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QUANDO EU MORRER...

        Quando eu morrer...
    Oh, e que tal tempo não tarde
   Pelo tanto que aqui este exílio se prolongou... e ainda se estende
           E destarte, eu por fim dele sair
      Caso seja eu canonizado
          (o que é o que não creio)
       Rogo a todos já por piedade:
         Não peçam a minha, pois intercessão
     Em favor de suas medíocres vidas
           A fim de corrigir suas encrencas e burrices
     Pelo lixo a que delas tanto então fizeram

       Já por muito fui aqui neste mundo importunado
          Por a muitos socorrer e encarecidamente ajudar
    Todavia, de minha vida deram o fora e não voltaram
          (ao que de certa forma eu agradeço)
     E que não me disseram nem mesmo um simples “obrigado”
         Ai, quanto tempo fui aqui um banana e otário
     A que em tal grau confiei nos outros!
          Quanta inocência minha!

         Oh, Cristo!
         Eis que bem sei o que sentistes diante da ingratidão humana
           Pelos inúmeros benefícios a que a tantos fizestes
      E com que moeda te pagaram:
         O desprezo por seu infinito e puro amor!

       Então, não!
           Esqueçam-me!
     Não me invoquei, pelo amor de Deus
         E aprendam com seus erros
           Como aqui eu aprendi com os meus...

        Quando eu morrer
          (ah, que bênção quando tal hora chegar!)
     Também não me façam descer de volta a este plano
           Ao que a todos eu suplico e imploro:
      Não me “baixem” numa seção de mesa espírita
            Não quero que façam download de minh'alma
    Ou me obriguem a psicografar qualquer asneira em minha nova vida

        Caso queriam a mim conhecer
    Leiam as besteiras que em meus cadernos e na internet deixei
        A que ali eu, de fato, com certeza....estarei
            E estou....

     Em minhas palavras... eis também minha essência e minh’alma
              Não sou diferente do que elas dizem
         Como nunca fui
     Contra tantos hipócritas que são pelo que falam com suas bocas
        Porém negam com suas vidas... e em seus corações...

            Quando eu morrer
      Oh, por favor
              Não chorem por minha ausência
       Pelo contrário, riem... deem gargalhadas... soltem fogos...
          Afinal de contas, depois de tanto tempo
      Tendo que a contragosto aturar a tantos
        (o que de me exigiu toda a paciência do longânimo universo)
          Finalmente... estarei livre...
     De muitos que minha amizade ou minha vida não mereceram...

              Quando eu morrer... oh , quando eu morrer...
          Caso esteja em lápide as seguintes palavras:
               "Descanse em paz, meu amigo"
           Então, em nome de nossa amizade
               Eis que a todos eu peço
                    Por gentileza, e por caridade
                  Tenham pena de mim
                     E não me incomodem!

(No último parágrafo, quero agradecer a interação da talentosa poetisa Scarlett, daqui do Recanto).

Paulo da Cruz
Enviado por Paulo da Cruz em 13/11/2017
Reeditado em 14/11/2017
Código do texto: T6170579
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo da Cruz
Curvelo - Minas Gerais - Brasil
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Paulo da Cruz