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AMANDA III - RUSGA - CAP. X

                                                 X – RUSGA


                                                   Em casa, depois de tomar seu banho
e comer um sanduíche, Marco foi para a escrivaninha estudar para uma das últimas provas que ainda tinha na faculdade. Colocou o telefone bem perto para não ter que levantar quando Amanda ligasse. O rádio ligado como sempre, sintonizava baixinho a emissora favorita, porque ele precisava ouvir a voz de alguém e qualquer coisa servia.
   Oito horas e nada de Amanda ligar. Nove e meia, dez e quinze e ele começou a ficar impaciente. Jogou o lápis sobre a escrivaninha e encostou-se na cadeira, olhando para o aparelho.
- Jantarzinho longo, hein, Mandy? ele falou, sozinho.
   Tamborilou os dedos sobre o livro, doido de vontade de ligar novamente para Campos, mas se ela não tinha ligado era porque ainda não tinha chegado. Não adiantaria nada insistir.
   Levantou-se e apanhou o controle da TV, ligando-a e mudando os canais a esmo. O telefone tocou e ele correu a atender.
- Alô, Mandy!
- Não, filhote, sou eu, mamãe.
- Ah, oi, linda!
- Estava esperando telefonema da Amanda, meu bem?
- Não, é que... Quer dizer, estava... mais ou menos... Está tudo bem?
- Tudo. Liguei só pra dizer pra você vir jantar com a gente aqui de novo, amanhã. Você não apareceu, hoje. Liguei à tarde, você não estava... não quis ligar pra agência.
- Eu saí de lá bem tarde, mas eu vou sim. Como é que estão o velho e a minha irmã?
- Dormindo os dois, mas está tudo bem. E você?
- Tudo bem...
- Vem amanhã?
- Vou. Obrigado, mãe.
- Manda um beijo pra Amanda, se falar com ela. Tchau, amor.
- Mando. Tchau.
   Ele desligou o telefone e decidiu não esperar mais. Ia dormir. Tirou o telefone da tomada com certa raiva, apagou as luzes e foi para o quarto. Jogou-se na cama e deitou-se de bruços com um travesseiro sobre a cabeça e outro entre as pernas. Fechou os olhos e depois de uns instantes o rosto de Maria Eugênia de novo se mesclava com o de Amanda em sua mente.

   Amanda e a equipe da RR, que tinha saído para jantar, chegaram ao hotel às dez e quarenta. Rita já estava muito preocupada e bronqueou:
- Meu Deus, onde vocês estavam!?
- Eu não falei que a gente ia levar bronca? disse Gustavo, o fotógrafo, tirando os óculos escuros, colocando a mochila no chão e se jogando no sofá, pesadamente.
- A gente pode explicar, Rita... tentou começar Gil.
- Amanda, seu marido ligou faz um tempão querendo falar com você! O coitado deve estar esperando até agora! Como é que eu vou explicar isso pra ele?
- O Marco ligou? Ele estava zangado?
- Não, estava só querendo falar com você.
   Amanda correu para perto do telefone. Jimmy se adiantou para explicar o motivo do atraso.
- O carro quebrou a dois quilômetros daqui, na estrada, Rita. Não tivemos como avisar. A gente deixou as meninas numa pensãozinha no caminho e viemos empurrando o carro até a oficina mais próxima. Olha só!
   Ele estendeu as mãos sujas de graxa. Roni, Fernando e Gil fizeram o mesmo. A camisa deste último, de branca, havia ficado cinza.
- Eu quero mais é tomar um banho e dormir, falou Roni. – Vou pro quarto, até amanhã.
- Eu também, acompanhou Jimmy. – Boa noite, gente!
   Saíram os dois. Ficaram apenas Fernando, Gil, Gustavo e as modelos, Luana e Cristina, sem contar Amanda que estava ainda ao telefone.
- O Marco ficou zangado quando soube que ela não estava? Cristina perguntou.
- Não, o Marco é um doce. Ele só pediu pra falar pra ela ligar logo que chegasse, mas eram sete e meia, um pouco mais, e olha só que horas são! Quase onze!
   Amanda colocou o telefone novamente na base e aproximou-se deles decepcionada.
- Só dá sinal de ocupado. Liguei três vezes. Com quem ele estaria conversando tanto a essa hora da noite?
- Eu não sei, mas ele queria muito falar com você, disse Rita.
- Eu vou tomar um banho, depois eu tento de novo. ‘Tadinho do meu gato...
   Ela se afastou e subiu as escadas, indo para o quarto, preocupada.
- Como foi o passeio? perguntou Rita.
- Foi ótimo, respondeu Fernando. – Se o Roni não desse tanto em cima dela...
- É verdade, concordou Cris. - A Amanda tem uma paciência e uma educação de princesa. Ela tem bem sangue mineiro mesmo.
- Se o Marco estivesse aqui, a cara dele já não estaria mais inteira, continuou Gustavo.
- Se o Marco estivesse aqui, ele não agiria desse jeito, completou Gil. – Ele não deixava a garota em paz! Mesmo a gente lembrando que ela não usa aliança enquanto trabalha como modelo, mas que ela existe e é de verdade...
- A coitada não sabia mais o que fazer pra se livrar dele, disse Cris, sentando-se no sofá. – Haja paciência!
- Isso é verdade, falou Gil. – Ela despacha ele com uma classe que é de cair o queixo.
- Pelo que eu estou vendo, ele só se comporta na minha frente, falou Rita.
- É basicamente isso, afirmou Gustavo.
- Eu vou ter que conversar com ele, e sério! O Marco me incumbiu de cuidar dela pra ele e eu prometi que tudo ia ficar bem. Se continuar assim, eu vou acabar tendo que dispensar o Blue Eyes.
- Ele é lindo, mas muito imaturo, falou Luana. – Ele se acha demais...
- Quem é lindo? perguntou Fernando, abraçando a garota pela cintura.
- Você, meu amor, ela disse, beijando-o na boca. – Só você.
   Fernando e Luana namoravam há algum tempo e ele tinha ficado enciumado com a observação da namorada a respeito do colega.
- A que horas a gente levanta amanhã, Rita? Gil perguntou. – Eu já quero ir pra cama. O dia hoje foi barra.
- Quero todo mundo em pé às oito, disse Rita. – Amanhã, vamos fazer as primeiras fotos do teleférico.
- Ok, boa noite, todo mundo.
- Desculpa o atraso, Rita, falou Gustavo.
- Tudo bem, boa noite.
   Fernando, ainda abraçado a Luana, perguntou:
- Posso dormir aqui?
- Nem morto! Nada de sexo na concentração da minha seleção. Quero todo mundo com a carinha linda e fresca, amanhã cedo. Nada de olheiras ou manchas de pele.
- Sexo faz bem pra pele, Ritinha! ele pediu.
- Tchau, Nandinho! ela acenou para ele, finalizando o papo. – Some...
   Ele fez uma careta para ela, beijou a namorada e saiu com Gustavo e Gil.

   Depois, do banho, Amanda tentou várias vezes ligar para casa, mas não conseguiu nada. Luana, Cris e Rita acompanhavam o dilema dela. Depois da quarta vez, ela exclamou:
- Só dá ocupado! O Marco nunca ficou tanto tempo no telefone. O que está acontecendo, meu Deus?
- Vai ver, é um amigo da faculdade, opinou Cris.
- Ou o Teo, ajudou Rita.
- O Teo está sem telefone e quando quer falar com o Marco, vai até em casa. Ele até dorme lá, às vezes. Segunda-feira mesmo, ele dormiu lá pra fazer companhia pra ele.
- Eu acho melhor você ir dormir, aliás, todo mundo. Caminha, gente, já é quase meia noite.
   Luana e Cristina levantaram-se e despediram-se, indo para seus quartos. Amanda apoiou o rosto na mão e ficou pensativa, olhado para o telefone. Apanhou-o novamente, discou outra vez e nada. Sinal de ocupado.
- Rita, ele está falando com outra garota. Só pode ser! ela disse, quase chorando.
   Rita riu a valer.
- Se eu não te conhecesse, eu diria que você perdeu o juízo, menina! Eu não consigo imaginar o Marco pensando em outra garota que não seja você, filha. Não coloque minhocas nessa cabecinha, sem antes saber o que está havendo. Vai dormir e amanhã você fala com ele.
   Ela teve que aceitar o conselho.

   Na manhã seguinte, logo cedo, a primeira coisa que fez antes de sair para as fotos no teleférico, foi ligar para casa, no horário que sabia que Marco ainda estaria lá. O telefone tocou cinco vezes antes que ele atendesse.
- Alô!
- Marco! Onde você estava?
   Ele fez silêncio primeiro antes de responder, frio.
- Oi, eu... já estava no corredor quando ouvi o telefone tocar. Até abrir a porta de novo e... Tudo bem?
- Você ligou ontem, eu não estava. Desculpa. Tentei ligar praí à noite, mas dava sempre ocupado. O que foi que houve? Com quem você estava falando?
   Ele pensou por um momento e sem entender a si mesmo, resolveu mentir.
- Era... com um amigo...
- Que amigo? Da faculdade?
- Não, você não conhece. Ele chegou ontem de viagem e ligou pra mim.
- Como é o nome dele?
- Olha... eu estou atrasado. Depois a gente se fala. Liga pra mim, na agência.
- Marco...
- Que é?
- Você está zangado comigo? Tua voz está tão fria...
   Ele fechou os olhos e respirou fundo.
- Não, só estou atrasado. Tenho prova, na faculdade, hoje. Depois a gente se fala mais.
   Ele desligou o telefone, sentindo-se péssimo. Não entendia direito, porque a tinha tratado tão friamente. Por outro lado, sentia-se vingado pela péssima noite que tinha passado. Apanhou os cadernos e saiu.
   Enquanto isso, em Campos, Amanda escondia o rosto nas mãos e começava a chorar, abraçada a Rita.
- Ele está zangado comigo, Rita!
- Calma! Vai ver foi só impressão sua.
- Eu senti na voz dele. Estava frio e formal comigo. Nem me mandou um beijo!
- Eu vou falar com ele depois. Vamos trabalhar e não chora.
- Eu não vou fotografar hoje, Rita. Como eu posso ter clima pra fazer isso, me sentindo assim?
- Pensando como uma profissional. Faça uma forcinha. O Marco te ama, Amanda. Depois você se entende com ele, hum? Respira fundo e vamos.
- Vou tentar, ela disse, enxugando o rosto.

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Velucy
Enviado por Velucy em 02/08/2017
Reeditado em 06/08/2017
Código do texto: T6071829
Classificação de conteúdo: seguro

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