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Compra de um amor - Primeiro capítulo

   A história que vamos acompanhar se passa na década de 80, uma época em que determinados acontecimentos, eram considerados normais, principalmente porque a famosa e contemporânea corrupção, já era figura carimbada e algumas autoridades faziam vista grossa para muitas situações que felizmente são tratadas com maior rigor nos dias de hoje.


   Estamos em 1983, na cidade de Lima Verde interior do Mato Grosso do Sul. Gabriela, é uma jovem de apenas 15 anos que tem o infortúnio de ser filha de Janete, uma mulher sem escrúpulos que nunca quis enfrentar o trabalho duro, sempre procurou vida fácil e ganhar dinheiro com pequenos golpes e prostituição.
-O de casa!
-Gabi, vai ver quem está chamando.
-Pois não.
-A dona Janete se encontra?
-Mãe, o rapaz quer falar com a senhora.
-Mas que rapaz é esse?
-Não sei.
-Menina burra. Por que não perguntou o que queria?
-Bom dia dona Janete!
-Bom dia só se for pra você, o que quer?
-Vim a mando do Miltão do Carvão.
-A sim desculpa, entra por favor! Vou fazer um cafezinho pra você.
-Não precisa, estou com pressa. O Miltão mandou eu vir receber este valor aqui.
-Moço, fala pra ele aguentar mas uns dias, eu estou tentando arranjar o dinheiro.
-Ele mandou eu dizer que o prazo terminou.
-Tá bom! Hoje a noite sem falta levo o dinheiro pra ele, até meia noite eu levo, eu juro.
   Janete, está devendo uma grande quantia de dinheiro para um agiota, tanto quanto, ou mas inescrupuloso de que ela, o fato e que ela não sabe onde conseguir o dinheiro para pagá-lo, pois com programas não tem conseguido e seus golpes também não estão ajudando muito.
-Gabi, eu vou dar uma saída, cuida da casa.
   Então foi a casa de Terezon, uma cafetina dona de um bordel de luxo, o qual ela já trabalhou em tempos de outrora.
-Você está doida Janete, acha que vou emprestar tanto dinheiro pra você?
-Por favor amiga, estou desesperada, o Miltão está me pressionando.
-Nem pensar, se você está enrolando o Miltão, imagina a mim.
-Não faz isso comigo amiga, não tenho mas a quem recorrer!
-Problema seu. Pede um empréstimo ao banco, sei lá.
-Que banco o que? Se tivesse alguma coisa pra dar em garantia ao banco, não teria recorrido ao Miltão.
-Isso é verdade, você não tem nada em seu nome.
-Inclusive meu aluguel também está atrasado.
-Pensando bem, você tem algo em seu nome sim.
-O que?
-Sua filha.
-Como assim?
-A Gabi está com quantos anos?
-15 porque?
-Já está na hora de ela começar a te ajudar, não acha?
-Sim, mas ela trabalha como babá.
-E isso lá é trabalho?
-O que você está querendo dizer Tete?
-Manda a Gabriela pra cá, e te dou a grana.
-Você está louca?
-É pegar ou largar e tem mas, já perdi muito tempo com você.
-Tete você está falando da minha filha, a única que tenho.
Sim, e daí?
-Pra você é fácil falar.
-Vai embora Janete, tenho outras coisa a resolver.
   Janete ficou chocada com a proposta de Terezon, porém não tem outra alternativa e entre a felicidade da filha e sua vida, preferiu sacrificar a primeira.
-Gabi, veste uma roupa melhor, vamos sair.
-Vamos onde mãe?
-Na zona.
   Sem entender o que estava acontecendo, Gabi obedeceu a mãe.
-Mudou de ideia Janete?
-Não tenho outra opção, se não pagar o Miltão, ele manda me matar.
-Tomou a decisão certa.
-Porque me trouxe aqui mãe?
-Não faça pergunta menina?
-Que lugar é esse mãe?
-Eu já falei sua idiota, uma zona.
-Eu não quero ficar aqui, me leva pra casa por favor!
-Já esta decidido, vai morar aqui.
-Nunca vou perdoar a Sra. mãe, nunca.
-Luzia, leva a Gabi lá pra cima e da um trato nela.
   Falou a cafetina a uma moça que trabalha no prostíbulo.
-Vem comigo Janete, vou te dar o dinheiro.
   Janete vendeu a própria filha e por mas hediondo que esse crime vem a ser, acreditem , existem pessoas capazes de comete-lo.
   Enquanto isso, em outro bairro da cidade, um jovem universitário se arruma para sair. Trata-se de Ricardo, um rapaz de boa índole que trabalha com o pai eu seu escritório de advocacia.
    Rogério, o pai, é um homem severo, porém compreensivo. A  mãe, Marina, uma mulher rígida e muito intolerante, que não admite ser contrariada naquilo que considera certo.
-Vai sair filho?
-Vou dar uma volta mãe.
-E onde vai?
-Por aí, não tenho um lugar definido, na verdade vou andar pela avenida, pra espairecer um pouco.
-Mas você não tem trabalho da faculdade?
-Tenho Mãe, mas não se preocupa, está tudo sob controle.
-Se está dizendo, fazer o que? Você já tem 21 anos, más tome cuidado!
-Tá bom minha mãe.
   Ricardo tem uma irmã, Monica, uma moça simpática e carinhosa que tem uma ótima relação com o pai e o irmão.
-Vai sair mano?
-É vou dar uma volta.
-Posso ir com você
-Não vai a lugar algum Monica, esqueceu que tem prova na segunda?
-Então mãe, hoje é sexta, tenho tempo pra estudar.
-Vá já para seu quarto, e não discuta comigo.
   Obedecendo a ordem da mãe, Monica desistiu de sair com o irmão.
   Apesar de muito bonito, Ricardo tem dificuldades em arrumar namoradas, é tímido e não consegue ter afinidade com moças mas desinibidas.
   Então, depois de algumas voltas pela cidade, parou em uma lanchonete e encontrou Juarez, um amigo de faculdade.
-E ai Ricardo, cadê a namorada?
-Não tenho, e a sua?
-Terminei com a Laura. E ai, vamos tomar umas geladas?
   A noite promete ser boa no bordel de Terezon, especialmente porque ela pretende apresentar sua nova aquisição, a seus requintados frequentadores.
-Boa noite meus amigos! peço um minuto de sua atenção, hoje temos uma menina nova iniciando em nossa casa.
   Então apresentou Gabi, que depois de passar a tarde sob os cuidados das outras meninas, estava pronta para ser leiloada aos fazendeiros e madeireiros da região.
-Vamos lá queridos, comecem seus lances.
   Mario, um fazendeiro -pago 100 mil cruzeiros.
   Juvenal, um madeireiro -pago 200 mil.
-Quem da mas, quem da mas?
   Mario-  300 mil.
   Juvenal- 400 mil.
   Ricardo -pago 500 mil cruzeiros.
   Neste momento, todos olharam para trás. As meninas ficaram surpresas ao ver o jovem rapaz, visto que normalmente os clientes de Terezon, eram em sua maioria velhos entediados com o casamento.
   Os lances foram subindo e Ricardo continuou cobrindo sua oferta, porém não faz ideia de onde irá tirar o dinheiro, pois está disputando com homens ricos.
-Ricardo para por ai, você não tem como pagar essa grana.
   Alertou Juarez.
-Tem razão.
   Então, o leilão foi finalizado com a oferta de Juvenal, um homem rústico de 60 anos e aparentando ser violento, pois demonstrou muita irritabilidade quando o lances começaram a subir.
-E agora o que vamos fazer Juarez?
-Como assim Ricardo?
-Eu não vou deixar esta garota nas mãos desse homem.
-Do que está falando?
-Olha pra ela, está chorando.
-E daí? Isso não é problema nosso.
-Pode não ser seu, mas eu me incomodo com essa situação.
-Você e sua visão de advogado.
-Não concordo com isso, essa menina parece ser menor de idade.
-E o que pensa fazer?
-Vou ajuda-la fugir desse lugar.
-E como pretende fazer isso?
-Ainda não sei, mas você vai me ajudar.
-Como Ricardo?
-Não sei Juarez, estou pensando, preciso achar um meio rápido, mas eu garanto a você, vou salvar essa garota desta desgraça.
   No próximo capítulo...
   Será que Ricardo vai conseguir ajudar Gabriela fugir?

JESUS CARLOS ROCHA
Enviado por JESUS CARLOS ROCHA em 02/05/2017
Reeditado em 04/05/2017
Código do texto: T5987788
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
JESUS CARLOS ROCHA
Sinop - Mato Grosso - Brasil, 40 anos
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