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Depois da Meia-Noite (Fanfic) - Capítulo 4 - Poder

Estava ficando tarde e aquele havia sido um longo dia. Renesmee começou a bocejar em frente à lareira e a maior parte da matilha de lobos já havia se retirado para a reserva de La Push. Jacob insistiu em ficar na casa até que aqueles novos vampiros se mostrassem completamente confiáveis, mas Edward fez questão de lhe deixar bem claro, da maneira mais paternal e assustadora possível, que ele dormiria no sofá, e não no quarto de Renesmee, como estava imaginando em sua mente.
Assim, Jake roncava no sofá da sala e Nessie dormia lá em cima, enquanto os vampiros foram se reunir na biblioteca para uma nova sessão de interrogatório com os recém-chegados. No entanto, a primeira pergunta a ser disparada partiu de Charlotte.
— Então foi assim que vocês derrotaram os Volturi? Com a ajuda dos lobos?
— Eu não sei de onde vocês tiraram a ideia de que nós derrotamos os Volturi. — disse Carlisle, quase rindo — Não chegou a haver nenhuma batalha naquele inverno de décadas atrás. Os Volturi simplesmente se retiraram depois que a situação de Renesmee foi esclarecida. Mas, respondendo a sua pergunta, nós contamos com a ajuda de outros amigos também.
— É, amigos aos quais não podemos pedir mais nenhum favor deste tipo durante alguns séculos. — completou Edward, rispidamente — Eles correm perigo até hoje por nossa causa. Ou seja, se vocês estão aqui por proteção, não contem com a mesma força que tínhamos disponível antigamente.
Edward não gostava nem um pouco da ideia de ter aqueles três vampiros debaixo do seu teto, sabendo que o passado deles com os Volturi não havia sido resolvido. Quanto mais tempo Carlisle permitia que eles ficassem, mais sua preocupação com o clã italiano aumentava. Com certeza, aquela história de “caçar vampiros” queria dizer que eles mesmos estavam sendo caçados e sua presença ali poderia colocar toda a família Cullen em risco.
Também não gostava do fato de que, ao vasculhar a mente de suas adoráveis visitas, Edward não conseguia enxergar mais do que algumas imagens embaralhadas. Sabia apenas que a jornada conturbada dos três intrusos havia envolvido um encontro rápido com o clã de vampiros da Irlanda, amigos dos Cullen, outros encontros mais violentos com vampiros europeus nômades, a constante sensação de estarem sendo perseguidos pela Divisão de Caça dos Volturi, uma viagem de navio até a América e um encontro com o clã Denali no Alaska, onde Elizabeth, Charlotte e Vincent, que a essa altura já estavam à procura do clã Cullen, conseguiram informações de onde eles poderiam estar naquela época do ano. Edward conseguiu também ver as imagens da noite em que eles escaparam do clã italiano, colocando fogo no castelo de Volterra, mas não pode ver exatamente como eles haviam feito todas essas coisas, nem os detalhes que mais lhe interessavam, ou seja, quais eram as intenções, as personalidades, os sentimentos e os pensamentos mais profundos de cada um. Não saber de nada disso lhe deixava com a pulga atrás da orelha. Como três vampiros tão jovens poderiam saber bloquear seus pensamentos tão bem?
— Vocês têm mesmo apenas 7 meses de existência vampírica? — perguntou, de braços cruzados e sobrancelhas franzidas em desconfiança.
Charlotte inclinou a cabeça para o lado com o ar inocente de uma bonequinha de porcelana e devolveu a pergunta:
— Como foi que adivinhou nossa idade?
— Eu perguntei primeiro. Responda-me.
Foi a vez de Charlotte franzir as sobrancelhas, soltando faíscas de raiva pelos olhos. Ela odiava ser subjugada.
Esme, que apenas observara calada aqueles novos vampiros até então, resolveu se pronunciar de modo atencioso e maternal, aproximando-se e sorrindo amigavelmente para os três.
— Perdoem a falta de consideração de meu filho e também a hostilidade disfarçada de toda a minha família. Não é justo que façamos tantas perguntas a vocês, julgando-lhes antes mesmo de conhecê-los, se nós mesmos não respondemos a nenhuma das suas expectativas e também somos tão estranhos para vocês quanto vocês o são para nós. — e olhando para cada um dos vampiros presentes ao seu redor, ordenou. — Vamos deixar as perguntas de lado por um instante e mostrar nosso respeito e hospitalidade. Antes de tentarmos conhece-los, permitam que esses três conheçam quem vocês realmente são.
A madona tinha esse poder de se fazer ouvir e ser obedecida por todos aqueles à sua volta que tanto a respeitavam, até mesmo Edward, que, apesar de ser mais velho do que ela, também se considerava seu filho. Assim, ele se resignou e respondeu:
— Eu consigo ler a mente de qualquer um que eu queira. Essa é minha habilidade vampírica.
Edward imaginava que pudesse causar uma impressão de poder superior nos três vampiros, que os fizesse estremecer com a possibilidade de ter seus pensamentos mais obscuros lidos e seus planos mais secretos desvendados, assim ele concluiria suas suspeitas com relação a eles, então prestou muita atenção às reações que obteria com aquelas palavras. No entanto, ao contrário das suas expectativas, os recém-chegados não pareceram preocupados, apenas intrigados com o seu poder.
— Qualquer um, menos eu. — disse Bella, sorrindo para seu amante. — Minha habilidade é ser um escudo contra outros poderes e expandir esse escudo para proteger quem ou o que eu quiser.
— Ah, então você evitou o ataque dos lobos hoje mais cedo! — constatou Vincent. E, olhando para os outros — Todos os Cullen têm habilidades especiais, então?
— Eu não. — disse Emmett — Só sou fisicamente mais forte do que todos eles juntos. — e riu, provocando risos e protestos dos outros membros da família.
O clima da reunião ficou naturalmente mais amigável. Alice explicou seu poder de visionar o futuro e Jasper, o seu de sentir e controlar emoções. Esme e Carlisle declararam sua falta de habilidades e quando Rosalie declarou também não ter nenhuma, Emmett completou “Apenas o dom de ser a mulher mais bonita do mundo.”, ao que ela deu um de seus raros sorrisos estonteantes. Renesmee e sua habilidade de projetar seus pensamentos em outras pessoas também foram citadas a título de curiosidade e então, finalmente, chegou a hora de Carlisle perguntar se Charlotte, Vincent ou Elizabeth haviam notado a manifestação de algum poder em si mesmos.
Eles se entreolharam e ficaram bons segundos calados, até que Elizabeth tomou a frente da situação.
— Talvez fosse melhor mostrar do que tentar explicar... Quem quer ser o primeiro?
Saltitante, Charlotte se pôs no meio da vasta biblioteca, e como se estivesse prestes a realizar um truque de mágica, chamou:
— Preciso de um voluntário. Que tal você, grandão? — ela apontou para Emmett.
Emmett sorriu zombeteiro e foi ao encontro da ruivinha no meio da sala.
Todos cravaram seus olhos nos dois, observando atentamente para ver o que Charlotte iria fazer. Mas, quando ela disse a Emmett “Ataque-me.”, ninguém duvidou que ela pudesse acabar se machucando.
Porém, o soco feroz de Emmett não triscou nem mesmo num fio de cabelo ruivo da garota. Ela permaneceu imóvel e o punho de Emmett passou ao seu lado atingindo o ar e fazendo-o perder o equilíbrio, como se ele tivesse apenas errado o alvo. Tentou de novo com o outro punho e a mesma coisa aconteceu. Aquilo irritou Emmett de forma que ele começou a realmente atacar Charlotte, não mais tomando aquilo como apenas parte de uma demonstração.
Os outros não tiveram nem tempo de se sentirem preocupados pela menina, porque cada ataque pungente de Emmett era desviado com a maior leveza e tranquilidade por parte de Charlotte, que permaneceu imóvel durante todo o exercício.
Cansado e tonto, Emmett finalmente desistiu de tentar acertá-la:
— O que raios você está fazendo?!
A ruiva riu, mas quem respondeu a pergunta foi Edward.
— Ela está controlando o seu corpo.
Exclamações de surpresa foram ouvidas de todos os presentes.
— ‘Coméquié’? Como alguém pode fazer isso? — perguntou o vampiro maior.
— Assim. — respondeu a ruiva.
Charlotte levantou as duas mãos e movimentou os dedos como se fosse um titereiro puxando as cordas de sua marionete e Emmett começou a fazer movimentos involuntários mexendo pernas e braços. A sensação agonizante de não ter controle sobre si mesmo o aterrorizou, era como se ele estivesse preso a um corpo que não era seu. A ruiva lhe fez rodopiar e cair no chão antes de parar de controla-lo. Ele levou alguns segundos para processar o que havia acontecido e levantou-se num salto, se certificando de que todos os seus membros respondiam à sua vontade. Depois, dirigiu um olhar mortificado para Charlotte.
— Você... é incrível.
Nesse momento, ela teve certeza de que, se pudesse, teria corado.
Já Rosalie não achou aquele poder nada incrível e, se pudesse, teria matado a ruiva com um só olhar.
O próximo a tomar o centro da sala foi Vincent. Ele foi um pouco mais audacioso que Charlotte e resolveu escolher alguém que também possuísse habilidades para tentar confrontar.
O galante rapaz se dirigiu a Alice e pediu:
— A dama me daria a honra de ser minha parceira nesta demonstração?
— Tem certeza? Não sou uma oponente tão fácil quanto Emmett. — brincou ela — Eu posso prever suas ações uma vez que você decida toma-las.
Ele apenas sorriu:
— Isso não será um problema.
Alice não era do tipo que atacava primeiro, portanto, ela apenas esperou que Vincent fizesse o primeiro movimento, e quando ele o fez, ela previu quase que instantaneamente onde ele pretendia ataca-la. Quando o punho do rapaz foi ao encontro do seu flanco esquerdo, ela, com seus pés sempre muitos leves de dançarina, esquivou-se e segurou seu braço. Quase tão rápido quanto um piscar de olhos, a vampira chutou a parte de trás de seu joelho, fazendo-o cair, e segurou sua cabeça numa posição em que poderia arrancá-la com facilidade a qualquer momento.
Tudo aconteceu muito rápido, até mesmo para os olhos vampíricos, mas ao chegar nessa posição, a cena paralisou, até porque Alice não tinha real intenção de matar Vincent. Todos olharam impressionados para a imagem petrificada, que mais parecia transformada numa escultura de Michelangelo, e ela sorriu vitoriosamente.
Dentro de instantes, o corpo de Vincent desapareceu. Alice ficou segurando o ar e sua expressão confusa foi assimilada por todos.
— Eu gosto de chamar esta habilidade de Ilusão. — a voz de Vincent de repente ressoou e todos viraram para ver de onde ela tinha surgido. Ele estava confortavelmente sentado em uma das vigas de madeira do teto, balançando as pernas para frente e para trás. — O que você achou do meu clone? Muito verossímil, não é mesmo? Ele tem até vontade própria, por isso enganou direitinho a sua visão.
Alice, sempre tão alegre e sorridente, fechou a cara para o moleque endiabrado. Se não fosse Jasper para conter a sua irritação, ela teria quebrado aquela viga ao meio.
— Pois bem, agora só falta você, Elizabeth querida. — disse Esme, com doçura.
A última vampira não estava muito animada para mostrar o que podia fazer. Ela não gostava de sua própria habilidade, nem considerava que esta fosse um dom, mas sim, uma maldição. Não havia nada de bonito ou teatral no que era capaz de fazer.
Caminhou para o centro da sala como quem sobe ao cadafalso.
Olhou em volta, procurando por algo, e por fim encontrou um vaso de flor em cima do parapeito da janela. Apontou para ele e disse solenemente.
— Observem.
O vaso de vidro era transparente e largo, estava preenchido com água, e dentro dele repousava um belo lírio d’água de pétalas branquíssimas. Elizabeth fechou os olhos, a visão magnífica dos detalhes daquelas pétalas brancas e puras a deixou com um profundo arrependimento do que estava prestes a fazer. Mas não podia haver jeito melhor de demonstrar o horror com o qual tinha que conviver do que macular aquelas belíssimas pétalas. Seu poder era a personificação da destruição.
— Phebo.
O lírio d’água se incendiou diante dos olhos de todos, e nem mesmo a água do vaso foi capaz de impedir que aquele fogo azul enrugasse e enegrecesse as pétalas da flor até que não sobrasse mais nenhum vestígio delas.
— Sou capaz de incendiar qualquer coisa... Ou qualquer pessoa.
Um minuto inteiro de silêncio recaiu sobre o recinto. Ninguém era capaz de desviar os olhos daquele vaso no qual, instantes atrás, havia existido uma coisa tão bela e pura, e onde agora jazia um miolo de flor preto e cinzas manchando a água.
Ninguém disse nada, mas Carlisle sabia o que todos deviam estar imaginando naquele momento. Aquele poder aplicado em um vampiro seria como a destruição da flor, num minuto estaria lá, no outro, consumido pelas chamas. Elizabeth podia destruir qualquer vampiro antes mesmo que ele soubesse o que estava acontecendo. Era um poder assustador... E precioso, o suficiente para os Volturi não desistirem dele.
— Vocês três têm poderes jamais vistos em nenhum outro vampiro que caminha sobre a Terra. E nem os desenvolveram completamente ainda. — disse o patriarca, finalmente quebrando o silêncio — Quem quer que seja o criador de vocês, ele deve ter uma linhagem extremamente antiga e poderosa.
Como ninguém se atrevia a dizer mais nada, Jasper então perguntou:
— Quando vocês dizem que os Volturi estão caçando vampiros, vocês querem dizer que eles estão caçando as suas habilidades, não é?
— Sim. — respondeu Charlotte. — Pode imaginar habilidades como as nossas sendo controladas por eles? Seria o fim de todos os clãs independentes.
— É por isso que precisamos da sua proteção. — disse Vincent — Agora que não somos mais vampiros recém-criados, precisamos aprender a não depender apenas de nossa força física em batalhas. E precisamos de um lugar para ficar enquanto desenvolvemos nossas habilidades e aprendemos a controla-las, antes que os Volturi nos encontrem.
Elizabeth deu um passo a frente e dirigindo-se a todos com olhos suplicantes, pediu:
— Agora que já nos conhecem e já sabem do perigo de sermos encontrados... Nos deixarão ficar?
Ingrid Torga
Enviado por Ingrid Torga em 19/02/2017
Código do texto: T5917861
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Sobre a autora
Ingrid Torga
Recife - Pernambuco - Brasil, 19 anos
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