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UMA FAMÍLIA DESMORONANDO POR CAUSA DO WATTSZAP

Pedro era um rapaz de 17 anos, sem grandes atrativos como de um galã: era um cara comum, estilo vocalista de Los Hermanos.
Era tímido ao ponto de suar frio quando se interessava por alguma garota da sua faixa etária, usava óculos e era magro como uma vara. Morava com seus pais num apartamento, no vigésimo andar, no bairro da Liberdade, em São Paulo, como um jovem de classe média paulistano, com uma profunda cara de tédio.
Seu pai era o comerciante de roupa Lauro, dono de loja na 25 de março, de 38 anos, que a noite ficava na sala assistindo jogos de futebol pela TV paga, com uma lata de cerveja aberta ao lado, sem dar muita atenção ao que se passava - "pescando", às vezes, sonolento.
Sua mãe era a aeromoça Lucia, de 32 anos, que ou estava voando na ponte aérea RIO-SP, ou 2 vezes por semana em casa apenas, nas folgas, reclamando de sinusite, pois fumou 9 anos. Mas era um "balzaquiana" muito bonita.
O frio de São Paulo piorava ainda mais a inflamação no seio da face de Lucia, que tinha uma visão bem estereotipada do mundo - preocupando-se com detalhes de roupas, cores etc (uma chata).
Pedro fazia cursinho pré-vestibular a tarde, buscando entrar na faculdade de engenharia de computação, de preferência no ITA, mas não era tão inteligente e estudioso ao ponto de logras este êxito.
Pela manhã dormia até 11 horas, já que as noites eram dedicadas a estudos e "masturbação", por causa da sua ansiedade, puberdade e falta de namorada.
A noite ele vivia trancado no seu quarto, acessando diversos conteúdos na INTERNET.
Pedro sempre olhava páginas pornográficas no afã de excitação e masturbação, intercalada com seus estudos, ou jogando CARTOLA FC.
Páginas existente com XVIDEOS e PORNTUBE eram mais sua praia, com artistas do mundo pornô de países como Rússia, Holanda, Polônia e Estados Unidos.
(...)
Num dia, algo estranho acontece.
Pedro percebe que numa cena erótica que assiste, uma das atrizes para de transar e olha para ele. Como isso poderia acontecer sem que ele estivesse enlouquecendo?
- Oi? Olá? Tudo bem?
Pedro fica sem entender. Como uma atriz pornô de internet pode estar falando com ele?
- Posso ir ai no seu quarto?
- Como assim? Você sair do computador e vir para o meu quarto? É isso que você está propondo?
- Sim. Preciso conversar um pouco.
- Mas e o cara que tá transando com você ai?
- Ah, ele não tem a menor importância. Até mudo é. Eu o mando embora. Quer?
Pedro pensou que estava surtando, como numa esquizofrenia. Como uma pessoa de dentro da tela de um computador pode entrar na sua casa? Ainda mais uma mulher e nua ainda?
E assim aconteceu.
- Moça, o que é isso?
- Você pode me dar uma toalha, Pedro?
- Sim, mas vou pegar aqui na suíte do meu quarto.
A moça era uma loira linda. Uma das atrizes anônimas do mundo pornográfico virtual.
- Você pode me falar seu nome, moça?
- Meu nome é "Lya Piterovic", tenho 19 anos, sou da Ucrânia, ex União Soviética.
- Nossa! Mas seu nome aqui no site está "Blue Sky". Como assim?
- É por causa do azul dos meus olhos. O agenciador que me colocou no mundo do pornô virtual me deu este nome.
- Mas como você foi parar neste mundo?
- Meu pai foi morto durante a guerra civil, após o desmembramento da União Soviética, na primeira metade dos anos 90. Minha mãe ficou comigo e mais 4 irmãos e passamos necessidades. Com uma amiga minha, eu resolvi fugir para Londres.
- Puxa vida, eu nunca vi vocês por esse ângulo.
- Sim. Eu fugi para buscar uma vida melhor, mas acabei sendo pega na prostituição, nas drogas e na pornografia virtual. Vivo com várias meninas numa mansão aos arredores de Londres, na qual pagamos nossas mordomias com programas e pornografia. Queria muito era ser atriz em Hollywood, mas de ganhar Oscar, não pornô.
Pedro engole seco. A atriz pornô, ali dentro do seu quarto.
- Você transaria comigo?
- Sim, Pedro. Vim aqui para além de mostrar para você que eu sou uma pessoa com um história de vida, eu também posso fazer para você o que eu faço de melhor: dar divertimento.
- Mas eu sou virgem ainda.
- Não tem problema, Pedro. Deita que eu te ensino tudo....
(....)
Pedro acorda às 11horas da manhã. Olha para o quarto que está só, sem marcas de nada do que supostamente ele tenha vivido na noite passada. Pensa que sonhou sobre o que aconteceu.
Olha pela janela. Vê o frio de São Paulo e toma um banho quente. Coloca casaco e luvas. Toca na cabeça. Vai almoçar num restaurante perto da avenida Paulista, pois seus pais não almoçam sempre em casa.
No cursinho, na aula de História, assiste o tema: a Guerra Fria.
Porém, sua mente está na experiência. Será sonho? Será realidade?
Mais uma noite o esperaria na frente do computador.
(...)
Lúcia, mãe de Pedro, estava na mesma vida dupla do filho: uma possibilidade hodierna da nova Era digital.
Era um bela loira, magra e alta, de olhos verdes - quase uma Letícia Spiller.
Tinha uma vida real e uma vida paralela, virtual.
Aproveitava as noites nos hotéis, a trabalho, pela empresa aérea, para usar os computadores e a internet dos aposentos, ao mesmo tempo que falava com o marido e o filho num dos seus 2 celulares - para não levantar suspeitas e muito menos deixar rastros digitais.
Ela tinha um lindo smartphone prata, modelo da Apple. O celular não parava de receber mensagens no Whatszap, vindas de Beto,que conheceu na INTERNET, numa dessas folgas de voo. O celular era somente destinado às aventuras de Lúcia.
(...)
Lúcia desceu no Aeroporto de Congonhas. Havia feito, naquele dia, a rota Rio-SP 10 vezes, na qual estava escalada no mês.
Estava impecavelmente vestida com a farda da empresa aérea, saindo de um airbus da TAM com mais 3 membros da tripulação, que andavam altivos pelos saguões.
Beto era um "amigo virtual" que Lúcia havia conhecido na sala do Uol, numa dessas viagens de trabalho de aeromoça.
Beto dizia-se um homem divorciado, de Curitiba, de 41 anos, dono de comércio no Batel, bairro da capital paranaense. Beto era um parceiro de Lúcia, em sexo virtual, onde ambos mostravam ao outro cenas pessoais íntimas. Beto lembrava muito Márcio Garcia.
- Lúcia, onde você está? Quero ver seu corpo? Mostra para mim.
- Calma, Beto. Preciso ir ao banheiro. Mostro um pouco, tá? ("teclou").
Lúcia entra no banheiro, com sua maleta, e tecla.
- Que quer ver?
Beto diz:
- Mostra a calcinha. Levanta a saia. Quero ver você por trás.
Lúcia levanta a saia e mostra a calcinha de renda, fio dental.
Beto entra em êxtase do outro lado. Manda caretas e fogos do watts.
Lúcia tecla, depois de sentar no vaso para fazer xixi:
- Beto, preciso ir bater o ponto lá na empresa. Depois eu teclo contigo, a noite, pode ser?

O que será que acontecerá, no próximo capítulo?
(...)
Lauro estava na sua loja, nas imediações da Rua 25 de março, em pleno centro da capital paulista. Lauro, sua esposa e seu filho estavam com uma vida real, muito monótona, e outra vida: virtual, mais agitada.
A cada dia mais, o apartamento desta família vivia uma situação prestes a não dar certo e ameaçar a unidade da casa.
A Rua 25 de março estava efervescendo de pessoas comprando miudezas, naquela sexta, de frio e garoa em São Paulo. Lauro ficava sentado, só, no seu escritório, fazendo contas na calculadora, conferindo notas fiscais e fazendo negociações com comerciantes da China para aquisição de mais mercadorias.
Lauro usava muito as salas de bate papo da Uol, ao mesmo tempo que fazia sua parte comercial da loja – tinha inteligência difusa, muito comum nesta Era digital.
Neste momento, Lauro estava com uma pessoa, apenas virtualmente, cujo nome era ANINHA 21. Lauro já estava adentrando a meia-idade, mas ainda estava muito charmoso. Magro, alto e com cabelos levemente grisalhos e negros. Fizera musculação, mas estava sedentário a 6 anos: mantendo silhueta esbelta ainda.
Sua amiga virtual já estava a 2 anos com ele, pois era uma estudante universitária de Psicologia, em Brasília, a noite, nunca havendo um contato pessoal entre ambos. Pela manhã e tarde, ANINHA21 ficava no apartamento, em Planaltina, somente de “lingerie” preta, com máscara somente nos olhos. Ela tinha cabelo Chanel preto, olhos verdes e 1,64 e 54 kg. Não abria mão de academia cara num Shopping de Brasília, sempre postando as fotos no INSTAGRAM.
Lauro e ela também se viam de maneira mais íntima. Havia um envolvimento afetivo de Lauro com ANINHA21, e Lauro mandava dinheiro, escondido, na conta da universitária brasiliense.
- Lauro, tudo bem? Como você está meu amor?
- Estou bem, princesa. Estou aqui fazendo as contas da entrada e da saída da Loja. Parece que este mês terei uns 24 mil reais de lucro líquido.
- Lauro, meu amor, que bom! Já que o assunto é este, eu estou precisando pagar meu cartão de crédito; a academia subiu de 440 para 560 reais. Comprei mais “lingerie” também, daquelas que você gosta, com cinta-liga e babados em volta, bem fio dental.
Nisso Lauro para tudo o que está fazendo. Fica ansioso e com medo de alguma das suas vendedoras entrarem na sua sala. Vai até a porta e confere se está trancada com chave, pois seu escritório é no primeiro andar e a escadaria é ligada ao pátio.
- Princesa, mande a conta que vou fazer um envelope para você.



LUCIANO DMEDHEYROS
Enviado por LUCIANO DMEDHEYROS em 09/05/2017
Reeditado em 24/05/2017
Código do texto: T5994341
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
LUCIANO DMEDHEYROS
Barreiras - Bahia - Brasil, 41 anos
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