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"FRACKING: O MAREMOTO E O FIM DO RIO DE JANEIRO"

A presente tragédia acontecerá na cidade de Angra dos Reis, no extremo sul do litoral do Estado do Rio de Janeiro, na qual estão localizadas três usinas nucleares do Brasil. O ano é de 2025.
As usinas nucleares aquecem água com o calor que vem da radiação do urânio enriquecido.
O Brasil produz urânio na Bahia e Minas Gerais, que ainda estão produzindo em 2025.
Um subproduto é o plutônio, o qual é matéria-prima das bombas nucleares.
A região de Angra dos Reis é uma área do Oceano Atlântico com águas calmas, quentes e com várias ilhas que dão um ar de paraíso ao local, na Costa Verde.
Em terra há uma exuberante Mata Atlântica, entrecortada pela ocupação urbana, estaleiros e marinas com iates, que vão até a cidade de Parati, na fronteira com o Estado de São Paulo, margeada pela BR 101.
O Brasil é uma ditadura militar novamente, pois a democracia terminou numa Guerra Civil, no ano de 2018. Fala-se já nas usinas de Angra 4 e 5.
Alguns Estados da federação não aceitaram a eleição de Luís Inácio Lula da Silva e declararam secessão, obrigando os generais a tomarem o poder.
(...)
Marcelo Lelis, nosso protagonista, é um geólogo que faz doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na área de Física Nuclear. Sua esposa e também geóloga é Ana Maria, doutoranda também.
Ambos trabalham em navios sondas da Petrobrás, que foi comprada em 2019 pela Texaco dos Estados Unidos, depois de um período de crise e pedido de concordata que a levaram ao sucateamento de plataformas, atrasos de salário e perda de valor na bolsa.
Marcelo e Ana Maria estão um dia num destes navios, em alto mar, realizando pesquisas para descoberta de novos poços para a Texaco dos EUA.
Estão cercados de computadores e sismógrafos numa sala dentro da embarcação, destinada ao trabalho de cientistas. Possuem também robôs que fazem filmagens profundas, nas quais nenhum ser humano conseguiria chegar.
Foi quando Marcelo fala para sua esposa:
- Ana. Eu tenho notado alguns abalos sísmicos a mil metros de profundidade aqui na Bacia de Campos. Você percebeu?
Ana:
- Amor, eu vi, mas nada acima de 3 graus na escala.
Marcelo:
- Eu sei, mas é que há vazios que foram deixados pela sucção de petróleo e eu temo que possam ocorrer desabamentos.
Ana:
- Sim, mas a empresa não está colocando concreto nestas fendas?
Marcelo:
- O concreto não é o suficiente, pois há resíduos de vapor de gás inflamável. Eu temo uma explosão espontânea por causa dos gases a alta pressão e fricções das rochas.
Ana:
- Marcelo, precisamos de mais estudos para afirmarmos isso. O que podemos fazer?
Marcelo:
- Chegando no continente, vou pegar os mapas do terreno oceânico e fazer um acompanhamento por meio de fotografias.
(...)
Marcelo Lelis, nosso protagonista, como já dissemos, faz doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro. A UFRJ tem um grande rol de cientistas que foram fundamentais na construção do projeto de energia nuclear brasileiro. Seu orientador era um deles: o Físico Bartolomeu Dias, um especialista em Física Nuclear. Bartolomeu foi, nos anos 70, um dos consultores do projeto nuclear brasileiro, no qual os militares queriam, além das usinas, fazer submarinos e a bomba atômica. O projeto da bomba atômica foi arquivado, no Governo Fernando Collor, no começo dos anos 90.
Após trabalhar alguns dias na Bacia de Campos, no Litoral norte fluminense, Marcelo reúne-se com seu orientador no Departamento de Geofísica, levando cartografia e fitas com registros sonoros:
- Bom dia, Professor Bartolomeu, como vai o senhor?
- Bom dia, Marcelo, e ai? Como andam as pesquisas da sua tese?
- Professor, numa dessas minhas investigações notei alguns dados sonoros e de sismógrafo que me chamaram atenção lá na Bacia de Campos. Eu coletei tudo do navio sonda da empresa de petróleo que eu trabalho. Minha tarefa é auxiliar na prospecção...eu faço mais a parte de coleta sismológica.
- Qual Marcelo são esses dados, você tá me deixando preocupado?
- Professor, o senhor sabe o que é um “fracking”?
- Sim. Trata-se de fendas na crosta terrestre ocupada por gases inflamáveis que podem explodir na superfície. Sei sim, mas aonde você quer chegar?
- Professor, acho que na Bacia de Campos pode estar acontecendo “fracking”. Meus dados apontam uma suspeita. Tenho notado movimento de rochas, na forma de desabamentos pequenos ainda. Mas o Campo de Tupi tem uma fenda do tamanho do Pão de Açúcar. Um vazio entre as rochas, provocada pela ausência de petróleo.
- Mas de que proporções, Marcelo?
- Penso que ele seria capaz de provocar um terremoto de 9 graus na costa fluminense. Isso poderia causar um tsunami em boa parte do litoral do Brasil. O Rio seria mais atingido. Se essa fenda fosse preenchida por fragmento de rochas ela transmitiria energia para um maremoto.
- Mas e as usinas nucleares de Angra dos Reis? Tem algum risco? O projeto previa até impacto de uma onda, mas não sei de qual proporção, pois preciso ver o projeto novamente.
- Professor, seria uma tragédia. Precisamos conversar com as autoridades de Defesa Civil. Eu preciso ir a Brasília para conversar com o Presidente, o General Carneiro.
- Mas você tem dados para isso mesmo, Marcelo?
LUCIANO DMEDHEYROS
Enviado por LUCIANO DMEDHEYROS em 09/05/2017
Reeditado em 03/11/2017
Código do texto: T5994237
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
LUCIANO DMEDHEYROS
Barreiras - Bahia - Brasil, 42 anos
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LUCIANO DMEDHEYROS