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AMANDA IV - SEGREDOS - CAP. V


                                    V – SEGREDOS

                                    No dia seguinte, nenhum dos dois tinha mais aula e foram juntos para a RR, onde Amanda teria que gravar o comercial para a fábrica de refrigerantes, Coca-Cola, que teria um show de rock como cenário e a estorinha contada seria a de um casal jovem se encontrando e se paquerando nesse encontro. A garota seria Amanda e o rapaz seria Roni como protagonistas.
   O modelo ainda não tinha aparecido no set de gravação quando os dois chegaram e Marco particularmente sentiu Rita meio tensa quando a encontrou. Geralmente muito alegre e animada, sempre, ela recebeu o beijo do casal rapidamente e até Amanda percebeu que a madrasta estava diferente.
- Aconteceu alguma coisa, Rita? ela perguntou. – Você parece nervosa. Meu pai está bem?
- Não... Está tudo bem com ele. Eu acordei com uma leve dor de cabeça, mas já pedi pra Haidée me trazer um analgésico. Logo, logo, eu estou legal. Está pronta? ela perguntou, com um sorriso forçado.
- Acho que sim. O Roni já chegou?
- Não ainda. Mas deve estar a caminho. Pode ir pra maquiagem. Nós ainda temos uma hora. Vai.
   Amanda beijou Marco, tirou e entregou a aliança para ele e se afastou, indo para a tenda improvisada para ser o espaço exclusivo da maquiagem dos figurantes e participantes do clipe. Marco ficou olhando para Rita sem saber o que fazer, pois sabia o que se passava na cabeça dela. Rita não conseguia nem olhar para ele nos olhos.
- Que é que eu posso fazer pra te ajudar?
- Fica longe de mim, cuida da Amanda e... reza pra eu não matar o Roni, hoje.
- Fica calma, Rita. Você não pode ficar assim. As pessoas vão acabar desconfiando...
- Desconfiando do quê? Não tem nada pra desconfiar!
- Então relaxa!
- Eu só tenho medo da minha reação quando ele chegar. Eu nunca tive ódio de ninguém, mas esse garoto...
- Calma! Olha, eu... tentei começar a contar o que aconteceu com a gente no início do ano, pra Amanda, mas...
- Você o quê?
- Tentei contar a verdade, explicar pra ela que o que aconteceu... foi por minha culpa...
- Você ficou maluco, Marco? Isso acabaria com o seu casamento e com o meu!
- Eu prefiro que eu conte pra ela a versão do que realmente aconteceu, em vez do idiota do Roni que não sabe de nada e conte de maneira deturpada e totalmente equivocada, Rita!
- O que ele quer contar é mentira! Ele só quer dizer pra ela que nós temos um caso, o que é uma mentira! O que você ia contar realmente aconteceu! Você não pode fazer isso!
- Eu não posso viver com a tortura de pensar que uma criatura nociva como o Roni pode vir a acabar com a minha felicidade a qualquer momento, porque um dia eu fui fraco e não pude controlar meus instintos!
- Mas ele não sabe disso! E você não foi fraco, você foi humano! Você não pode contar sobre isso pra Amanda. Pelo amor de Deus, Marco.
   Ele passou a mão pelo rosto e respirou fundo. Haidée se aproximou dos dois e reparou que ambos estavam um pouco tensos.
- Olha aqui seu analgésico, Ritinha. Oi, gatinho! Está tudo bem por aqui, crianças?
- Está. O Kleber já chegou? Rita perguntou, pegando o comprimido na mão da assistente.
- Já, está com a equipe de gravação. Ele vai fazer as fotos durante a elaboração do clipe. Mas... o que foi que houve? Vocês estão com umas caras...
- Não houve nada, disse Rita. - Está tudo bem. Quero que você me ajude a definir de novo o lugar onde a Amanda vai ficar. Ela e o Roni têm que ficar bem na frente do palco, bem visíveis no meio dos jovens. Me ajuda?
- Claro.
   Rita se virou para Marco e pediu:
- Você pode me fazer um favor?
- Claro, o quê?
- Quando o Roni chegar, só diz pra ele onde eu estou e pede pra ele ir até lá ou direto pra maquiagem. Ele sabe o que tem que fazer.
   Meio a contragosto, ele concordou. Rita se afastou com Haidée. Marco resolveu ir até a tenda onde Amanda estava, mas viu Roni se aproximar, parecendo muito animado.
- Oi, desculpa o atraso, chefinho, o trânsito pra cá estava horrível. Eu tive que fazer umas coisas... Cadê a Rita?
- Perto do palco, esperando por você, mas ela disse que, se você quiser, pode ir indo pra maquiagem.
- Legal. A minha gata já chegou? ele perguntou, displicente, olhando em volta.
- Quem?
- Ah, desculpa... Eu quis dizer a Amanda. É que ela vai fazer o papel da garota que eu encontro no show no comercial e... escapou, desculpa. Foi sem querer. Ela já chegou?
- Está na maquiagem, Marco respondeu, tentando se conter.
- Então, eu vou direto pra lá. Assim a gente não se atrasa, não é? Estou doido pra começar.
   Ele ia se afastar, mas voltou e perguntou:
- A Rita já te contou as novidades, não?
- Que novidades?
- Contou sim, ela não ia ficar guardando isso só pra ela. Eu sei que vocês têm intimidade suficiente pra compartilhar uma coisa dessas.
- Do que você está falando?
   Roni riu cínico, e se aproximou mais de Marco, falando em voz baixa.
- Do segredinho de vocês que eu vou contar pra Amanda, se vocês dois me encherem o saco de novo.
   Marco o encarou, olhando-o nos olhos e disse:
- Que bom que caráter não aparece em foto nem em comercial de televisão, senão você estava morto pra publicidade.
   Roni sorriu cínico
- Quem bom que você já está morto pra publicidade... Ah, mas que pena, foi escolha sua mesmo. Você não quer ser modelo.
   O rapaz bateu no ombro dele e se afastou. Um grupo de jovens, que estava ali para fazerem figuração no comercial, se aproximou dos dois e começaram a pedir autógrafos para Roni, mas uma garota olhou para Marco e o reconheceu.
- Você é Marco Antônio Ramalho, não é? Do comercial da Bunny’s?
- Sou... ele disse, sorrindo sem graça.
- Me dá um autógrafo? Eu te acho um gato. Amei esse comercial.
   Ele concordou e vários jovens se voltaram para ele também. Marco começou a autografar pequenas folhas de papel que eles lhe entregavam e ainda conseguiu ver Roni que, ao se afastar, ainda disse, sem som na voz, apenas com o movimento dos lábios:
- Curte... enquanto pode!
   Quando o grupo de jovens se dispersou, Marco ficou sozinho, sem saber para onde ir e o que fazer. Maria Eugênia chegou e se aproximou dele por trás. Ela tocou seu ombro de leve.
- Está perdido, gato?
   Marco se voltou para ela, assustado.
- Oi... Tudo bem? É, acho que estou um pouco. Nunca vi tanta gente junta num lugar só. Da última vez foi no meu casamento...
- Você nunca foi a um show de rock?
- Não.
- É muito bom. Uma verdadeira viagem! Só perde pra sexo.
- O que você está fazendo aqui? - ele desconversou.
- Vim fazer parte da figuração. Pedi pra Rita e ela deixou. Vai ser divertido. Eu conheço a banda que vai tocar durante a gravação do clipe.
- Mas... dura só uns minutos...
- Eu não estou fazendo nada mesmo. Cadê a Amanda?
- Na maquiagem.
- Você está legal? Você parece meio perdido... assustado mesmo.
- Não, está tudo bem.
- E a Rita?
- Perto do palco com a Haidée. O Kleber também deve estar lá.
   Amanda saiu da tenda e se aproximou dos dois, já maquiada e com os cabelos soltos, muito bonita.
- Oi, Maria Eugênia!
- Oi, você está linda!
- Obrigada. Está fazendo o que aqui? ela perguntou, segurando a mão de Marco.
- Vim assistir ao show também. Vou ficar misturada no meio da galera. Fazer número.
- Uma modelo, fazendo número...? Que estranho. A Rita sabe disso?
- Eu pedi pra ela. Pode ficar descansada que eu não quero aparecer. Vou só curtir mesmo.
- Vai indo pro set, Amanda, disse Marco. - A Rita está esperando por você perto do palco.
- Não vejo a hora de acabar. O Roni está insuportável, hoje. Até parece que a conversa que a gente teve com a Rita não adiantou de nada. Acredita que ele entrou na tenda de maquiagem, me chamou de princesa e me beijou no rosto! Ele é um abusado mesmo!
- Fica calma, amor. No meio de tanta gente, ele não pode fazer muita coisa. Ele é só um cretino. Vai.
   Ela o beijou e viu Haidée se aproximar para buscá-la.
- O Roni está dando trabalho? Maria Eugênia perguntou.
- Você nem imagina...
- Você está suando. Eu não sei como você foi se meter a ser publicitário, trabalhar numa agência em que a sua namorada é a garota mais bonita e ainda aguentar um calhorda lindo como o Roni dando em cima dela. Que matéria você mais gosta na faculdade: Masoquismo I?
   Marco riu, passando a mão pelo rosto.
- Pode crer. Você tem toda razão.
   Roni saiu da tenda também e aproximou-se deles.
- Oi, gata! Veio me ver?
   Ele segurou a modelo pela cintura e a beijou na boca sem cerimônia. Ação que a própria moça não pode prever nem evitar.
- Oi, Roni, tudo bem? ela disse, sem jeito, procurando se afastar dele.
- Tudo. Dá licença que eu estou com um pouquinho de pressa. O trabalho me chama. A Amanda já está lá? ele perguntou, olhando para Marco.
   O rapaz só confirmou acenando com a cabeça. Roni fez o sinal de positivo com a mão, sorriu e se afastou. Marco fechou os olhos e respirou fundo, não aguentando mais aquela situação. Maria Eugênia ficou observando sua reação e perguntou:
- Você está bem mesmo?
- Eu queria estar a quilômetros daqui.
- Eu estou vendo, mas fica calmo, como você mesmo disse pra ela. O Roni é realmente um cretino.
   Ele ficou em silêncio.
- Bom, eu vou indo pra lá... Até já.
- Tchau, bom show.

   O comercial foi gravado e tudo levou quase duas horas para acontecer. Rita teve que mostrar muito profissionalismo e ficou tranquila o tempo todo. Quando a gravação terminou, ela avisou que ia voltar para a agência para descansar da dor de cabeça e foi embora com Haidée. Kleber e Maria Eugênia se encontraram com Marco no trailer e ele perguntou:
- E a Amanda?
- Ficou com o Roni lá no set, Kleber respondeu. - Uma porção de gente cercou os dois pra pedir autógrafo.
- Ela ficou sozinha com ele?
- Não... tem... um monte de gente lá...
   Marco não esperou para ouvir o resto da frase e foi rapidamente até perto do palco.
- O Marco vai acabar fazendo uma besteira... disse Maria Eugênia, apreensiva.
- Está falando do quê? - Kleber perguntou, totalmente alheio à situação.
   Ela não disse mais nada, olhando na direção que ele tinha ido.
   Quando Marco chegou perto do palco, viu de longe o grupo de pessoas que cercava Amanda e Roni e, de início, não viu nada errado. Esperou. Quando os dois conseguiram dispersar as pessoas, ele viu Roni colocar o braço nas costas de Amanda e dizer alguma coisa bem perto de seu ouvido e lhe dar um beijo rápido no rosto. Marco não aguentou e se aproximou dos dois. Puxou Roni pelo ombro com força e o fez olhar para ele.
- Tira as mãos dela!
   Roni olhou para ele surpreso.
- Ei, calma! Eu só estava agradecendo e dando os parabéns a ela por ter ficado tudo tão bom!
   Marco puxou Amanda pela mão e a fez ficar atrás dele.
- Não encosta mais a mão nela. Estou te avisando pela última vez.
- Senão o quê? - Roni o encarou. – Você vai fazer o quê, garoto? Vai correndo contar pra priminha, vai?
   Marco ia investir contra ele, mas Amanda o segurou pelo braço.
- Marco, não! Calma! Está tudo bem. Foi isso mesmo. Ele só me agradeceu por tudo, porque o clipe saiu muito legal. Está tudo bem, amor!
- Pra que o beijo? Isso não era necessário!
- Foi só um beijo no rosto, Marco. Por mim, fica calmo...
- Acho bom ficar mesmo, Roni disse. - Você sabe que eu já estou cheio de você e sabe o que pode acontecer. Fica bem tranquilinho.
   Ele olhou para Amanda e tocou sua mão.
- Obrigado por tudo mesmo, gata. Você estava ótima!
   Ele trocou outro olhar de desafio com Marco e se afastou. Amanda abraçou o marido.
- Está mais calmo?
   Ele não respondeu.
- Me beija, Marco, ela pediu.
   Ele o fez e ela prolongou o beijo um pouco mais, tentando acalmá-lo. Kleber e Maria Eugênia se aproximaram dos dois.
- Está tudo bem por aqui? Kleber perguntou.
- Está, Kleber, Amanda respondeu, porque Marco não conseguia nem pensar, imagine falar.
   O coração dele batia acelerado e a garganta estava seca.
- Mesmo, chapa? - ele perguntou, batendo no braço de Marco.
- Vamos voltar pra RR. A Rita deve estar precisando da gente.

   Chegando à agência, Marco e Amanda foram diretos para a sala dele, a pedido dela. Ela pegou um copo de água e entregou para ele, que se sentou atrás de sua mesa e bebeu a água, depois se encostou-se na cadeira.
- Eu me vi tentando apartar vocês dois, lá no set de filmagem, Marco. Você precisa se controlar. O Roni não merece que você chegue ao extremo de brigar em público. Ele não é o Otávio. Nem o Otávio merecia isso.
- Fácil falar.
- E tem que pelo menos ser possível fazer. Se você não pode, como nunca pôde proteger seu próprio nariz de encrenca, por você mesmo, faz isso por mim, pelo menos.
   Marco riu, lembrando-se da época do colégio e Amanda riu também, mesmo sem querer.
- Não tem graça nenhuma. Eu estou falando sério! Eu não quero passar por aquilo de novo, Marco. Você é meu marido agora. As coisas tinham que ser mais tranquilas. A gente está junto agora, amor.
- Me perdoa... ele disse, estendendo a mão para ela.
   Amanda a segurou e ele a puxou, fazendo-a sentar em seu colo.
- Que é que ele quis dizer com: “Você sabe o que pode acontecer.”? Parecia uma ameaça.
- Não tenho a mínima ideia. Acho melhor a gente ir ver a Rita.

   Marco e Amanda foram até a sala de Rita. Chegando lá, ela estava discutindo com Roni.
- Eu acho que eu mereço isso, ele disse, apontando para o próprio peito.
- O valor do cachê já tinha sido acertado, Roni. A gente não pode mudar mais o que foi acordado! Nunca fizemos isso com ninguém. Não é ético.
- Acontece que eu tenho dado de tudo por essa agência e a minha imagem tem muito valor aqui dentro, e tem dado muito lucro pra vocês.
- Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Você está misturando tudo.
- A Coca-Cola é uma empresa bilionária. Uma multinacional. Você pode muito bem tirar uma porcentagem do que vai ganhar deles.
- Eu não vou fazer nenhuma modificação. Não vou renegociar nada! Se você não está contente...
   Ela parou, quando Marco e Amanda entraram na sala.
- Pronto, chegou alguém que pode me dizer se eu estou errada no valor que eu estou pagando a você ou não. Amanda, o Roni acha que esse comercial vale mais do que eu estou pagando a vocês. Você concorda?
- Não... ela respondeu. - Por que valeria mais? Isso já tinha sido discutido.
- Porque ele vai passar no Brasil inteiro, não só aqui em São Paulo, disse Roni.
- Essa diferença já foi considerada, Roni, Rita falou. - Ninguém está sendo lesado aqui. E eu não faria isso com a minha própria enteada, pelo amor de Deus!
- O comercial da Bunny’s no início do ano teve quase o mesmo valor e você conseguiu pagar o cachê de um monte de gente, inclusive o meu, o do Hugo Lins e o do Marco, sem contar o da Amanda. Estou errado?
- Essa conversa de novo...? Marco falou em voz baixa.
- Eu me recuso a falar sobre isso novamente. Esse assunto já está esgotado. Eu não vou mudar um milímetro da minha decisão. Se você não está contente, sou até capaz de pagar a rescisão do seu contrato, mas prefiro que você deixe a RR.
- Rita! - Marco interveio, temendo que aquela decisão pudesse detonar a bomba que Roni tinha colocado pairando sobre suas cabeças.
   Roni sorriu, olhou para Marco e depois para ela de novo.
- Seria ótimo se eu fizesse isso, não? Mas não, não vou discutir. Eu ainda quero me divertir muito com a cara de vocês, por aqui.
   Ele ia sair da sala, mas ao passar por Marco, ele segurou seu braço.
- Espera um pouco, Roni.
   Roni olhou para a mão dele e depois em seus olhos.
- Larga o meu braço.
- Com todo prazer, Marco falou, soltando o braço dele. – Só que eu já estou cheio de você, tanto ou mais do que você está cheio de mim. E eu sei que, se tem alguém sobrando nessa estória, esse alguém sou eu.
- Marco... Rita ia começar a falar.
- Me deixa falar, Rita. Eu decidi fazer Publicidade e Propaganda por sua causa e por causa da fé que você tinha e tem na Amanda. E eu estou fazendo o que eu gosto, num lugar que eu amo, mas a RR não é a única agência de publicidade que existe em São Paulo e eu estou disposto a tentar meu estágio em outra agência qualquer e acabar com essa pressão.
- Marco, você não vai fazer isso, Rita disse.
- Vou, Rita. Eu não aguento mais esse cara me olhando torto toda vez que me vê.
- E vai deixar sua mulherzinha sozinha, aqui? Roni perguntou.
- Ela não está sozinha, ele respondeu, olhando para Amanda, que também não entendia aquela decisão.
- Se você for, eu vou também, Amanda disse, aproximando-se dele e segurando seu braço.
- Não diz bobagem. Você fez uma carreira aqui. Você fica.
- Isso não é justo! - Rita disse, batendo na mesa com força. – Você não vai sair da RR por causa desse... moleque imaturo que não vê mais nada a não ser o seu próprio umbigo.
   Roni começou a bater palmas lentamente e disse:
- Bravo! Estou gostando do show. Você tem talento, Marco, não devia ter se recusado com tanta convicção de ser garoto propaganda. Ficar fora daqui fica mais conveniente pra você mesmo.
- Do que você está falando, Roni? Amanda perguntou.
   Roni ia começar a falar, mas Marco se antecipou:
- Vê bem o que você vai dizer. Dependendo do que seja, eu posso perder o resto muito pequeno que eu ainda tenho de paciência e você pode vir a ficar algum tempo sem fotografar.
- Marco... Amanda disse, pressionando o braço dele.
- É que ele tem medo que eu diga coisas que eu sei e que não seriam interessantes pra ele que você soubesse, Amanda.
- O quê? ela perguntou.
- Roni, para com isso, disse Rita. – Você não sabe o que está fazendo.
- Eu posso não saber, mas vocês sabem o que fizeram.
   Marco não conseguiu mais segurar a raiva do rapaz e ia avançando sobre ele, mas Amanda o segurou novamente.
- Não, Marco! Para! Roni, do que você está falando?
- Fala logo então o que você quer falar, idiota! - Marco gritou. - Acaba logo com isso!
- Não, Marco, você não está pensando, disse Rita.
- Eu não sei se consigo mais viver assim, Rita. Eu passei um final de semana horrível. Quase perdi meu pai e ainda tive que ficar pensando no que fazer pra me livrar desse... cretino de olhos azuis!
- Mas o que está acontecendo afinal? Amanda perguntou.
- Fala, Roni. Conta o que você está tão ansioso pra contar, Marco incentivou.
   O rapaz olhou para ele, para Rita e finalmente para Amanda.
- Não... Rita sussurrou, quase chorando.
- Você sabia, Amanda, que seu maridinho não é tão fiel a você como ele quer que todo mundo acredite?
   Marco não se segurou mais, soltou-se das mãos da mulher e lhe deu um soco no rosto com vontade.
- Marco! Amanda gritou.
   Roni caiu no sofá, colocado a mão na boca. Quando a viu suja de sangue, disse, em voz baixa:
- Filho da mãe!
   Rita pegou o telefone e ligou para a segurança. Roni ia investir contra Marco, mas Amanda ficou entre os dois e tentou empurrar o marido para longe dele.
- Parem com isso! ela gritou. – Pelo amor de Deus!
   Rita largou o telefone e correu para ajudar a apartar os dois, segurando Roni.
- Chega! gritou.
   Ouvindo o barulho que vinha da sala ao lado, Haidée e Maria Eugênia que estavam no estúdio foram até lá, seguindo o segurança que atendia ao chamado de Rita. O rapaz só precisou estar ali para assegurar de que nada mais fosse acontecer, porque Marco já tinha parado e Roni só não investia contra ele, porque Amanda e Rita estavam entre os dois.
- Você acabou de cavar o primeiro buraco da sua cova, Marco. Isso não vai ficar assim, Roni disse.
- O que foi que aconteceu aqui? Haidée perguntou, assustada, vendo o sangue no rosto do rapaz e indo pegar um lenço de papel e entregando a ele. – O que foi isso, meu Deus?
- Não foi nada, Haidée. Já está tudo bem.
- Vamos sair daqui, Marco, Amanda pediu, nervosa, mas firme.
- Não precisa, Amanda, Roni disse. – Eu vou embora... Mas eu volto e a gente vai ver quem vai ficar pior nessa história.
- Você devia terminar então o que começou a dizer, ela falou. – Eu conheço o caráter do Marco e conheço o seu. Dependendo do que você quer falar, vamos ver em quem eu acredito.
   Roni olhou para ela e depois para Marco e balançou a cabeça.
- Deixa pra lá...
- Não, agora você fala, termina! Ninguém vai mais encostar em você, eu garanto. O que você tem a dizer sobre a fidelidade do meu marido?
- Eu só queria que você ficasse esperta. Nem tudo aqui nessa agência é tão lindo quanto parece. A começar pela conduta da dona e de certos funcionários.
   Marco fechou os olhos e encostou-se na parede. Roni saiu da sala.
- Do que ele está falando, Rita? - Haidée perguntou.
   Rita olhava para Marco e respondeu:
- Nada que se possa dar crédito, Haidée. Esse garoto não pisa mais na minha agência. Eu vou pra casa. A minha dor de cabeça piorou. Você pode ficar aqui pelo resto da tarde pra mim? Depois a gente conversa.
- Fico...
- Eu vou com você, Rita, disse Maria Eugênia.
   As duas saíram. Marco foi se sentar no sofá e colocou as mãos no rosto.
- O que foi que aconteceu aqui, gente? Amanda...
- Nem eu entendi direito, Haidée, disse Amanda se sentando do lado do marido. – O que ele quis dizer com isso, Marco? Eu ainda não entendi nada.
- O propósito dele é colocar areia na relação entre você, eu e a Rita. O cara não sabe o que diz. Ele nunca foi feliz e não sabe ficar perto de quem é.
- Mas ele falou com tanta convicção como se soubesse de alguma coisa.
- Eu não sei... Você pensa o que você quiser, Amanda. Você mesma disse que... conhece o meu caráter e o dele. Tire as suas próprias conclusões.
- Gente, onde esse menino foi arrumar essa historinha bizarra sobre a conduta da Rita? Não tem ninguém mais honesta que ela. E de que funcionário ele estava falando?
- De mim, Marco respondeu.
- Você? Mas por que você? Você é praticamente filho da Rita. Essa estória está muito esquisita. Ele deve ter bebido muita Coca-Cola na gravação do comercial.
   Marco sorriu e apoiou os braços nos joelhos, unindo as mãos cruzadas e olhando para o chão.
- Eu vou pra casa, Amanda falou. – Eu estou cansada. Você se importa?
- Não... Pode ir. À noite, a gente conversa.
- Eu vou passar no Paralelo primeiro pra falar com meu pai sobre a formatura. Vou ficar com ele lá a tarde toda. Depois você passa no colégio e me pega?
- Tá bom.
   Ela o beijou e beijou Haidée, saindo em seguida. Marco ficou sentado no mesmo lugar e a assistente de Rita sentou-se do lado dele.
- O que deu na cabeça do Roni de inventar isso, agora, Marco? Qual é a dele?
- Infernizar a minha vida, o que mais?
   Kleber entrou na sala e disse, muito eufórico:
- Gente, a edição do comercial está ficando muito legal! A Amanda está arrasando! Ela ficou muito gata!
   Ao ver que Rita não estava, ele perguntou:
- Ué! Cadê a Rita?
- Foi pra casa. Estava com dor de cabeça desde cedo. Foi descansar.
- Mas que caras são essas? - perguntou ele, sentando do lado de Marco também. – Que é que você tem, cara?
- O Roni atacou novamente, Haidée respondeu no lugar dele.
- O que foi que ele fez dessa vez?
- Eu não sei bem, mas o Marco acertou a cara do bonitinho que o olhinho azul dele vai ficar meio roxo por uns dias, ela disse com um ar de criança sapeca.
- Você bateu nele, Marco?
- Gente, eu não quero falar sobre isso, não. A situação é bem mais séria do que vocês pensam. E, querem saber? Eu vou pra minha sala. Se precisar de alguma coisa, me chama, Haidée.
   Marco levantou-se e saiu da sala.

             *************************************
Velucy
Enviado por Velucy em 07/08/2017
Código do texto: T6076945
Classificação de conteúdo: seguro

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