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AMANDA IV - REVELAÇÃO - CAP. VI


                                         VI – REVELAÇÃO

                                          No final do dia, Marco saiu da agência e foi até o colégio Paralelo pegar Amanda. No carro, já voltando para casa, ela falou:
- Meu pai liberou a Dalva pra ir ajudar a gente, no apartamento. Ela vai começar amanhã. Que é que você acha?
- A Dalva vai trabalhar lá em casa?
- Vai.
- A Rita precisa mais dela do que a gente. Ela fica o dia inteiro fora de casa.
- Nós também. Não agora, que estamos de férias, mas ele já tinha pensado nisso, quando você ficou sozinho na minha viagem a Campos. Ele contratou uma nova empregada, uma moça um pouco mais jovem, mas bem eficiente também. E ele falou que a Dalva de vez em quando pergunta de mim, suspira de saudade, ela quer vir me ajudar. Ela praticamente me criou. É quase minha mãe.
- Quer dizer que eu vou morar com a sogra? ele disse, sorrindo.
- Não é bem isso, ela falou, sorrindo também. – Ela vai continuar morando na casa do meu pai, só que vai vir me ajudar sempre.
- Não vai ficar muito pesado pra ela?
- Não. Da Chácara Flora até nossa casa não é tão longe.
- Ela não vai trabalhar de graça, vai?
- Claro que não. Eu vou pagar o mesmo que meu pai paga.
- Você vai pagar?
- Por que não?
   Marco ficou em silêncio, parecendo não ter gostado muito da ideia, e continuou prestando atenção na rua.
- Marco, o que eu tenho recebido pelo meu trabalho na RR, é o suficiente pra pagar a Dalva e mais três empregadas. Não se preocupa com isso. E a gente já conversou sobre esse assunto.
- Tudo bem. Se ela vai te ajudar... faz o que você achar melhor.
   O carro chegou diante do prédio e entrou na garagem. Os dois subiram. No apartamento, Amanda colocou a bolsa sobre o sofá e ficou olhando para ele.
- A gente pode conversar sobre o Roni, agora?
   Marco olhou para ela e não respondeu.
- Eu ainda não entendi o que aconteceu lá na agência. Por que você bateu nele? Eu te pedi tanto... Quem tem que ter certeza de que você é fiel a mim sou eu, ninguém mais. E eu confio em você. A menos que eu tenha que duvidar disso.
   Marco continuou olhando para ela em silêncio.
- Tenho, Marco?
- Não...
- Ele disse que você não queria que ele me contasse... “coisas interessantes”, que ele sabia. Sobre o quê?
- Ele estava ameaçando a Rita, desde a volta de vocês de Campos, depois daquela reunião que vocês três tiveram, sobre ele estar assediando você.
- Como ameaçando? Ele não disse nada sobre isso, enquanto eu estive lá.
- Depois que você saiu... ele ameaçou a Rita dizendo que... se ela continuasse brigando com ele por causa de você, ele...
- Ele o quê, Marco?
- Ele ia contar pra você que... eu e ela temos um caso.
   Amanda se sentou no sofá.
- O quê?! Mas... que absurdo! O Roni ficou louco? A Rita é minha madrasta. É mulher do meu pai! E você é... primo... dela...
- Pra você ter uma ideia de como é pequena a mente dele. Eu fico enojado só de pensar. Foi por isso que eu bati nele. Eu passei o resto do domingo pensando no assunto. A Rita me contou na casa do meu pai, enquanto você tomava banho. Ela também estava apavorada que você pudesse acreditar nessa sandice e isso acabaria com o nosso casamento e com o dela.
- E por que você não me contou?
- Como eu podia contar uma coisa dessas pra você, Amanda? A gente já estava cansado, fragilizado com tudo que tinha acontecido. Eu não podia nem pensar em jogar mais uma bomba dessas na sua cabeça.
- Mas ele quase jogou... Foi por isso que você estava tão nervoso na gravação do comercial.
- É...
- Aquela conversa que a gente teve aqui ontem... tem alguma coisa a ver com isso?
- Que conversa?
- Sobre você ter ficado... muito tempo sem transar com ninguém depois que começou a namorar comigo.
   Marco não conseguiu falar nada. Engoliu em seco. A garganta travou. Ela continuou:
- Lá na casa do seu pai, você também falou... da relação bonita de quase irmãos que você tem com a Rita. Ela pode até ser bem mais velha que você, mas ela se comporta e age como se fosse tivesse a mesma idade que você. Fala com você como se fosse sua irmã. Ela é só sua prima... É prima do seu pai...
- Aonde você quer chegar?
- Que é possível...
- Não, não diz isso. Pelo amor de Deus, não diz isso, amor.
   Ele se sentou ao lado dela e segurou sua mão.
- Amanda, você me conhece. Você sabe que eu te amo... Sabe do respeito que eu tenho pelo seu pai e pela Rita. Isso que o Roni queria que você acreditasse é um absurdo.
- Tudo bem, depois que eles se casaram, mas... e antes? Você nunca teve nada com ela?
- Não!
- Nunca?
- Ela veio pra São Paulo no ano passado e eu... já estava namorando com você...
- E... você ficou sem transar com ninguém por muito tempo... como você mesmo disse. Depois disso... vocês... sempre foram muito amigos. Era só isso? Nunca houve nada?
   Marco se calou mais uma vez e respirou fundo, apavorado. O coração batia forte.
- Responde, Marco.
- Uma vez... Só uma vez...
   Ela sentiu o chão fugir debaixo dos pés.
- Meu Deus...! Quando?
- Isso não interessa mais, Amanda.
   Uma lágrima rolou no rosto dela e ela repetiu a pergunta:
- Quando, Marco?
   Marco fechou os olhos e respondeu:
- Amanda, eu te amo. Eu queria... Eu precisava de você, mas eu não podia... por você mesma. Pela pressão que meu pai fazia dizendo que, se eu tocasse em você, ele seria capaz de me colocar pra fora de casa. Pelo seu pai, por tudo...
- Quando, Marco?! ele repetiu.
- No início desse ano... ele confessou, vencido.
   Amanda cobriu a boca com a mão e tentou segurar o grito, mas as lágrimas continuavam rolando. Marco sentiu as lágrimas virem aos olhos também em silêncio, olhando para ela.
- A Rita não teve culpa de nada. Ela só quis me ajudar. A gente se ama demais, mas é um amor diferente. Eu não tinha coragem de sair por aí e satisfazer minha vontade de você com alguém... que eu não amasse. Ela... ao menos era alguém que me entenderia e me... ajudaria, como ajudou, a minimizar minha angústia. Procura entender isso, Amanda.
- Por que você não me pediu?
- Eu... Eu pedi, de várias maneiras, mas eu nem sei se eu queria que você aceitasse... que você cedesse... que você me atendesse. Eu sabia que você queria se guardar pro casamento e era esse o comportamento que eu queria que você tivesse. Eu estava errado... Mas eu sou humano, Amanda.
   Ela se levantou e foi até a janela, olhando para fora, se sentindo perdida.
- Eu sei que você é humano. Eu me apaixonei por esse ser humano. Pelo garoto que dizia gostar de mim, antes de me conhecer; que aparecia na minha frente sem eu esperar e me dizia coisas lindas que me tiravam do chão. Pelo garoto que tinha um comportamento exemplar no colégio, mas que quase foi expulso dele por minha causa. Que lutou por mim com as armas mais doces. Que me pediu em casamento pro meu pai, comigo dormindo, sem saber se eu ia morrer ou não...
   Ela se voltou para ele e enxugou o rosto.
- Como eu vou encarar a Rita depois de saber disso, Marco?
- Já disse que ela não teve culpa de nada...
- Com eu vou encarar meu pai?!
- Ele não precisa saber, Amanda. Você vai acabar com o casamento deles!
- E como eu explico por que a gente se separou?
   Marco se levanta do sofá lentamente.
- O quê?! ele perguntou. - Você não pode estar falando sério.
- E o que você quer que eu faça, agora, Marco? Você transou com a mulher do meu pai!
- Ela não era mulher dele na época. Era só minha prima.
- Você disse, olhando no meu olho que não tinha tido mulher nenhuma além da Bete, lembra? Como eu posso confiar em você de novo?
   Marco olhou para ela por um instante, sem acreditar que aquilo estava acontecendo.
- Só por tudo que a gente já viveu. Eu não posso pagar por um único erro. A gente não tem nem dois meses de casados, meu amor.
- A gente é casado há um ano e meio, Marco...
   Marco ficou alguns segundos olhando para ela e finalmente falou:
- Lá em cima, não aqui... Eu não sou santo, já te disse que sou humano, Amanda.
   Ela baixou os olhos e intimamente concordou com ele, mas não disse nada.
- Eu queria não ser, mas sou... Você não está pensando direito. Eu te amo! Se você me deixa, eu morro, justamente por isso. Eu não sei mais viver sem você. Não consigo mais e você sabe disso...
   Ela respirou fundo e passou as mãos pelos cabelos.
- Eu vou tomar um banho... A gente conversa mais depois.
- Amanda!
   Ela parou e esperou.
- Você descreveu um garoto agora há pouco. Enquanto você estiver no banho... pensa que ele ainda está aqui, esperando por você, mais apaixonado do que nunca. Ele pode ter pisado na bola, fisicamente... mas nunca te traiu em pensamento. Você sempre foi... e vai ser sempre, a razão da minha vida.
   Amanda ficou olhando por alguns segundos para ele e deu as costas, indo para o banheiro. Marco sentou-se pesadamente no sofá e enterrou as mãos nos cabelos, querendo que a terra se abrisse para ele entrar. O olhar dela para ele cortava seu coração e não saía de sua mente.
   Ficou sentado ali até que ela voltasse, sem coragem de fazer nenhum movimento para que a realidade parasse até que Amanda dissesse que aquilo tudo tinha passado. Que tudo estava bem de novo. Colocou as mãos no rosto e esperou.
   Os quinze minutos que se passaram pareceram horas. Ele a ouviu sair do banheiro, entrar no quarto e fechar a porta. Meia hora depois, Amanda voltou já trocada, cabelos molhados e se sentou na mesinha de centro, diante dele. Os olhos dela olhavam para ele com tristeza. Marco olhou para ela tentando vasculhar em seu rosto algum sinal de perdão ou pelo menos de compreensão.
- Você tem ideia do que você fez comigo, Marco? ela perguntou.
- Me perdoa... Se você não me perdoar... a minha vida acaba aqui. Eu não tenho mais por que viver, Amanda. Me perdoa... por favor.
   Ela passou a mão por seu rosto e Marco fechou os olhos. As lágrimas rolaram pelo rosto dele. Ele segurou sua mão e beijou a palma. Amanda o abraçou e ele escondeu o rosto no ombro dela, chorando ainda mais.
- Me perdoa... Me perdoa... Eu não sei viver sem você.
- Não sei se eu posso também, ela disse, também chorando.
   Marco beijou muito seu rosto e sua boca.
- Eu só falei de você o tempo inteiro que estive com a Rita. Ela sabe que cada pensamento meu sempre foi pra você e sempre amou seu pai demais também.
   Amanda colocou a mão sobre seus lábios e o fez se calar.
- Não diz mais nada...
   Ela o beijou mais uma vez.
- Eu queria passar a vida inteira me explicando...
- Para, Marco!... Não fala mais nada...
- Eu preciso te pedir uma coisa, se é que ainda tenho algum direito.
- O quê?
- Não olha a Rita diferente a partir de agora, não. Ela é a mulher mais incrível, inteira e totalmente do bem que eu conheço. Nunca teve intenção de magoar ninguém, nem o teu pai e muito menos você. Ela só quis me ajudar. Se alguém teve alguma culpa nisso tudo, fui eu. Só eu. Não deixa essa história sair desse apartamento, por favor. Seu pai não merece isso, nem ela. Ela está realmente muito chateada com tudo isso...
- O Roni sabia dessa história?
- Não. Ele só tem inveja da minha relação de amizade e de amor com ela... porque isso eu não vou poder negar nunca pra você. Eu amo a Rita... como  minha amiga, como minha mãe, como minha prima e irmã... mas não tem nada a ver com a relação doentia que o Roni tem na cabeça.
   Amanda sentou-se ao lado dele no sofá. Marco beijou sua testa longamente.
- Quando eu respondi que não tinha tido nada com ninguém além da Bete, foi a mais pura verdade. A Bete foi... como uma tempestade tropical que passou pela minha vida. Foi gostoso de sentir, me ensinou alguma coisa e aliviava um lado meu que estava começando a acordar; a Rita só fez acalmar a chuva que tinha recomeçado em mim e da qual eu tinha que proteger você pra não te machucar. Mas era com você que eu queria estar. Sempre foi com você.
   Amanda percorreu o rosto dele com os olhos, sem dizer nada.
- Quando a gente transou... pela primeira vez... dois meses antes do casamento... eu tive a certeza... de que era só isso que eu queria: você do meu lado pra sempre. Só reforçou a minha teoria de que... você tinha nascido pra mim. É você que eu quero... sempre.
   Ela se abraçou a ele, tranquila, e Marco sentiu o mundo voltar a rodar em volta deles.
- Não me deixa falando sozinho. Diz pra mim que eu não estou falando um monte de verdades vazias, unilaterais. Diz que sente a mesma coisa...
- Eu sinto...
   Ela voltou a olhar para ele nos olhos.
- Era só isso que eu queria ouvir.
- Eu te amo... Foi esse Marco que eu conheci e por um momento, eu pensei que ele tivesse ido embora...
- Nunca... Ele vai morrer do teu lado.
   Amanda sorriu e passou a mão por seu rosto.
- Prefiro que ele viva do meu lado.
- Ou isso... ele disse, sorrindo também. – Você escolhe.
   Ele a beijou. O telefone tocou. Marco foi atender. Era Rita.
- Marco?
- Oi, que bom que você ligou...
- Bom? Em que sentido? Eu estou agoniada, Marco...
- Você pode dar uma passada aqui agora?
- Agora, mas...
- Vem, a gente está te esperando.
- A gente... como?
- Vem. Não fala mais nada. Só vem.
   Marco desligou o telefone e olhou para Amanda.
- É a Rita. Ela está vindo pra cá.
   Amanda apenas balançou a cabeça, concordando.
- Eu vou tomar um banho, também, ele disse.
- Está com fome?
- Um pouquinho.
- Vou arrumar alguma coisa pra gente jantar.
   Ele a beijou de novo e foi pra o banheiro.
   Meia hora depois a campainha tocou. Amanda saiu da cozinha e foi atender. Rita entrou. Estava com a aparência de quem tinha chorado muito. Amanda a abraçou sem dizer nada. Rita não entendeu muito, mas as duas ficaram abraçadas por algum tempo. Quando se afastaram, Rita disse:
- Lamento o que aconteceu na agência, hoje. Eu queria poder explicar...
- Não precisa, o Marco já explicou, Amanda falou, levando-a para se sentar no sofá. - A gente tem só que fazer uma força pra esquecer. Já está tudo bem.
- Tudo bem como, Amanda? A minha cabeça está explodindo desde sexta-feira passada. O Roni...
- O Roni não vai conseguir destruir o que a gente tem, juntos.
- Não vai mesmo, Marco disse, aparecendo na porta do corredor.
   Ele se sentou também ao lado de Rita e a abraçou com carinho. Rita não correspondeu ao abraço de início. Apenas, fechou os olhos e começou a chorar.
- Marco...
- Acho que eu mereço um abraço melhor do que esse, sogrinha.
   Rita passou os braços em volta dele timidamente e o abraçou forte. Depois olhou para Amanda e pegou sua mão.
- Amanda, eu...
- Não fala mais nada. Ele já explicou tudo. O que aconteceu entre vocês foi quase culpa minha, então eu tenho que desculpar.
- Ele te ama demais. Eu já te falei isso mil vezes...
- Eu sei... ela falou, olhando para ele, com um leve sorriso nos lábios.
- E o seu pai é a minha razão pra continuar vivendo. Eu não posso mais ficar sem ele.
- Também sei, ela disse sorrindo. – Esquece isso.
   Rita a abraçou forte novamente.
- Você não existe... Você está me tirando um peso de mil quilos das costas. Eu não acho que fiz nada de errado, quando ajudei o Marco naquela época. Pra mim foi só um ato de amor. Mas, quando a situação saiu da boca do Roni, me pareceu tudo tão sujo, tão imoral, que se chegasse aos ouvidos do seu pai ou aos seus, eu sei que vocês não iam e nem tinham obrigação de entender... Me desculpa...
- Esquece. Só continua fazendo o meu pai feliz.
- Eu vou, não tenha dúvida. Eu amo meu professor carequinha lindo demais.
   Amanda sorriu. Rita se levantou e lhe beijou o rosto. Abraçou Marco novamente.
- Amanhã a gente se vê na agência. Ah, e a Dalva vai vir pra cá amanhã cedo. Ele vai começar a ajudar vocês, não é?
- É.
- A nova moça que vai trabalhar lá em casa é muito legal também. Eu gostei dela, então, esperem pela Dalva. Ela está radiante por vir ajudar vocês.
- Também estou muito feliz. E... Rita?
- Oi?
- Que é que você vai fazer com o Roni?
   Rita respirou fundo e respondeu:
- Vai depender mais de vocês dois do que de mim. Eu sou empresária e não vou me deixar levar pela falha de caráter de um garoto inconsequente feito o Roni. A vida ainda vai ensinar pra ele como são as coisas. Ele é um rosto bonito que eu não quero desperdiçar. Só vou dispensá-lo se vocês quiserem.
   Amanda olhou para Marco e ele passou a mão pela nuca e disse:
- Eu não tenho nada contra ele. É muita pretensão da minha parte pedir pra você que o afaste da agência. Afinal de contas, o cara é um ótimo profissional. Só gostaria que ele deixasse a Amanda em paz.
   Amanda foi se apoiar no braço dele.
- Ele vai acabar se cansando de levar meus foras, amor. Nenhum homem aguenta isso por muito tempo. Eu vou ter uma conversa com ele, amanhã.
- Você?
- Eu, por que não? Eu, mais do que ninguém, tenho interesse de que essa novela acabe. E ele pode ser um moleque, inconsequente, mas deve querer continuar a carreira dele. Deixa comigo, ela disse com um sorriso de quem sabia o que dizia.

   Depois que Rita saiu, os dois jantaram e Marco resolveu ligar para a casa dos pais para saber de Antônio. Laila comunicou que o marido já estava dormindo e que estava tudo bem. Contou também que Benê tinha concordado em dormir aquela noite no quarto de hóspedes e voltar para Campinas só no dia seguinte.
   Marco ligou para Aldo também para saber de Débora e do bebê. Depois de se assegurar que tudo estava bem com ele, Débora e as crianças e prometer ao amigo que ele e Amanda iriam visitar Juliana logo que pudessem, ele desligou o telefone e foi para o quarto.
   Amanda estava penteando os cabelos diante do espelho e ele sentou-se na cama, olhando para ela. Ela olhou para ele pelo espelho e sorriu.
- O que foi?
   Ele apenas balançou a cabeça, sem responder. Amanda se voltou para ele.
- Está tudo bem com seu pai?
- Está... A gente podia dar uma chegada lá em casa, amanhã à noite, pra vê-lo. E o Aldo quer que a gente vá ver a Juliana ou alguma noite dessas ou no final de semana.
- A gente vai, ela disse, colocando a escova na penteadeira e se voltando para ele ainda sentada na banqueta.
   Marco ficou olhando para ela e parecia querer dizer alguma coisa, mas não disse. Ficou vasculhando seu rosto com os olhos, sem tocá-la.
- O que foi?
- Estou só tentando me convencer de que eu mereço você.
   Ela sorriu e o beijou docemente.
- Acho melhor a gente ir dormir.
- Eu não sei se vou conseguir dormir hoje.
- Por quê? Está sentindo alguma coisa?
- Não...
   Ela se levantou, ligou a luz do abajur e foi desligar a luz do quarto. Depois subiu na cama e entrou debaixo dos cobertores. Ele só a seguiu com os olhos, mas não se moveu.
- O que é que você tem, Marco?
- Nada...
- Então deita aqui.
   Ele se aproximou dela e se deitou por cima das cobertas, ainda olhando para ela como se a estivesse vendo pela primeira vez. Amanda sorriu e não se importou com isso. Aproximou o rosto do dele e o beijou longa e apaixonadamente. Ele tocou seu ombro e aos poucos a foi envolvendo num abraço apertado e quente por cima dos cobertores.
- Você não vai conseguir nada comigo assim, ela brincou.
   Ele riu e escorregou para debaixo das cobertas. Minutos depois, eles estavam deitados olhando de frente um para o outro e Amanda perguntou:
- Você vai demorar pra esquecer isso, não é?
   Ele apenas balançou a cabeça, confirmando, ainda muito sério. Em seguida ele falou, acariciando seu braço levemente.
- Dorme...
   Amanda fechou os olhos, segurando a mão direita dele e Marco chorou em silêncio, ainda não acreditando que aquilo fosse verdade. Demorou a dormir.
   Quando abriu os olhos, viu Rita deitada em sua frente no lugar dela e se assustou. Ela ergueu o rosto e o beijou na boca.
- Fica tranquilo, está tudo bem. Ela te ama... e eu também.
   Ele procurou por Amanda e quando virou-se e olhou para trás a viu deitada a seu lado atrás dele. Ela olhava para ele chorando e se levantou, saindo da cama e do quarto. Ele tentou gritar, mas a voz saiu difícil e fraca:
- Amanda!
   Acordou. Era só um sonho e ele respirou fundo suado. Amanda estava na mesma posição deitada ao lado dele. Marco passou a mão pelo rosto e olhou para o teto, para as estrelas que Amanda tinha colocado lá. Ele olhou de novo para ela, dormindo a seu lado e virou-se novamente. Fechou os olhos, mas não conseguiu dormir mais. O sonho não saia de sua cabeça.

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Velucy
Enviado por Velucy em 08/08/2017
Código do texto: T6077730
Classificação de conteúdo: seguro

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