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AMANDA III - FINAL - MINHA GATA CHAMADA AMANDA

                             
                          XV – MINHA GATA CHAMADA AMANDA

                                     Rita chegou com a equipe uma hora depois
e conversou com todo mundo antes de dispensá-los todos.
- Quero que todo mundo vá pra casa descansar, namorar, dançar, fazer tudo que tem direito, mas, segunda-feira, todo mundo aqui, hein? Obrigada por tudo. Vocês todos são ótimos. Valeu cada minuto lá em Campos.
- Até o nosso imprevisto? perguntou Gustavo.
- Até isso! Mostrou que o carro da agência tem que ir rapidamente para a revisão e isso vai ser providenciado, imediatamente, Gu. Vai descansar. Deixa o material que você fez no estúdio pra revelação que segunda-feira eu reviso tudo. Obrigada.
   Todo mundo foi se despedindo de Rita. Amanda estava na sala também, encostada em Marco que a envolvia num abraço e Gustavo chegou perto dela, segurando sua mão.
- Tchau, gata, você estava espetacular! Você tinha que ter estado lá, Marco. Tua garota é um arraso, meu!
   Marco apenas sorriu, orgulhoso. Gustavo a beijou no rosto, cumprimentou Marco com um aperto de mão, bateu em seu braço e afastou-se com os outros. Todos saíram da sala, animados e barulhentos, ficando apenas Haidée, Kleber, Maria Eugênia, Marco, Amanda e Roni que já tinha sido informado que pela própria Rita que teria uma conversa com ela. Rita aproximou-se de Maria Eugênia.
- Como é que você está, minha linda? Rita perguntou, abraçando a moça efusivamente. – Que saudade!
- Estou bem, ela respondeu, sorrindo.
- Já conseguiu descansar? Eu sei que a coisa lá é barra.
- Já, sim.
- Seus pais estão bem? Eu soube que o Danilo viajou de novo.
- Singapura, mas ele volta em um mês. Vai ser rapidinho dessa vez.
- E sua mãe? Elétrica como sempre?
- Está ótima, mandou um beijo.
- Você já conheceu o Marco e a Amanda, claro.
- Já, a gente já conversou muito.
- Ela é a minha maior revelação em 88 e ele é meu priminho querido, que por acaso já tinha fisgado ela pra ele, antes de eu chegar. Vê se pode! Isso só mostra que o olhar publicitário dele já vem de berço. Está na família.
   Todos riram.
- Eu quero que você me espere lá no estúdio com o Kleber que eu tenho que ter uma pequena reuniãozinha aqui com os meus modelos. Vai ser coisa rápida. Quero conversar muito com você ainda sobre isso, ahn? - Rita levantou a revista Playboy que estava sobre sua mesa. - Ficou muito linda. Me espera lá, ok? Me dá só meia horinha.
   Kleber saiu com Maria Eugênia e Marco ia saindo também, mas Rita perguntou:
- Não quer ficar, Marco? Pode interessar a você também.
- Eu prefiro não ficar, Rita. A Amanda me conta depois.
- Tudo bem.
   Ele beijou Amanda longamente e se afastou dela, passando por Roni sem olhar para ele, saindo da sala.
- Senta, Amanda. Eu espero que seja uma conversa bem rápida. Mas é melhor você sentar.
   Amanda se sentou ao lado de Haidée. Roni ficou em pé, apoiado no encosto do sofá em que elas estavam.
- Quer que eu saia também, Rita? Haidée perguntou.
- Não, essa conversa é profissional. Minha assistente tem que ouvir pra colocar numa ata que o Roni e a Amanda vão assinar depois.
- O que pode ser tão sério assim? ele perguntou.
- O teu comportamento aqui dentro da RR em relação a Amanda. Eu só quero que fique bem clara uma coisa. Eu tenho ouvido de várias pessoas que trabalham aqui dentro comigo que você se comporta de um jeito na minha frente, mas de outro por trás das minhas costas. A Amanda é minha modelo, modelo da RR, mas também é minha enteada e eu sou responsável por ela.
- Ela é casada...
- Pior ainda! Ainda bem que você mesmo disse. Ela é casada e merece todo o respeito de cada modelo ou profissional dessa agência como qualquer outro modelo merece, inclusive de você.
- Eu não faço nada demais com a Amanda.
- Não é o que dizem os colegas que trabalham com vocês. É só eu dar as costas e você toma certas liberdades com ela que não devem ser aceitas nem por uma moça solteira de respeito. Estou errada, Amanda?
- Eu nem ligo mais pra isso, Rita, finjo que não é comigo, mas às vezes dá vontade de sair correndo.
   Amanda olhou para ele, mas falou meio constrangida.
- Satisfeito? Rita perguntou a ele. – Se o Marco descobre que isso está acontecendo, eu não quero estar na sua pele. Então, esse vai ser o desfecho: ou você para de assediar a Amanda desse jeito, ou você está fora do comercial da Coca-Cola e de todos os outros projetos da RR que você possa vir a fazer com ela. É meu último aviso, porque eu já tinha falado com você a respeito. Ou você cresce, ou vai ter que arranjar outra agência pra trabalhar. E olha que eu vou sentir muito em perder você. Estamos de acordo?
   Ele balançou a cabeça afirmativamente. Amanda ajeitou os cabelos e pediu:
- Eu posso ir, Rita? Eu e o Marco vamos passar a noite na casa dos pais dele, porque a bebê da Débora vai nascer e a mãe dele precisa de ajuda.
- Claro, meu bem. Pode ir. Até segunda. Bom final de semana, amor. Você também pode ir, Haidée. Até segunda.
   Elas se despediram com um beijo e Amanda saiu da sala com Haidée.
- Você pode ir também, Roni. Segunda-feira a gente começa a gravar o comercial da Coca-Cola.
- Eu queria ter uma palavrinha com você antes, dá pra ser? ele falou aproximando-se da mesa dela.
- Claro. O que é?
- Eu só vivo levando bronca por conta de gostar da Amanda e paquerar ela de vez em quando, mas eu nunca arranquei pedaço nem encostei nela. O que ela diria se soubesse que o maridinho dela e a madrasta têm um pequeno affair?
   Rita franziu a testa e levantou-se da cadeira lentamente.
- Do que você está falando?
- Esse chamego seu exagerado com o Marco Ramalho. Tem alguma por trás disso, não tem? Algo mais do que relacionamento entre primo e prima, não é?
- Você ficou maluco. Não tem ideia do que está dizendo. Eu amo o Marco com a um filho. Ele tem idade pra ser meu filho.
- Eu já vi muita mulher de mais de trinta se relacionar com caras mais jovens numa boa, até se casarem. Você é muito bonita e ele é mais novo, mas é homem.
- Você queria muito que isso fosse verdade, não é? Que mente pequena que você tem, garoto.
- Eu me enchi de ser acusado por tudo de errado que acontece nessa agência e de ser passado pra trás toda vez que o priminho tem uma ideia brilhante e pede alguma coisa pra você.
- Você não pode provar nada do que você está dizendo.
- Eu não preciso provar. Está na frente dos olhos de qualquer um que queira ver. Basta eu lançar a suspeita pra Amanda e ela vai começar a perceber que o que eu falo é verdade.
- Eu sou casada com o pai dela, seu idiota!
- E daí? Tem tantos jeitos de encobrir uma escapadinha de vem em quando. Você viaja muito, ele tem a faculdade de manhã...
- Sai da minha sala, Roni, Rita falou, em voz baixa, olhando fixamente para ele.
- Eu vou sair, mas eu acho bom você parar com essa perseguição contra mim ou eu vou abrir o verbo pra Amanda e aí a gente vai ver qual casamento acaba primeiro. O dela ou o seu. Ou, melhor ainda: os dois...
   Ela ficou muda de indignação.
- Tchau, chefinha.
   Roni sorriu cínico e deu as costas, saindo da sala. Rita sentou-se pesadamente na cadeira e colocou as mãos no rosto, paralisada de indignação e medo.

   Quando Amanda foi procurar por Marco para irem embora, encontrou-o no estúdio com Kleber e Maria Eugênia. Ela entrou e se abraçou com ele. Marco a achou estranha e perguntou:
- Que foi, amor?
- Nada... Vamos embora?
- O que vocês conversaram? A Rita brigou com você?
- Não, eu não fiz nada pra isso. Vamos indo. Em casa eu te conto. Me dá minha aliança?
   Ele tirou a aliança do bolso da camisa, beijou e colocou no dedo dela.
 - Vamos indo então. Tchau, Kleber. Tchau, Maria Eugênia. A gente se vê na segunda.
- Tchau, casal vinte, Kleber brincou.
   Eles saíram. Maria Eugênia estava sentada no balcão do espelho e perguntou:
- Ele carrega a aliança pra ela? Por quê?
- Ela é modelo e não pega bem aparecer com a aliança na mão esquerda numa foto, por exemplo, e nem num clipe ou jingle. O cliente pode não gostar. Então ela tira, entrega pra ele, e quando ela volta a ser um ser humano normal, ele devolve.
- Que romântico... ela suspirou.
   Kleber sorriu e convidou:
- Que tal esticar a noite numa balada legal? Dançar muito num lugarzinho bacana que eu conheço aqui perto, hein?
- Estou dentro, ela disse animada. - Vamos lá.

   No carro, indo para Santo Amaro, Marco quis saber por que Amanda estava tão triste, depois da conversa tida com Rita.
- Que foi que a Rita falou que te deixou tão triste, Amanda?
- Não foi o que ela falou. É que... lembra quando meu pai quis explicar pro Otávio que a gente tinha que se separar porque eu não gostava mais dele. Eu me senti na mesma situação hoje. Às vezes, dá vontade de ser velha e feia, banguela e gorda, só pra não ter mais que passar por isso.
   Marco riu.
- Que revolta estranha, amor. Jura que você queria isso?
- Ah, você entendeu, ela disse, segurando o braço dele e encostado a cabeça em seu ombro.
- Entendi sim. Eu também me senti assim, quando soube que a Lídia gostava de mim, a Cleo... quando o Alberto morreu. É muito frustrante você ver alguém se apaixonar por você e não poder evitar isso, só porque você tem um modelo de beleza que é o ideal pra maioria das pessoas. Mas você tem mais é que agradecer a Deus pelo que Ele te deu e tentar usar isso da maneira mais humilde e positiva possível, sem arrogância, sem orgulho exagerado. Ser bonita por dentro também, sempre. E isso eu sei que você já é.
- Você acha?
- Por que você acha que eu me apaixonei por você?
- Não foi só pelos meus lindos olhos verdes? ela perguntou, sorrindo  levantado os olhos para ele.
- Não... Foi pelo conjunto da obra. Pelo coração e eu tive a sorte de vir junto com os olhos lindos, o nariz pequeno... a boca perfeita, o cabelo macio, as mãos que, quando me tocam, me deixam louco, as pernas...
- Chega! - ela interrompeu.
- Ah, agora que eu estava na parte legal... ele disse, sorrindo malicioso, encostando o queixo em sua testa e beijando-a.
   Amanda riu e ele também. Marco segurou a mão dela e dirigiu em silêncio, até chegar à casa do pai.

   O Escort estacionou na garagem atrás do Monza de Antônio e os dois entraram na casa. Ao entrarem, os dois já viram Débora sentada na sala com Júlio César brincando no tapete perto dela.
- Nossa! Tem lugar pra gente entrar aqui, com tanta barriga? Marco perguntou, brincando com ela.
   Os dois se aproximaram. Amanda se sentou devagar ao lado dela e lhe beijou o rosto.
- Oi, amiga, como é que você está?
- Quase explodindo! Débora se queixou, mas sorrindo.
   Marco a beijou também e pegou Júlio no colo, erguendo o menino no ar, beijando várias vezes sua barriga por baixo da camiseta. O menino riu alto sentindo cócegas.
- Fala, garotão! Cadê todo mundo, Débora?
- A dona Laila está aí na cozinha, terminando a janta, e seo Antônio está tomando banho.
- A Mariana dever estar fazendo o que ela sabe fazer de melhor: dormir! Acertei?
- Você conhece bem sua irmã, ela declarou acariciando a barriga enorme.
- Ela é das minhas, aprendeu comigo, disse ele indo para a cozinha atrás da mãe.
   Amanda deslizou a mão pela barriga de Débora e encostou o ouvido nela.
- Nem acredito que ela vai estar aqui amanhã... Oi, Juju!
- Nem eu... não aguento mais! Débora disse rindo.
   Marco entrou na cozinha e viu a mãe apanhando uma tigela de arroz numa prateleira no alto do armário e ele adiantou-se para pegar para ela e a colocou em cima da mesa.
- Obrigado, filho. Que bom que vocês chegaram.
   Ela se voltou e abraçou-se a ele. Marco beijou seu rosto.
- Tudo bem, gata?
- Meio confusa, mas eu me ajeito.
- Essa cozinha nunca esteve tão cheia de utensílios infantis. Agora eu entendo porque vocês não quiseram ter mais filhos antes.
- Não foi bem por isso, bobo. E é por pouco tempo.
- Não sei não...
- Por quê? ela perguntou olhando rapidamente para ele.
- A Amanda esqueceu de tomar a pílula ontem...
   Laila ficou olhando para ele, que colocava Júlio sobre a mesa, sem olhar para ela.
- Marco!
- Calma, não é certeza ainda, dona Laila. Tem que esperar um pouco, não tem? Mas...
- Filho, não brinca com isso. Um filho é uma coisa muito séria... Você dois são muito novinhos ainda...
- Eu sei, mãe, mas ela chegou de viagem ontem de surpresa e aconteceu... A gente nem pensou nisso... Ela esqueceu de tomar a pílula em Campos...
- Mas tem que pensar, sempre. Isso é muito importante. Você tem que pensar em você e nela. Ainda estão começando a vida. Você está começando a faculdade e ela é modelo. Ainda precisa do corpo na profissão dela.
- Eu sei... Pode deixar. Eu penso em tudo isso. Mas acho que não vai acontecer nada não.
- E se acontecer?
- Que é que você quer que eu faça? ele disse rindo e dando de ombros.
   Júlio César esticou o braço em direção ao filtro de água.
- Quer água? Marco perguntou.
   O menino apenas acenou com a cabeça que sim. Ele ainda não falava.
- Quer mesmo ou está me enrolando?
   Júlio forçou o corpo para alcançar o filtro e fez manha, choramingando, dengoso.
- Calma, JC, eu já pego.
   Marco pegou um copo com água e o ajudou a beber, mas ele bebeu só um pouco e não quis mais, quis ficar em pé na mesa, apoiando-se no padrinho.
- Estava me enrolando, não é? - Marco disse, bebendo o restante da água. Colocou o copo sobre a pia e pegou o menino no colo. – Como é que você ia dar conta desse terremoto sozinha, mãe? Ele deve ter puxado ao André.
   Marco foi para a sala com o afilhado. Passou por Amanda que foi cumprimentar a sogra. Laila sorriu e a beijou.
- Tudo bem, filha?
- Tudo e a senhora? Estava com saudade.
- Eu também. Como foi lá em Campos?
- Foi ótimo.
- Como vai a Rita?
- Bem. Mandou um beijo pra senhora. Tem alguma coisa que eu possa fazer aqui?
- Eu queria só preparar uma salada rápida. Você me ajuda? O Marco adora.
- Adora mesmo. Acho que o olho dele é verde de tanto comer verdura.
   Laila riu, apanhando a alface na geladeira e passando para ela que já ia lavando as mãos.

   Na sala, Marco havia colocado Júlio César no chão e sentou-se no sofá, ao lado de Débora. O menino começou a gatinhar no tapete e ele perguntou:
- Nada de andar ainda? Que cara preguiçoso.
- Nada. Ele se apoia nas coisas, mas cansa logo e senta de novo, ela disse, massageando a barriga.
- Não anda, não fala... Você veio pro mundo pra assistir a vida de camarote, meu?
   O menino olhou para ele com um chocalho na mão. Marco mostrou a língua para ele e o menino riu gostoso colocando o brinquedo na boca.
- Não é engraçado.
   Débora sorriu, divertindo-se com a relação entre o amigo e o filho.
- E o Aldo? Marco perguntou.
- Ele disse que não vai poder vir hoje, porque teve que fazer uma hora extra lá no trabalho. De lá ele vai pra casa e amanhã vem me pegar logo cedo.
- Legal...
   Júlio gatinhou até perto deles, apoiou-se nas pernas de Marco e se levantou do chão.
- Você falou que meu pai estava tomando banho?
- Já deve ter terminado. Deve estar no quarto se trocando. Vai até lá.
- Vou... Vamos, eu e o Júlio.
   Ele se levantou e segurou o afilhado pelas mãos, apoiando-o e forçando-o a andar.
- Vem...
   Júlio deu alguns passos tímidos e quis se sentar, mas Marco o impediu:
- Não, não vai sentar de novo não. Vem andando... Você tem perna pra quê?
   O garoto resmungou e quando se viu sem o apoio do sofá, quis chorar e voltar para a mãe.
- Então vai pra mãe, mas vai andando.
  Marco soltou uma das mãos do garoto e o apoiou com apenas uma e Júlio já não sabia se segurava a mão dele ou se corria para Débora.
- Vai, vai pra mãe. Ela está logo ali. Dois passos... Vai...
   Júlio choramingou e Débora quis estender a mão para ele, mas Marco pediu.
- Não! Não facilita, não. Ele vai sozinho.
   Ela encolheu a mão novamente e Marco soltou a mão do menino. Júlio se viu solto e deu dois passos rápidos, alcançando os joelhos da mãe, que começou a chorar beijando o filho.
- Obrigada, Marco. Obrigada.
   Marco sorriu.
- Se ele morasse comigo já estava andando de bicicleta.
   E ele foi para o quarto dos pais. Chegou ao aposento que estava com a porta aberta e viu o pai penteando os cabelos diante do espelho. Bateu na porta, avisando que estava ali.
- Posso entrar?
   Antônio virou-se para ele e sorriu.
- Oi, filho! Desculpe a demora. Eu já ia pra sala. Tudo bem? ele falou, em voz baixa, porque Mariana dormia no berço.
   Marco aproximou-se e o beijou no rosto.
- Tudo. E você?
- Tudo. Que bom que vocês vieram. Acho que a Laila não ia dar conta de dois bebês sozinha. O filhinho do André é um terremoto.
- Você não se refere a ele assim na frente do Aldo, não é, pai?
- Claro que não, Antônio falou, sentando-se na cama. – Mas que ele não nega o sangue do Armando, isso não nega. Olha só aquele anjo, dormindo ali.
   Ele se referia à filha.
- Ela tem quatro meses, pai.
- Mesmo assim. Não chora nem quando está com fome, dorme a noite inteira... É minha princesa.
   Marco chegou perto do berço e viu Mariana acordada, mas quietinha. Ele a pegou no colo.
- Não, não acorda, não! exclamou Antônio.
- Ela já está acordada! Calma!
   Marco beijou a irmã no rosto.
- O Júlio César é um menino e os meninos são sempre mais travessos mesmo. É normal.
- Você não era.
- Lá vem você com essa história de filho perfeito. Isso já me deu muito trabalho, sabia? O Klaus Kirner já chegou a se desentender comigo por conta disso. Chega dessa história.
- É só a verdade, Antônio, saindo do quarto e indo para sala.
   Marco foi atrás dele na hora em que Amanda e Laila vinham chamar todo mundo para jantar.

   Após o jantar, Laila foi dar banho na filha e Marco e Amanda deram banho em Júlio. Débora já tinha ido dormir no quarto de hóspedes.
- A Débora falou que o Julinho deu alguns passos na sala, hoje.
- Foi, curtinhos, inseguros ainda, mas deu. Ele só precisa de incentivo, ele disse enxugando a cabeça do menino, sentado na cama.
- Ela estava tão emocionada, tão feliz... Fiquei orgulhosa.
- Do Júlio? Ele vai correr muito por aí ainda.
- Não, de você. O incentivo veio de você. Eu adoro o jeito que você tem pra cuidar de criança.
   Ele apenas sorriu e começou a colocar a camiseta no menino.
- Eu gosto pra caramba de criança.
   Ela o beijou e Júlio puxou o cabelo dela, reclamando:
- Não!
   Amanda riu e gemeu ao mesmo tempo.
- Ai, Júlio, meu cabelo! Eu esqueci que você não gosta que eu beije seu padrinho. Solta!
   Marco riu.
- Eu descobri um jeito de fazer ele falar mais rápido. Você já reparou que ele só fala alguma coisa, quando você me beija? Quando a Mariana nasceu ele falou “Gostosa” e toda vez que você me beija ele fala “Não!” Você vai ter que me beijar sempre perto dele.
- Engraçadinho! E meu cabelo fica como?
   Marco riu de novo. Amanda beijou a mão do menino e a mordeu leve e carinhosamente.
- Que vontade de arrancar um pedacinho! Você é muito fofo, sabia?
   Eles terminaram de trocar o menino e foram com ele para o quarto dos pais, onde Laila já tinha terminado com Mariana e lhe dava o peito, para depois fazê-la dormir.
- A gente acabou, mãe, ele disse.
- Tem uma mamadeira pronta pra ele no banho-maria na cozinha. É só dar pra ele já no berço que ele dorme logo.
   O menino viu Mariana mamando e esticou a mãozinha na direção de Laila querendo também.
- Ih! Mãe. Tem lugar pra mais um aí? Marco perguntou
- Se ele esperar um pouquinho, tem sim, Laila disse, sorrindo. – Mais cinco minutinhos e a gente providencia. Distraiam ele na sala por enquanto. Eu já chamo.
- Tem certeza? A gente pode dar a mamadeira dele.
- Só um instantinho, não custa. A Débora ainda o amamenta e eu tenho pena.
   Depois de uns minutos, Laila colocou Mariana de volta no berço, dormindo, e deu também o peito a Júlio César e o menino não demorou muito e dormiu tranquilo em seus braços. Quando viu que ela tinha terminado, Marco aproximou-se da mãe e beijou seu rosto demoradamente.
- Eu te amo!
- Também te amo, meu anjo. Põe ele pra mim na caminha lá no quarto de hóspedes junto da Débora, por favor, filho.
- Ponho sim.
   Ele levantou o menino nos braços e o levou para o outro quarto. Amanda ficou sentada ao lado dela, também emocionada.
- A senhora é um anjo.
- Eu não fiz nada demais. Qualquer mulher faria o mesmo.
   Amanda beijou seu rosto e a abraçou.
- Eu posso falar uma coisa com você? disse Laila.
- Claro.
- O Marco falou que vocês esqueceram de se prevenir ontem e transaram sem a pílula.
   Amanda baixou os olhos.
- Aconteceu... A gente sempre toma muito cuidado, mas ontem eu saí de Campos com pressa e me esqueci de tomar.
- Não deixa mais acontecer isso, filha. Vocês são muito novos pra ter filho ainda. É possível esperar mais uns dois ou três anos, não é?
- Claro que é. A senhora tem razão.
   Laila beijou o rosto dela e Marco voltou, perguntando:
- A gente vai dormir onde, mãe?
- No seu quarto. Ela, na cama, e você num colchonete no chão. Já está tudo pronto. Trouxeram roupa?
   Os dois se olharam e responderam juntos, rindo.
- Não!
- A gente não tinha ideia que ia dormir aqui quando saiu de manhã, disse Marco.
   Laila balançou a cabeça como se ralhando com os dois e disse:
- Eu devo ter uma camisola que serve pra você, Amanda e o Marco pega um pijama do pai. Ninguém vai morrer por causa disso.
   Dito e feito. Pegaram as roupas de dormir, despediram-se dos dois e foram para o quarto dele. Quando fechou a porta, Marco encostou-se nela e riu, olhando em volta.
- Que foi? Amanda perguntou, afastando a coberta sobre a cama que já estava pronta.
- Tem uma coisa que eu vou fazer questão de fazer aqui...
- O quê? ela perguntou.
   Ele trancou a porta do quarto e respondeu:
- Transar com você... no meu antigo quarto... Não tem nenhum perigo, hoje, tem?
   Amanda sorriu e respondeu:
- Não... Você não existe, amor...
   Ele chegou perto dela e a beijou, começando a desabotoar os botões da blusinha de algodão que ela vestia. Ajudou-a a se desfazer da blusa, jogando-a no chão, e tirou a camiseta que teve o mesmo destino. Envolveu-a nos braços e a fez deitar-se na cama.
- Isso já tinha que ter acontecido várias vezes, aqui, nessa cama, ele falou baixinho, desabotoando o fecho do sutiã e o tirando também. Beijou seu pescoço e Amanda fechou os olhos sentindo as mãos dele, explorarem o corpo dela, com a respiração ofegante. Ele começou a ajudá-la a tirar a parte de baixo da roupa.
- Você não tem medo que o seu pai bata na porta? ela perguntou, abrindo também o zíper da calça jeans dele com urgência.
- Não... ele disse, ofegante, se desfazendo do resto das roupas e a envolvendo nos braços. - O máximo que pode acontecer... é eu sugerir pra ele que vá fazer outra Mariana. Só não sei se minha mãe estaria muito afim disso...
   Os dois riram.
- Que falta de respeito, amor...
- Fica quietinha... Se eu pensar no meu pai... não vou conseguir fazer o que estou afim de fazer agora...
   Eles se beijaram com intensidade e tudo começou devagar, sem pressa. Marco queria que tudo fosse bem lento e por isso mesmo mais gostoso, sem culpa, justamente por não haver o risco de punição depois. Quis saborear cada segundo de prazer e se via o adolescente de dezessete anos que amava uma gata chamada Amanda que havia conhecido no colégio; que era filha do diretor e tinha um namorado ciumento com quem ele tinha brigado algumas vezes e... ela agora era sua mulher e estava fazendo amor com ele, no seu antigo quarto, onde tantas vezes ele tinha sonhado com aquele momento.
- Eu te amo... ele sussurrou, sentindo o corpo todo arrepiar com o toque das mãos dela.
- Eu também te amo, ela falou.
   Uma lágrima rolou pelo rosto dele e Marco encostou o rosto no pescoço dela.
- Você está chorando...
   Ele não respondeu. Fechou os olhos, enquanto se movia sobre ela e finalmente sentiu o mundo girar em volta dos dois e a vida explodir de dentro dele para inundar o corpo dela.
   Amanda gemeu baixinho, apertou o braço dele, mordendo o lábio inferior e agora chorava também.
- Posso te dizer uma coisa? ela perguntou, tremendo pela emoção.
- Pode... ele disse, sem conseguir parar de chorar, tremendo também.
- Parece que essa foi a nossa primeira vez...
- Estou sentindo a mesma coisa.
   Eles se beijaram muito e muitas vezes. Marco afastou o corpo do dela e pousou a cabeça em seu ombro, ficando em silêncio, cansado.
   Amanda apertou-o em seus braços e massageou suas costas, dando pequenas mordidinhas em seu ombro. Ele deslizou a mão por seus seios e encostou os lábios num deles, beijando-o.
- Eu sou o cara mais feliz do mundo, sabia? ele murmurou.
   Ela sorriu, acariciou seus cabelos e beijou sua testa.
- Não dorme no chão, não, ela pediu. – Fica aqui...
- Eu não sei se ia conseguir sair daqui. Eu estou grudado em você...
- Eu não quero nunca te perder. Diz que isso nunca vai acontecer, Marco.
- Nunca... Nunca... Eu sou seu, pra sempre. Já disse isso várias vezes...
   Marco puxou o cobertor para cima deles, esticou o braço para apagar a luz do abajur e a envolveu novamente nos braços.
- Acho melhor a gente dormir.
- Também acho...

                               *******************************

         FIM DE AMANDA III - OBRIGADA PELO CARINHO E PELO APOIO!
     AGUARDEM AMANDA IV - MARCO E AMANDA ESTARÃO DE VOLTA
                                                 EM BREVE
                                           DEUS OS ABENÇOE!
Velucy
Enviado por Velucy em 03/08/2017
Reeditado em 06/08/2017
Código do texto: T6073370
Classificação de conteúdo: seguro

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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/08/17 20:10)