero que ela tem passado nos últimos meses.
- Não... por mais que eu queira concordar com você... a culpa não é totalmente sua.
- Sua culpa é passiva, Marco. Eu fui um idiota novamente... - Otávio sorriu e olhou para o carro - Fui um imbecil... novamente.
   Marco viu de longe Amanda saindo da sede do clube, procurando por ele, preocupada com sua demora. Quando viu que ele estava com Otávio, ela diminuiu o passo e aproximou-se deles mais devagar, olhando mais para Otávio do que para ele.
- Oi, Otávio.
   O rapaz ficou olhando para ela por um instante antes de responder.
- Oi, Amanda. Você está linda.
- Obrigada...
   Ela olhou para Marco e perguntou:
- Você não vai entrar, Marco? O que aconteceu? Já estacionou o carro?
- Não... ele respondeu, sem muita convicção.
   Amanda percebeu que ele estava estranho. Seus olhos estavam vermelhos.
- O que aconteceu? Vocês não estão brigando, estão?
  Otávio sorriu quase que por reflexo e balançou a cabeça.
- Não, ninguém está brigando. Está tudo bem. Bom, eu vou, mas volto já. Até...
   Ele se afastou e deu a volta no carro, entrando e sentando no banco do motorista. Amanda não entendeu nada e pensou ver alguém no banco traseiro do carro, mas não teve certeza. Estava escuro e ela não pode distinguir quem era. Quando ele manobrou e passou novamente por eles, ela viu de relance o rosto de uma mulher que não reconheceu, mas que podia adivinhar quem era.
- Aquela era a Lídia?
- Era... Marco respondeu, sem querer nem precisar mentir nada, tão abalado estava pelo impacto do encontro.
- O que ela fazia aqui, Marco?
- Veio falar comigo, ele disse, baixando os olhos para o chão.
- Falar com você? Falar o quê?
   Ele respirou fundo e fechou os olhos, colocando as duas mãos no rosto.
- Marco, você... estava chorando? O que foi que aconteceu?
- Vamos conversar sobre isso em casa, amor? Está tudo bem. Hoje é seu baile e eu já estou suficientemente sem foco nenhum pra isso. Eu não quero estragar tudo. Você não merece.
- Marco!
- Vem, por favor. Seu pai me mata se eu estragar seu dia, hoje. Por ele, vem. A gente conversa em casa, depois.
   Ela ficou olhando para ele por alguns segundos e não quis discutir.

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Velucy
Enviado por Velucy em 12/08/2017
Código do texto: T6081215
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